Terça-feira, 31 de Maio de 2011
A Tribo - por António Martins

 

A crise bate forte e os políticos vêem-se forçados a poupar nas férias, trocando o hotel ou o aldeamento turístico pelo parque de campismo.
As situações multiplicam-se: enquanto Louçã e Bernardino Soares fazem um churrasco com Manuel Pinho, a ministra da saúde vacina Mário Lino,
e Oliveira e Costa espreita para fora das grades da sua roulotte.

 

É o cartoon de António Martins, que já é um clássico !

 



publicado por Luis Moreira às 23:55
editado por Augusta Clara em 01/06/2011 às 00:12
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Ciclo Integrado de Cinema, Debates e Colóquios na FEUC 2009/2010, intitulada O capitalismo na China:

Introdução

Nota Prévia

 

Júlio Mota, Luís Lopes e Margarida Antunes

Com a sessão sete do Ciclo Integrado de Cinema, Debates e Colóquios na FEUC 2009/2010, intitulada O capitalismo na China: as classes sociais, as migrações e a repartição do rendimento, pretendemos colocar no centro do debate o papel da China nos fluxos de mercadorias que invadem o mundo, assim como os mecanismos que lhe asseguram esse novo papel de dominação, e as tensões que isto mesmo estará já a provocar na sociedade chinesa. A China é hoje uma das sociedades mais desiguais do mundo, onde se institucionalizam os muros da repartição de rendimento, que se poderiam também chamar hoje os muros da espoliação, tal o nível de desigualdade atingido.

 

Quer se goste ou não, quer se queira quer não, os produtos "Made in China" vão continuar a estar presentes num futuro próximo em todo o mundo.

 

O modelo de crescimento económico chinês, baseado precisamente nisto, no sector de exportação, e no investimento mostra-se cada vez mais associado a um processo de desconstrução industrial em muitos países europeus, mas também em regiões dos Estados Unidos, da responsabilidade em primeiro lugar dos governos nacionais, por ausência de política industrial em nome do livre jogo das forças de mercado, e das empresas (multi)nacionais que no quadro do modelo económico vigente procuram a redução máxima dos custos à escala planetária, deslocalizando ou instalando unidades de produção em países como a China. Ligado a tudo isto estará também nesses mesmos países a prioridade na estabilidade de preços ao nível da política macroeconómica, sendo então a importação de bens a baixo preço uma via para controlar a inflação importada.

 

Mas o modelo de crescimento económico chinês cria igualmente pressões em países com níveis de desenvolvimento semelhante ao seu, sendo a maior parte deles da mesma zona do globo, essencialmente por aqueles países se sentirem obrigados a seguir o mesmo tipo de modelo. As palavras de Rustam Aksam, presidente da Indonesian Trades Union Congress são ilustrativas a este respeito: "Cada país está agora a concorrer para reduzir os direitos dos trabalhadores... Nós estamos a correr para o fundo".

 

Do lado chinês, um dos eixos centrais que fez com que a China continental se tenha transformado na "fábrica do mundo" e que se desenvolveu em paralelo com o seu crescimento económico foi o extraordinário acréscimo de volume de mão-de-obra disponível e a baixo, a muito baixo, custo, que ocorreu nestas últimas décadas em resultado de fluxos migratórios de jovens do campo para o seu litoral, para as cidades industriais da costa, para as zonas de produção dos bens exportáveis. Estes fluxos são considerados por muitos a maior movimentação humana no mundo e possivelmente a maior de sempre na história (mais de uma centena de milhões de pessoas).

 

Mas a relevância desta mão-de-obra como eixo central do modelo de crescimento económico chinês não se fica de todo apenas pelo seu volume; acima de tudo é preciso não negligenciar as condições de trabalho que lhe estão inerentes. Estes trabalhadores migrantes internos, legais e ilegais, sujeitam-se a situações laborais e de vida extremas. De acordo com um levantamento sobre as condições de vida dos trabalhadores migrantes realizado, em 2006, apenas 21% de trabalhadores migrantes vivem em casas com quarto de banho e cozinha; a maior parte dos restantes vivem em barracas, no local de trabalho, em dormitórios, em casas sem quarto de banho ou cozinha ou então sem nenhum deles.

