Domingo, 29 de Agosto de 2010
Hoje acordei com saudades tuas
Ethel Feldman


Hoje acordei com saudades dos teus bons dias. De manhã, já quase no almoço lembrei-me de como cantas em silêncio. Hoje o dia foi inteiro a lembrar-me de ti. Das vezes que sorriste e me apontaste o céu cheio de príncipes que me defenderiam eternamente do mal. Sorri e repeti que já tinha escolhido o príncipe de todos os príncipes. Eras tu de manhã, à tarde e ao por de sol. De noite, esperava-te com um livro nas mãos, enquanto me deitava na cama. Antes de adormecer lias poemas, e eu pedia-te que me jurasses que ia ser assim para sempre. Tu sorrias sem nunca dizer que sim. Sem lutar, aceitava de bom grado o teu sorriso e tu fazias amor comigo. Não me lembro de outro amor assim. Sei de cor o teu corpo, nele viajei sem cansaço. Sei como ficam teus ombros quando a lua se avizinha. E se o sol teima em ficar, teu peito fica laranja.

Hoje o dia foi todo teu e eu amei-te sem medo.

Feliz por te saber feliz, abraço-te.


publicado por Carlos Loures às 08:00
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9 comentários:
De carlos loures a 29 de Agosto de 2010 às 08:28
Parabéns pela publicação dos poemas. Quanto ao teu «desabafo», tu mesma, pensando um pouco, verás que não ten razão para a caramunha - estávamos a discutir a cultura ou a incultura do Marcelo Rebelo de Sousa. De facto, o debate estava, quanto a mim, inquinado por estarmos supostamente a falar da mesma coisa, mas partindo de pressupostos diferentes e de classificações não coincidentes, pelo que era impossível chegar a algum consenso (como não se chegou). Achei graça ao teu comentário, pois vi-o como uma tentativa de pôr termo a uma conversa que perdera a razão de ser. Não pensei que estivesses mesmo a querer iniciar um novo debate centrado na publicação dos teus poemas. Não tem nada a ver com provincianismo, Ethel, tem a ver com discutir cada coisa no seu lugar próprio. Aqui, por exemplo, é um bom local para falarmos sobre esse interessante convite. Então, se fizeres o favor, reabre o assunto e conta-nos como foi.


De paladar da loucura a 29 de Agosto de 2010 às 09:06
Penso, querido amigo Carlos que o debate não é sobre mim, mas sobre a nossa atenção. Era genuína a minha felicidade, e acreditei poder intervalar a discusssão. Os intervalos acontecem na vida real, sem prateleiras certas, nem horas sensatas. Quando estamos tão envolvidos com os nossos pontos de vista, perdemos a atenção do que se passa ao nosso redor. Fazemos isso constantemente, porque é referência da nossa existência. Apareceu-vos de paraquedas uma mensagem ingenua, vocês deram conta dela, mas não a leram, porque o assunto Cultura era mais importante? Não, porque os vossos pontos de vista estavam a ser discutidos. Estou certa de que não leram a mensagem, porque são todos boas pessoas e ficaram com certeza felizes por mim. Paraste entre paragrafos para me felicitar? Não. Estou numa posição desconfortável a parecer uma menina mimada a reclamar atenção. Tinha o pressentimento que isso iria acontecer, mas arrisquei e continuo no risco pois continua a ter tudo a ver com poesia, enquanto sabedoria e forma de estar na vida. A vida também é feita destas coisas imprevisíveis. Eu fui a nota fora da escala - não fui atendida. Nota que não estou a criticar ninguém. Não há caramunha. Há somente um notar. Beijo amigo. Ethel


De carlos loures a 29 de Agosto de 2010 às 09:30
Continuo a pensar que não tens razão. Estávamos a discutir um dado assunto - que sentido teria desviarmo-nos para outro? A complicação com aquele tema já era a que era. As caixas de comentários pertencem ao tema sob o qual aparecem. Será isto burocracia? Acho que é mais uma questão de haver, sem exageros, algum método.


