Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010
Histórias de Suicídios Famosos em Portugal - 4 - por José Brandão
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Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa, a 16 de Março de 1825, na Rua da Rosa, filho ilegítimo de Manuel Joaquim Botelho e de Jacinta Rosa do Espírito Santo, uma sua criada. Antes de Camilo, tinha já nascido uma outra filha do casal, Carolina. No ano seguinte, a família mudou-se para a Rua da Oliveira.


A sua vida foi atribulada: ficou órfão bastante cedo, tendo passado a viver, primeiro com uma tia, em Vila Real, depois com uma irmã, período de que data a sua aprendizagem literária.


A mãe morreu em 1827 e o pai perfilha Camilo e a irmã dois anos depois, em 1829. Camilo iniciou os estudos primários em Lisboa (1830), na escola de mestre Inácio Minas, situada na Rua dos Calafates, e depois na escola de Satírio Salazar, na Calçada do Duque.


Os parentes decidem confiar a educação dos dois órfãos a uma tia paterna, Rita Emília — uma das personagens de Amor de Perdição —, e os dois regressam, por isso, a Vila Real (1836). Quando a irmã se casa (1839), instala-se com o marido em casa de um cunhado, o P. António de Azevedo, em Vilarinho de Samardã, nas proximidades de Vila Real. Camilo acompanha-a e recebe do P. António uma educação literária e religiosa tendente ao estado clerical; terá então sido iniciado nos clássicos portugueses e adquiriu os conhecimentos básicos de latim e francês. Simultaneamente contactou de perto com a vida rural, que depois iria descrever em algumas das suas novelas.


Com apenas dezasseis anos (1841), Camilo casa com Joaquina Pereira de França e instala-se em Friúme (Ribeira de Pena). O casamento precoce parece ter sido resultado de uma mera paixão juvenil, não tendo resistido muito tempo. No ano seguinte prepara-se para ingressar na Universidade, indo estudar com o Padre Manuel da Lixa, em Granja Velha.


Em 1843 nasce a sua filha Rosa e decide inscrever-se na Escola Médica do Porto. Nos anos seguintes frequenta irregularmente as aulas e chega mesmo a perder o ano por faltas, em 1845. Pensou ainda em matricular-se no curso de Direito, em Coimbra, mas o projecto não teve continuidade. Nesse mesmo ano faz a sua estreia literária com o poema herói-cómico Pundonores Desagravados


Em 1846 encontra em Vila Real a jovem Patrícia Emília de Barros — sua prima — e foge com ela para o Porto, sendo perseguido pela justiça, em resultado da queixa dos parentes da moça. Passa a colaborar nos jornais O Nacional e o Periódico dos Pobres. Escreve a peça Agostinho de Ceuta, que é representada pela primeira vez num teatro de Vila Real.

Depois da morte da esposa (1847), Joaquina Pereira, muda-se para o Porto e entrega-se a uma vida de boémia, entremeada com escândalos de carácter amoroso, ao mesmo tempo que se dedica mais profissionalmente à actividade jornalística, prestando colaboração ao Jornal do Povo. Rosa, a sua filha legítima, morre e nasce uma outra filha, Bernardina Amélia, fruto da relação com Patrícia Emília.


Em 1850 instala-se durante algum tempo em Lisboa e passa a viver exclusivamente da sua actividade literária. É por esta altura que conhece Ana Plácida, noiva de Manuel Pinheiro Alves, o que não o impede de se envolver amorosamente com uma freira do Porto, Isabel Cândida Vaz Mourão. Decide então inscrever-se no seminário do Porto, decisão a que não será estranho o casamento de Ana Plácido, mas rapidamente abandona o curso de Teologia. Nos anos seguintes funda dois jornais de carácter religioso, O Cristianismo (1852) e A Cruz (1853) e continua a colaborar com vários outros, em ocasiões distintas.


Em 1857, transfere-se para Viana do Castelo, como redactor do jornal A Aurora do Lima. Ana Plácido vai também para lá, a pretexto de apoiar uma irmã doente, e a ligação entre os dois torna-se pública. O escândalo cria-lhe dificuldades com vários jornais em que colaborava. Talvez por isso decide publicar o jornal O Mundo Elegante, em 1858. Ainda nesse ano, sob proposta de Alexandre Herculano, é eleito sócio da Academia Real das Ciências. Por essa altura, Camilo e Ana Plácido passam a viver juntos e deslocam-se de terra em terra para fugir à justiça. Em 1859 nasce o filho Manuel Plácido.