 

A vulnerabilidade dos trabalhadores migrantes também se reflecte noutros aspectos, tais como salários em atraso, SIDA, doenças sexualmente transmissíveis e más condições de vida. Apesar de a partir de 2003, o governo chinês ter tomado diversas medidas para tentar resolver o problema dos salários em atraso dos migrantes, estes continuam a ser vítimas desta realidade, que é considerada um drama nacional. De acordo com um inquérito realizado em seis sectores, em 2006, 32,4% dos trabalhadores migrantes que trabalham no sector da construção são vítimas dos salários em atraso, sendo este o valor mais alto, apresentando a indústria transformadora a proporção mais baixa, mas mesmo assim com 12,5% (ver o texto 2 da Parte II do presente caderno).

 

Como tem sido cada vez mais apontado, a vulnerabilidade dos migrantes rurais advém da regulamentação de segmentação residencial inscrita no âmago do sistema hukou, segundo o qual qualquer movimento formal (ou "permanente") entre cidades, entre zonas urbanas, entre zonas rurais e urbanas, exige a posse de uma autorização de migrar emitida pelas autoridades de segurança pública. Apesar de algumas experiências reformistas deste sistema a nível local, o hukou impede parte dos trabalhadores migrantes de poderem ter casa, cuidados médicos, educação para filhos, e outros serviços públicos, a preços razoáveis. Criam-se assim diferenças entre trabalhadores, consoante se tem ou não autorização para se migrar, consoante se é trabalhador local ou trabalhador migrante, criam-se assim "muros invisíveis" mesmo ao nível dos trabalhadores de menores níveis salariais.

 

Tudo isto se amplifica quando se sabe que simultaneamente as desigualdades sociais e de rendimento se têm acentuado nos últimos anos. Por exemplo, o peso dos rendimentos de 1% da população mais rica no rendimento total mais que duplicou entre 1985 e 2005, quando ao longo do mesmo período o peso dos salários no rendimento total se reduziu mais de 15 pontos percentuais.

 

Isto ajuda a perceber porque é que, ao longo do mesmo período, o peso do consumo privado na despesa total se reduziu praticamente na mesma proporção, conforme se ilustra no gráfico seguinte:

 



publicado por Luis Moreira às 23:00
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Um Novo Coração 8 - Sílvio Castro

 

Sílvio Castro  Um Novo Coração

 

 

 

Capítulo 8

 

 

 

Caminhando com constância pelos corredores da Cardiologia eu desejava antes de tudo manter-me em forma, com as minhas pernas nas melhores condições possíveis. Para elas sempre desejei a preservação das forças musculares conquistadas nas partidas de futebol que quase viram nascer um craque, como muitos afirmaram em tantas e diversas circunstâncias, começando quando o garoto tinha apenas nove anos e jogava nos gramados livres de Laranjeiras, era um garotinho magro, grandes olhos sempre espantados como os da mãe, pernas curtas, mas muito corajosas. Depois, essas pernas se fizeram fonte de dezenas, centenas de gols,   segura ele, não deixa ele virar!  mas ele, incontrolável, virava como um pião colorido e alegre, e era gol. Mais tarde, as pernas reforçadas, o rapazinho que ganhava algum corpo, o tronco alargado e os pés que funcionavam ambidestros como mãos-martelos de toque forte, metia medo quando cobrava faus, mesmo de longe 20, 30 metros.