De paladar da loucura a 29 de Agosto de 2010 às 11:27
Caro Adão,
Há muito tempo que gostaria de ver meus textos editados num livro. Expressei várias vezes com o Carlos o meu desalento pela dificuldade desse desejo ser levado à prática. Ninguém tem absolutamente nada a ver com essa vontade que é só minha, nem com a tristeza associada por não conseguir levar a bom termo esse desejo. Quando o Carlos desafiou-me a ilustrar os teus poemas, senti medo, mas o meu temperamento impede-me de recuar. E o trabalho foi feito com ânimo, porque a tua pintura fala, canta e dança no corpo. Nela senti toda a tua delicadeza e sensibilidade. Assim em momento algum duvidei da vossa sensibilidade. Quando recebi a notícia que os meus 3 poemas seriam publicados, senti-me criança. Feliz quis partilhar a notícia com meus amigos. É bem verdade, que só conheço pessoalmente o Carlos Loures e o Luis Moreira, mas o Estrolábio deu-me oxigenio para continuar a escrever. É como se chegasse ao lugar onde falamos quase a mesma lingua. Usei de alguma liberdade, e como criança que interrompe a conversa contei a novidade. Queria um sorriso, um abraço, etc. Sem nenhuma crítica, vocês foram os adultos que sorriram para a criança e continuaram a conversar. A criança porque não conseguiu chegar ao coração adulto chora. Foi isso que aconteceu. Beijo


De adão cruz a 29 de Agosto de 2010 às 11:40
Eu sei, Ethel. E é muito bom ler-te e sentir-te. E todos partilhamos a tua alegria com a bela notícia, podes estar certa. Mas na verdade, como diz o Carlos e o Luis, não houve da nossa parte o mínimo desprezo pela novidade, nem por ti. O que aconteceu, como diz o luis,é que estávamos todos com os neurónios quentes. Um beijinho


De paladar da loucura a 29 de Agosto de 2010 às 11:47
Às vezes basta um intervalo de atenção para com o outro. Interessam-me esses momentos na vida, Carlos. Esses, onde a minha filha interrompeu-me, ou aquele em que por fim estou tão atenta que vejo a migalha de pão esquecida na mesa. Já não estou a falar do meu desabafo, ou dos lugares certos para se fazerem as coisas certas. Se estivermos atentos a vida é mesmo recheada de incoerências. Quem me dera ter talento suficiente para saber lidar com todas. Num momento bastante dificil da minha vida, retirei-me uma temporada para um Monte Alentejano. Pratico com alguma disciplina meditação há alguns anos - uma ferramenta ímpar no aguçar da atenção. Neste retiro, enquanto isolada pude dar conta do pormenor e a sensação é que o horizonte se alargava e crescia. Notei o tomate cereja que crescia junto da bosta. Notei como é preciso estar atenta à horta. E a natureza cresceu em mim. Aprendi o que outras pessoas já sabiam há muito tempo, mas felizmente ainda aprendi. Aprendi que o subtil é algo que carece de enorme atenção, que quando descoberto aumenta a tua capacidade de amar. Aprendi a não ter medo de expor o que eu sinto, sem julgar o outro. Tive um desabafo no sítio errado e se calhar no momento inoportuno. Viver é isso também. E continua a ter tudo a ver com a poesia, a meu ver.


De Luis Moreira a 29 de Agosto de 2010 às 12:22
Eu notei, Ethel, fico feliz por ti, mas realmente se não paramos para dar o afago é como nada se passe...é preciso dizer todos os dias a quem gostamos: gosto de ti!


De paladar da loucura a 29 de Agosto de 2010 às 12:34
É isso mesmo, Luis. Obrigada.


De paladar da loucura a 29 de Agosto de 2010 às 12:37
e a poesia é essa capacidade que tomos temos de olhar para o outro. quando nos transcendemos poetamos. pouco importa a regra, menos importa a técnica, haja coragem para descontruir o que supomos ser e aceder à existência amorosamente.


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