Após queixa de Manuel Pinheiro Alves contra a mulher e o amante, Ana Plácida é presa em Junho de 1860 e Camilo foge à justiça durante algum tempo, mas acaba por entregar-se em Outubro, ficando detido na cadeia da Relação do Porto, onde é visitado pelo próprio rei D. Pedro V. Finalmente, em Outubro de 1861 os dois são absolvidos pelo juiz, curiosamente, pai de outra grande figura das letras, Eça de Queirós.


Episódio não provado da sua vida é a participação na revolta da Maria da Fonte e da Patuleia. No Porto, inicia uma vida de boémia e escândalo, marcada por inúmeras aventuras amorosas e uma tentativa de suicídio. Em 1850, depois de uma breve atracção pela vida sacerdotal, inicia o seu período de maior produção literária, de que referiremos apenas as principais obras: logo em 1850, o panfleto O Senhor Alexandre Herculano e o Clero; em 1851, Anátema; em 1855, O Livro Negro do Padre Dinis e A Filha do Arcediago. Entre 1859 e 1862, desenrolam-se os lances principais da sua aventura com Ana Plácido: fuga para Lisboa, prisão por adultério, novamente na Cadeia da Relação, julgamento e absolvição dos dois amantes.
Em 1863, nasce em Lisboa o segundo filho do casal, Jorge, que viria a criar-lhe sérios problemas, com o seu alcoolismo crónico. Com a morte de Manuel Pinheiro Alves, o marido de Ana Plácido, Manuel Plácido, legalmente seu filho, herda a casa de São Miguel de Ceide, em Famalicão. No ano seguinte, já instalados em São Miguel de Ceide, nasce o terceiro filho, Nuno, que viria, também ele, a manifestar comportamentos desregrados durante a juventude. Ao longo destes anos, Camilo desenvolve uma intensa actividade literária, ganhando notoriedade pública como escritor.
Em 1868 volta ao Porto para dirigir a Gazeta Literária. No ano seguinte passa longas temporadas em Lisboa, embora o domicílio familiar permaneça em São Miguel de Ceide. Anos depois, em 1875, pensando na educação dos filhos, transfere a residência para Coimbra. Dois anos depois, o filho mais velho, Manuel Plácido, morre. Por esta altura Camilo tem já alguns problemas de visão, que se irão agravar com a idade.


Mais tarde, em 1881, participa activamente no rapto de uma jovem para a casar com o filho Nuno. As relações com o filho degradam-se e Camilo acaba por o expulsar de casa em 1882. Em 1883, atormentado por dificuldades financeiras, leiloa a sua biblioteca. Em 1885 é-lhe finalmente concedido o título que ele solicitara em vão, quinze anos antes — visconde. Em 1888 casa com Ana Plácido.


Definitivamente cego, em 1890, põe fim à vida e aos sofrimentos físicos e morais (a morte de um filho de Ana Plácido que se crê ser de Camilo, a loucura do filho Jorge, a irresponsabilidade do filho Nuno), suicidando-se com um tiro na cabeça.


Camilo foi seguramente o primeiro escritor profissional português. Durante quase toda a sua vida activa assegurou a sua subsistência e a da família, depois de assumida a relação com Ana Plácido, com os seus trabalhos jornalísticos e as novelas que publicava em ritmo frenético: a sua bibliografia ultrapassa muito a centena de títulos, descontada a profusa colaboração espalhada pelos jornais da época.


A sua actividade desdobrou-se pelos mais variados géneros: destacando-se como novelista, foi também poeta, contista, dramaturgo, polemista, jornalista, tradutor e editor, deixando uma obra vastíssima.
Essa actividade literária tão intensa — "forçado das letras", chamou-lhe alguém — bem como a leitura frequente e atenta dos escritores portugueses, sobretudo os clássicos, são os principais responsáveis pelo domínio da língua, que revela em numerosas passagens das suas obras. É verdade que o ritmo vertiginoso com que escrevia (o Amor de Perdição, por exemplo, terá sido escrito em cerca de quinze dias) não lhe permitia trabalhar como gostaria a escrita. Essa urgência da escrita é certamente a grande responsável pela irregularidade qualitativa da sua obra, onde encontramos textos de inegável qualidade a par de outros que não conseguiram resistir ao tempo.