 

Quando eu caminhava pelos corredores não rememorava as inconclusas glórias futebolísticas, mas vivia o meu estar naquele mundo quase novo para mim e dele queria participar como uma nova forma de meu conhecimento íntimo. Caminhando, via os meus companheiros de internação e muitas vezes me descobria em facetas novas, comparando-me inadivertidamente com eles em vista de seus estados. Então me surpreendia em reconhecer uma egoística satisfação pelo meu poder de caminhar, satisfação que me subia do peito aos olhos, vendo quem estava sempre imobilizado na própria cama e me olhava incrédulo a cada minha volta pela sua porta. Depois me envergonhava de meu sentimento que mais que um sentir profundo era um divagar diante do mistério de um estado que até então não fora meu. Quase como um ato de compensação, logo depois eu redobrava a minha atenção pedida pela velha e sempre cansada senhora do quarto nº 6 que não sabia acender a televisão da sala-de-estar, o “soggiorno”. Ela sabia que eu manobrava bem a televisão, pois muitas vezes se sentara ao meu lado para assistir aos programas que eu escolhia sem que ela dissesse nada. Mas a velha senhora não percebera ainda depois de tanto tempo que o aparelho estava muito gasto e não funcionava bem. Ela insistia em usar o controle-remoto e nada. O senhor pode acender a televisão para mim?  Claro que posso, mas o controle-remoto não funciona, precisa acender diretamente e sintonizar os canais manualmente. A velha senhora não tinha forças nem mesmo para me agradecer, enquanto silenciosa sentava-se de lado, um pouco distante de mim. A senhora quer ver algum programa especial?  Não, não importa, importante é que a televisão esteja acesa; eu vejo o que o senhor escolher. Certamente eu me sentia menos egoista tendo preparado a televisão para a velha senhora, sempre calada diante das imagens que muitas vezes passavam das cores já quase perdidas para o branco-e-preto. Menos egoista, mas quando a voz estrindente de Giorgetto vinda do corredor anunciava o jantar, passando com a carrocinha dos manjares que deveriam reequilibrar os meus recônditos sentimentos, eu me levantava e saía da sala-de-estar sem nada dizer à velha senhora;   olá, Giorgetto, o que é que temos hoje?

 

(continua)

 

 

 

 

 

 

 



publicado por Augusta Clara às 22:00
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A eterna questão do livro – 8 - por Carlos Loures

 

 

 

 

 

(continuação)

 

 

 

Ao passar em revista, da forma atrabiliária a que (espero) já estejam habituados, os problemas que afectam o sector livreiro, não podia deixar de me referir aos problemas da tradução. No mundo mágico da criação literária, onde acontecem prodígios como a «Eneida», o «D. Quixote de la Mancha», o «Hamlet» ou a «Guerra e Paz», movem-se, como invisíveis duendes, os tradutores que, «à force de reins et de sueur», como disse Gustave Flaubert, conseguiram que muitos milhares de milhões de leitores fossem ao longo das gerações conhecendo a Ilíada, Dante, Cervantes, Tolstoi, Kafka, o que não é proeza pequena, se nos lembrarmos que é cometida por gnomos invisíveis, pois tal como acontece com os árbitros de futebol, o melhor que pode
acontecer a um tradutor é passar despercebido. Quanto melhor tiver feito o seu trabalho, menos dará o leitor pela sua intervenção. A tradução ideal seria como um vidro transparente e limpo, através do qual se pudesse ler o original, mas na língua de chegada. Um vidro que não distorcesse as imagens. Que não se visse.


Porém, há distorções com consequências de uma grande importância.

 

Segundo diz Roger Martin du Gard, em O Drama de Jean Barois, a virgindade de Maria teve origem no erro de um tradutor, um obscuro monge, ao traduzir o Novo Testamento do grego para o latim, confundiu a palavra jovem com virgem. E aí temos um dos maiores imbróglios da liturgia católica, o culto mariano…O monge errou, mas soadas as Completas terá ido comer o seu caldo, o seu naco de pão, deixando a Roma o trabalho de explicar como «se pode conceber sem pecado». O que não deve ter sido fácil.

