Quinta-feira, 15 de Julho de 2010
António Gedeão , com a ajuda de Katia Guerreiro, explica como nasceu o mundo onde se fala português. E pela voz de Mário Viegas fala de uma lacuna de Filipe II – não tinha um fecho éclair
António Gedeão, (Rómulo Vasco da Gama de Carvalho), nasceu em Lisboa em 1906. Em 1931 licenciou se em Ciências Físico Químicas pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e em 1932 concluiu o curso de Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras do Porto. Dedicou-se ao, elaborando compêndios escolares, inovadores pelo grafismo e forma de abordar matérias tão complexas como a física e a química. Em 1952, enveredou pela divulgação científica com a colecção "Ciência Para Gente Nova" e "Física para o Povo", entre outros. Só em 1956 explode a sua faceta poética.

Obras principais: Movimento Perpétuo (1956); Teatro do Mundo (1958); Máquina de Fogo (1961); Poema para Galileu (1964); Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Alguns dos seus textos poéticos foram musicados, nomeadamente por Manuel Freire e José Niza.





Ouvimos Katia Guerreiro, com música de Paulo Valentim, cantando uma versão nova do Poema da Malta das Naus, de António Gedeão. Escutemos agora Poema Para Galileo, de António Gedeão, in Operário em Construção, dito pela inconfundível voz de Mário Viegas.



Poema do Fecho éclair

Filipe II tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro com pedras
rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,


com fivela de oiro,
olho de perdiz.


Comia num prato
de prata lavrada


girafa trufada,
rissóis de serpente.


O copo era um gomo
que em flor desabrocha,


de cristal de rocha
do mais transparente.


Andava nas salas
forradas de Arrás,


com panos por cima,
pela frente e por trás.


Tapetes flamengos,
combates de galos,


alões e podengos,
falcões e cavalos.


Dormia na cama
de prata maciça


com dossel de lhama
de franja roliça.


Na mesa do canto
vermelho damasco


a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,


nada lhe faltava,
Filipe Segundo.

Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,


safira, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,


bragas de veludo,
peliças de lontra.

Um homem tão grande
tem tudo o que quer.

O que ele não tinha
era um fecho éclair.


publicado por Carlos Loures às 08:00
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