Embora seja um escritor da segunda metade do século XIX, a verdade é que muitas das suas novelas reflectem o clima social, político e mental da primeira metade — época extremamente conturbada, a nível político, e marcada por profundas transformações de natureza social.


As invasões francesas, iniciadas em 1807, obrigaram ao exílio da família real no Brasil. Esse facto mostrou a fragilidade do poder estabelecido (a monarquia absoluta) e terá certamente dado força aos grupos sociais mais favoráveis aos ideais proclamados pela Revolução Francesa — liberdade, igualdade, fraternidade — ou simplesmente interessados em substituir o poder das classes tradicionais (nobreza e clero) pelo seu próprio poder.
Essas duas forças estavam muito equilibradas e o conflito entre absolutistas e liberais prolongou-se só vindo a resolver-se, a favor dos segundos, em meados da década de 30. O facto de as ideias liberais, de origem francesa, poderem ser associadas ao invasor do país (os sucessivos exércitos de Napoleão) terá fortalecido a adesão de muita gente ao grupo absolutista, adiando a implantação da monarquia constitucional. O anticlericalismo da facção liberal também não contribuía para a expansão das suas ideias, já que a população rural, religiosa, analfabeta e controlada pelo clero, rejeitava com vigor as ideias defendidas pelos "herejes".


Quando finalmente em 1834 os absolutistas são vencidos, o conflito transfere-se para o campo liberal, opondo conservadores e progressistas. A estabilidade só chegará em 1851, com a Regeneração.


Ora, Camilo formou-se, como homem e como escritor, nesta sociedade em efervescência. E é nesse clima de agitação, de instabilidade, que decorre a acção de muitas das suas novelas.


As suas novelas constituem um painel descritivo, em tom frequentemente sarcástico, da sociedade portuguesa do século dezanove. A sua atenção debruça-se sobretudo sobre uma aristocracia em clara decadência — material e moral — e uma burguesia em ascensão, que, aos seus olhos, se destaca pela boçalidade.


A obra de Camilo é, em grande parte, um reflexo do seu próprio percurso biográfico. A agitação, a instabilidade, os raptos, o conflito entre a paixão e a razão que encontramos nas novelas de Camilo, encontramo-los igualmente na vida de Camilo. Por outro lado, como profissional das letras que era, Camilo não pôde ignorar os apelos do seu público, que os editores traduziam sob a forma de pressões incontornáveis. Camilo vivia da escrita, e para isso precisava vender, o que implicava obedecer de alguma maneira às solicitações do público leitor. É essa sujeição aos gostos dominantes que explica também a "conversão" naturalista, detectável nas últimas obras de Camilo.


Independentemente dessas cedências, há na sua obra passagens antológicas, onde transparecem os costumes, os comportamentos, os jeitos de falar do norte de Portugal.


A exuberância, o imprevisto, o excesso passional das suas intrigas cativaram igualmente a geração literária dita ultra-romântica, que o homenageou quase no fim da vida.


A intriga é quase sempre de teor passional, como se esperaria de um escritor romântico. Os impulsos do coração determinam a acção das personagens principais, que, normalmente, se defrontam com outras, movidas por outros impulsos menos ideais: o estatuto social, as rivalidades familiares, os interesses económicos...


As suas intrigas são frequentemente demasiado lineares, mas não se pode negar a Camilo uma capacidade de efabulação notável.


As condicionantes estéticas da sua época, os circuitos editoriais, a sociologia e psicologia do seu público e a sua própria personalidade impuseram à sua obra novelística características fortemente românticas. No entanto, a sua longa permanência de quase meio século na vida literária, e a sua dependência financeira da escrita, levaram-no, talvez a contragosto, a tentar acompanhar a evolução ideológica do seu tempo. Daí que o mais romântico dos nossos escritores nos apareça, quase no fim da vida, a ensaiar uma escrita realista e até naturalista.