 

O tradutor é um dos mais apagados intervenientes no processo de construção de um livro, mas da qualidade do seu trabalho, depende a qualidade do livro. Na maioria dos casos, a tradução empobrece o texto original. Há casos, porém, como na tradução que Blaise Cendrars fez de «A Selva», de Ferreira de Castro, ou a que Jorge Luis Borges fez de «The Wild Palms», de William Faulkner. Que são exemplos em que o vidro que se interpõe entre a língua de partida e a de chegada não está limpo nem sujo, mas sim esmerilado pelo estilo genial dos tradutores. No caso da tradução de «A Selva», com a sua ironia cáustica, Almada Negreiros, aludindo ao estilo rude e primário dos primeiros livros de Ferreira de Castro, dizia que o ideal teria sido pegar na tradução em francês, feita por Cendrars, arranjar um bom tradutor e verter então a obra para português. Gabriel García Márquez foi ao ponto de declarar que a versão inglesa de «Cien años de soledad», feita por Gregory Rabassa, ultrapassa a sua obra em qualidade literária. Tradutor, traidor, como diz o famoso aforismo italiano: estaremos nestes casos, como o de Cendrars ou o de Rabassa, perante boas obras literárias, mas más traduções, ou apenas em face de excelentes traições?

 

Sou um leitor compulsivo e tenho sido, ao longo da minha vida profissional, tradutor compulso – isto é, numa certa fase da minha vida, compelido pela necessidade de ganhar a vida, e noutra compulsado pelas circunstâncias – as mais de as vezes por ser necessário executar o trabalho com urgência e não haver ninguém à mão capaz de o fazer dentro do prazo exigido. Como leitor sofro muito com as más traduções, com as trapaças, com a falta de brio profissional; como tradutor, sofro com a perpétua e justificada desconfiança do meu saber. Mesmo quando se trata de um vocábulo estrangeiro milhares de vezes por mim usado, vou sempre verificar se não haverá qualquer acepção menos vulgar que me tenha escapado.

 

Continuarei a falar de tradução no próximo artigo.

 

(Continua)



publicado por Carlos Loures às 21:00
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Sobre a China, sobre o estatuto do trabalho na Economia Global

O título desta série é

 

Sobre a China, sobre o estatuto do trabalho na Economia Global

Introdução

Nota Prévia

 

Júlio Mota, Luís Lopes e Margarida Antunes

Com a sessão sete do Ciclo Integrado de Cinema, Debates e Colóquios na FEUC 2009/2010, intitulada O capitalismo na China: as classes sociais, as migrações e a repartição do rendimento, pretendemos colocar no centro do debate o papel da China nos fluxos de mercadorias que invadem o mundo, assim como os mecanismos que lhe asseguram esse novo papel de dominação, e as tensões que isto mesmo estará já a provocar na sociedade chinesa. A China é hoje uma das sociedades mais desiguais do mundo, onde se institucionalizam os muros da repartição de rendimento, que se poderiam também chamar hoje os muros da espoliação, tal o nível de desigualdade atingido.

 

Quer se goste ou não, quer se queira quer não, os produtos "Made in China" vão continuar a estar presentes num futuro próximo em todo o mundo.

 

O modelo de crescimento económico chinês, baseado precisamente nisto, no sector de exportação, e no investimento mostra-se cada vez mais associado a um processo de desconstrução industrial em muitos países europeus, mas também em regiões dos Estados Unidos, da responsabilidade em primeiro lugar dos governos nacionais, por ausência de política industrial em nome do livre jogo das forças de mercado, e das empresas (multi)nacionais que no quadro do modelo económico vigente procuram a redução máxima dos custos à escala planetária, deslocalizando ou instalando unidades de produção em países como a China. Ligado a tudo isto estará também nesses mesmos países a prioridade na estabilidade de preços ao nível da política macroeconómica, sendo então a importação de bens a baixo preço uma via para controlar a inflação importada.

 

Mas o modelo de crescimento económico chinês cria igualmente pressões em países com níveis de desenvolvimento semelhante ao seu, sendo a maior parte deles da mesma zona do globo, essencialmente por aqueles países se sentirem obrigados a seguir o mesmo tipo de modelo. As palavras de Rustam Aksam, presidente da Indonesian Trades Union Congress são ilustrativas a este respeito: "Cada país está agora a concorrer para reduzir os direitos dos trabalhadores... Nós estamos a correr para o fundo".

 

Do lado chinês, um dos eixos centrais que fez com que a China continental se tenha transformado na "fábrica do mundo" e que se desenvolveu em paralelo com o seu crescimento económico foi o extraordinário acréscimo de volume de mão-de-obra disponível e a baixo, a muito baixo, custo, que ocorreu nestas últimas décadas em resultado de fluxos migratórios de jovens do campo para o seu litoral, para as cidades industriais da costa, para as zonas de produção dos bens exportáveis. Estes fluxos são considerados por muitos a maior movimentação humana no mundo e possivelmente a maior de sempre na história (mais de uma centena de milhões de pessoas).

 

Mas a relevância desta mão-de-obra como eixo central do modelo de crescimento económico chinês não se fica de todo apenas pelo seu volume; acima de tudo é preciso não negligenciar as condições de trabalho que lhe estão inerentes. Estes trabalhadores migrantes internos, legais e ilegais, sujeitam-se a situações laborais e de vida extremas. De acordo com um levantamento sobre as condições de vida dos trabalhadores migrantes realizado, em 2006, apenas 21% de trabalhadores migrantes vivem em casas com quarto de banho e cozinha; a maior parte dos restantes vivem em barracas, no local de trabalho, em dormitórios, em casas sem quarto de banho ou cozinha ou então sem nenhum deles.

 

A vulnerabilidade dos trabalhadores migrantes também se reflecte noutros aspectos, tais como salários em atraso, SIDA, doenças sexualmente transmissíveis e más condições de vida. Apesar de a partir de 2003, o governo chinês ter tomado diversas medidas para tentar resolver o problema dos salários em atraso dos migrantes, estes continuam a ser vítimas desta realidade, que é considerada um drama nacional. De acordo com um inquérito realizado em seis sectores, em 2006, 32,4% dos trabalhadores migrantes que trabalham no sector da construção são vítimas dos salários em atraso, sendo este o valor mais alto, apresentando a indústria transformadora a proporção mais baixa, mas mesmo assim com 12,5% (ver o texto 2 da Parte II do presente caderno).

 

Como tem sido cada vez mais apontado, a vulnerabilidade dos migrantes rurais advém da regulamentação de segmentação residencial inscrita no âmago do sistema hukou, segundo o qual qualquer movimento formal (ou "permanente") entre cidades, entre zonas urbanas, entre zonas rurais e urbanas, exige a posse de uma autorização de migrar emitida pelas autoridades de segurança pública. Apesar de algumas experiências reformistas deste sistema a nível local, o hukou impede parte dos trabalhadores migrantes de poderem ter casa, cuidados médicos, educação para filhos, e outros serviços públicos, a preços razoáveis. Criam-se assim diferenças entre trabalhadores, consoante se tem ou não autorização para se migrar, consoante se é trabalhador local ou trabalhador migrante, criam-se assim "muros invisíveis" mesmo ao nível dos trabalhadores de menores níveis salariais.

 

Tudo isto se amplifica quando se sabe que simultaneamente as desigualdades sociais e de rendimento se têm acentuado nos últimos anos. Por exemplo, o peso dos rendimentos de 1% da população mais rica no rendimento total mais que duplicou entre 1985 e 2005, quando ao longo do mesmo período o peso dos salários no rendimento total se reduziu mais de 15 pontos percentuais.

 

Isto ajuda a perceber porque é que, ao longo do mesmo período, o peso do consumo privado na despesa total se reduziu praticamente na mesma proporção, conforme se ilustra no gráfico seguinte:

 

Fonte: CEIC Data Company (acedido em 15 Março de 2010).