É autor de uma obra multifacetada. Nela se destaca, como sabemos, a componente novelística, mas estende-se também pelo teatro, jornalismo, ensaios biográficos e históricos, poesia, polémica, crítica literária, além de dezenas de traduções e uma extensa epistolografia.


Vida e obra, realidade e ficção interpenetram-se no percurso de Camilo Castelo Branco, o escritor mais abundante do Romantismo português.


A produção literária de Camilo sofreu grande influência das atribulações, nomeadamente amorosas, da sua vida. Tendo de se sujeitar frequentemente às exigências dos seus editores, fazendo cedências, apressando a escrita, recorrendo a estereótipos que satisfizessem o gosto da época, a sua produção é algo irregular e apresenta algumas falhas. No entanto, soube pintar de forma ímpar os costumes e gentes da sua região e os seus modos de falar; as suas personagens revelam ainda uma intensidade passional que o celebrizou.


A sua vida foi atribulada: ficou órfão bastante cedo, tendo passado a viver, primeiro com uma tia, em Vila Real, depois com uma irmã, período de que data a sua aprendizagem literária. Quando contava dezasseis anos, casou-se com uma aldeã, de quem cedo se separou. Estudou Medicina no Porto, de 1842 a 1844, e preparou-se para ingressar no curso de Direito em Coimbra, que não chegou a frequentar. A partir de 1848, dedicou-se à actividade jornalística, no Porto. Integrando-se no grupo dos «leões» do café Guichard, dedicou-se aos escritos polémicos e à novelística. Entre as várias aventuras amorosas que vinha tendo, salienta-se a sua paixão por Ana Plácido, cujo casamento o levou a matricular-se num seminário, em 1850. Dois anos mais tarde, regressou à actividade jornalística e literária, impondo-se nos círculos culturais de então. Em 1859, fugiu com Ana Plácido. Os dois foram presos, acusados de adultério, e absolvidos posteriormente, em 1861. Após a morte do marido de Ana Plácido, passaram a viver na casa deste, em São Miguel de Ceide. Dependente da sua escrita para sustento da família, Camilo viveu dificuldades económicas. Os seus problemas agravaram-se com o avanço progressivo da cegueira. Em 1888, casou-se com Ana Plácido e, dois anos mais tarde, suicidou-se com um tiro de pistola.


A maior glória da literatura portuguesa escreveu uma carta datada de 21 de Maio de 1890: «Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa neste país, durante quarenta anos de trabalho. Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego». A 1 de Junho do mesmo ano, depois do dr. Edmundo de Magalhães Machado, oftalmologista de renome, o ter examinado cuidadosamente na sua casa de S. Miguel de Ceide. Camilo percebe que a cegueira era irreversível. Despediu-se do médico, saindo este acompanhado de Ana Plácido: «Calmo e decidido, Camilo sacou do revólver, em seu poder há vários anos, e disparou sobre o parietal direito».


O suicídio sempre lhe fora familiar, parece que «primeiro como uma especulação da inteligência», depois, à medida que a cegueira progredia como resolução final. O escritor recusava deixar-se ficar um morto vivo.
Considerado um dos grandes prosadores românticos, ainda durante a sua vida foi muito admirado pela geração ultra-romântica, e homenageado oficialmente recebendo, em 1885, o título de visconde de Correia Botelho.
É geralmente tido como um dos grandes escritores portugueses.


Obras: Da extensíssima bibliografia de Camilo salientam-se Pundonores Desagravados, 1845 (sátiras); Anátema, 1851 (novela); Inspirações, 1851 (poesias); Mistérios de Lisboa, 1854 (folhetim); O Livro Negro do Padre Dinis, 1855 (novela); A Filha do Arcediago, 1857 (novela); Amor de Perdição, 1862 (novela); Memórias do Cárcere, 1862 (memórias); Esboços de Apreciações Literárias, 1865 (crítica literária); Vaidades Irritadas e Irritantes, 1866 (opúsculo); A Queda de um Anjo, 1866 (novela); O Retrato de Ricardina, 1868 (novela); Curso de Literatura Portuguesa, 1876 (crítica literária); Eusébio Macário, 1879 (novela); A Corja, 1880 (novela); A Brasileira de Prazins, 1883 (novela).


publicado por Carlos Loures às 18:00
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