Esta evolução do consumo privado também não é alheia à quase ausência de sistemas de protecção social (na área da saúde, educação e velhice) que obriga grande parte da população a poupar do pouco rendimento que aufere. Assim, entre 2000 e 2008, a poupança das famílias aumentou proporcionalmente mais que o rendimento: aumentou anualmente em média 16,5%, enquanto os rendimentos nas zonas urbanas e rurais cresceram respectivamente, em termos nominais, 12,4% e 9,7%.

 

Tendo isto presente, que o modelo de crescimento chinês se apresenta como uma fonte de desequilíbrios, o Banco Asiático de Desenvolvimento no seu Outlook de Abril de 2010 sugere que a China reforce o seu consumo interno. Neste relatório, esta Organização considera igualmente que Pequim deve fazer mais esforços a favor do sistema social, da educação, da saúde e da habitação, a fim de permitir aos chineses um maior nível de despesa. "Colocar a tónica no consumo privado deveria promover o crescimento económico e melhorar o nível de vida", afirma ainda.

 

Esta visão do Banco Asiático de Desenvolvimento acaba por ser um reconhecimento da existência de sinais evidentes de que estamos perante uma sociedade socialmente fragilizada, em que uma grande parte da população, e são muitas centenas de milhões, é simultaneamente parte da história do sucesso económico da China nestas últimas décadas mas é também foco de tensões que constituem parte dos seus problemas actuais e futuros.

 

É o estudo das razões económicas, sociais e políticas subjacentes a estas tensões, que são afinal as razões desta sessão, assim como da sua articulação com a economia global que têm amplo desenvolvimento no presente caderno de textos.

 

Neste, descreve-se o quadro institucional da criação dos muros da repartição de rendimento na China que assenta em parte num sistema altamente discriminatório, o sistema de registo das famílias, o registo hukou, que separa os rurais dos urbanos. Este é um sistema de exclusão e discriminação institucional oficial chinês que cria assim a maior massa de passaportes internos de que alguma vez se tenha memória, a maior massa de migrantes legais e ilegais no interior dum próprio país. No dizer dos especialistas da ONU, esta pode ser considerada uma população flutuante, estatisticamente invisível, de residentes invisíveis, separada por "muros invisíveis" mas de pés bem visíveis. É esta massa de gente sem direitos, porque legalmente inexistentes, ou de muito poucos direitos, os poucos que legalmente lhes são concedidos, que alimenta, afinal, o sistema de produção chinês e o processo de desconstrução industrial de partes do mundo.

 

Com o caderno de textos, procuramos também compreender a "máquina infernal" de destruição social que o Ocidente ajudou a criar a Oriente, reproduzindo aí o que de mais violento em termos humanos o capitalismo tem criado ao longo da sua história. Espelha-o, por exemplo, a multinacional Hon Hai Precision Industries, Inc., de Taiwan, produtora na China dos iPod, com 240 000 trabalhadores, quando na sequência de determinações governamentais anunciou que iria oferecer contratos permanentes para os empregados que trabalhavam nas suas instalações há mais de oito anos, viu de imediato o valor de suas acções cair acentuadamente. É disso também um espelho as muitas cidades chinesas eternamente jovens, não pela existência de um qualquer elixir, não por acréscimo da taxa de natalidade, mas sim pela expulsão sucessiva dos trabalhadores migrantes menos jovens, "queimados" pelas muitas horas de trabalho e sem descanso, "queimados" pelas duras condições de existência, e pelo afluxo constante de novos trabalhadores vindos das zonas rurais que vêm assim alimentar a "fornalha da fábrica" do mundo e assegurar, portanto, a reprodução do sistema.

 

Apesar das múltiplas especificidades do modelo de crescimento económico chinês, há um pano de fundo comum com outras zonas do planeta neste período de crise económica global. São os trabalhadores precários, migrantes ou não, internos ou externos, as primeiras vítimas. Vimo-lo no caso dos Estados Unidos e do México, vimo-lo na Europa e nas fronteiras a Leste e a Sul, e vemo-lo agora aqui, na China. Estima-se que cerca de 20 milhões de trabalhadores migrantes chineses terão perdido os seus empregos no início de 2009, apenas devido à contracção da procura mundial, conforme se explica num texto elaborado sob o patrocínio da BBC e do qual escolhemos um excerto significativo neste caderno.

 

A concluir o caderno, estão dois textos de Wang Hui, nosso convidado em Junho e que é um dos mais carismáticos representantes da nova esquerda, com assento no Parlamento do Povo Chinês.



publicado por Luis Moreira às 20:00
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La moral y la ética naturalista - Jorge Luis Rojas D'Onofrio

 

Jorge Luis Rojas D'Onofrio  La moral y la ética naturalista

 

En defensa del ateísmo, de la discusión y del pensamiento libre

 

(Adão Cruz)

 

 

(conclusão)

 

Qué persona es más ética, aquella que sacrifica su vida por otros con la creencia de que no existe otra vida, o aquella que sacrifica su vida por otros con la creencia de que será recompensada en otra vida?

Las religiones son consideradas por gran cantidad de personas como bases de la ética y de la moral humana. En muchas de estas religiones la moral y la ética son presentadas como normas establecidas por un ser o seres sobrenaturales, y que no tendrían sentido sin la existencia de lo sobrenatural, ya que dichas nociones morales parecen ir en contra del interés de las personas que implementan dichas normas, y parecen contradecir la aparente naturaleza egoísta de los seres vivos. Pero esto no es más que una creencia que surge de la incomprensión del método científico, en primer lugar, y de la falta de conocimiento sobre las explicaciones científicas actuales sobre la moral y la ética humana, en segundo lugar. Existe una incomprensión del método científico ya que si en algún momento una observación contradice las teorías o creencias establecidas a través del método científico, como por ejemplo la observación de acciones altruistas que contradicen el comportamiento egoísta que supuestamente predice la teoría de la evolución por selección natural, entonces simplemente la teoría debe ser modificada para que sea coherente con las observaciones y permita así predecir de mejor manera los acontecimientos futuros. Simplemente es imposible que una observación contradiga a la ciencia, porque la ciencia se basa en establecer teorías que no contradigan las observaciones, modificando dichas teorías las veces que sean necesarias para que sean acordes con las observaciones y así predecir de la mejor manera el futuro. La ciencia es una serie interminable de correcciones que acercan la teoría a la realidad. Pero más allá de esta consideración esencial para entender el carácter natural de la moral y la ética humana, es necesario saber que dichas nociones morales y éticas en realidad son bastante acordes con las teorías actuales de la evolución humana y el funcionamiento de la mente. Pero comentar esto último es tarea para otro artículo...



publicado por Augusta Clara às 19:00
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A República nos livros de ontem nos livros de hoje - CXXXIX e CXL, por José Brandão

Perfil de Sidónio Pais

 

Bruno de Montalvão

 

Lisboa, 1942

 

Sidónio Pais ocupa lugar de relevo no conjunto de valores da nossa Raça.

 

O seu nome pode inscrever-se na galeria dos mártires e, por isso, tem um lugar escolhido no meu coração,

 

Nunca recebi qualquer benesse da política ou da obra sidonista e no entanto, à medida que o tempo passa mais se afervora o meu culto e a minha admiração por essa nobre figura de português.

 

Se este pequeno e singelo preâmbulo à «Vida e Obra de Sidónio Pais», trabalho a que pacientemente me tenho dedicado, for agora bem acolhido pelo público, não me furtarei a lançar à luz da publicidade essa obra em que procuro focar, com a maior clareza possível, a vida, a obra e as intenções do desventurado Presidente.

 

O AUTOR

 

__________________

 

O Poder e o Povo

 

(A Revolução de 1910)

 

Vasco Pulido Valente

Moraes Editores, 1982

 

Da revolução de 1820 à queda da Monarquia, em 1910, a Coroa apoiou invariavelmente os partidos moderados «cartistas» contra o perigo do jacobinismo urbano. E excepto por breves intervalos, estes conseguiram prevalecer sobre as forças «democráticas» e radicais, a que apenas se aliaram nos mais negros dias da guerra civil Entre 1847 e 1852, a esquerda pequeno-burguesa dissolveu-se em dúzias de facções impotentes ou foi absorvida e domada pela Regeneração. A nova burguesia terra-tenente, financeira e comercial dos «barões» liberais dominou o Estado, quase sem desafio, até 1903-1905. Os médicos, advogados, professores, oficiais, funcionários públicos, comerciantes, pequenos empresários da indústria oficinal e médios proprietários rurais, que haviam dirigido a ala intransigente do «Vintismo», a revolução de Setembro e a revolta da Patuleia ficaram sessenta anos numa posição subordinada.

_______________



publicado por João Machado às 17:00
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A Democracia em que vivemos – o triunfo dos porcos (II), por Carlos Loures

 

 

 


 

 

 

 

 

«Se houvesse um povo de deuses, ele se governaria democraticamente. Um governo tão aperfeiçoado não convém aos humanos», disse Jean-Jacques Rousseau. Na realidade, a democracia directa, quando da sua primeira formulação  e enquanto participação de todos os cidadãos nas tarefas do Governo, só era concebível dentro das exíguas dimensões geográficas das cidades gregas onde o estatuto de cidadão era atribuído com parcimónia. Ao querer transpor para espaços maiores e com uma abrangência conceptual mais ampla, os senados, os parlamentos, foram a maneira que se encontrou para ultrapassar a impossibilidade de «estar o povo a reunir-se constantemente para tratar da coisa pública». Simbolicamente, o povo reunia-se todo, delegando em representantes a defesa dos seus interesses e pontos de vista.

 

Porém, também a respeito da solução do parlamentarismo (e referindo-se à experiência inglesa), Jean-Jacques Rousseau se pronunciou cepticamente: «O povo inglês, crê-se livre e bem se engana; só o é enquanto dura a eleição dos membros do Parlamento; assim que estes são eleitos, é um escravo, não é coisa alguma» (…) «A ideia dos representantes é moderna; vem-nos do governo feudal» (…) «Nas antigas repúblicas, nunca o povo teve representantes; era uma palavra desconhecida» (…)» Logo que um povo se atribui representantes, deixa de ser livre; mais, deixa de ser.»

 

Estas considerações de Rousseau sobre o parlamentarismo permanecem completamente actuais. Nas democracias que temos,  terminado o período eleitoral em que todas as promessas se fazem, em que se bate às portas, se apertam mãos e distribuem sorrisos, o deputado esquece-se que teoricamente só é Poder através do mandato dos seus eleitores, passando a ser um dócil peão que o secretário-geral do seu partido movimenta no tabuleiro político conforme melhor entende. E, no entanto, sente-se investido de uma indiscutível autoridade.

 

Um exemplo: Tito de Morais, no seu discurso do 25 de Abril de 84, afirmava que se a engenharia é matéria de engenheiros, a saúde da competência dos médicos e a Igreja da responsabilidade dos sacerdotes, a política, por sua parte, é assunto de que só os políticos se devem ocupar.» É uma enormidade, pois nega a essência da própria democracia, mas Tito de Morais apenas verbalizou o conceito que os políticos tinham (e continuam a ter) de representatividade. Esquecem-se de que, numa dimensão moral, logo que o partido que representam deixa de cumprir uma promessa eleitoral ou um pressuposto programático, o contrato com os seus eleitores prescreveu, que, numa perspectiva ética, deixaram de representar esses eleitores e o seu mandato deixou de ter sentido. Mas quem pensa, hoje em dia, em coisas tão incómodas e despropositadas como misturar política com ética e com moral?

 

Máximo Gorki disse que o importante é que o homem se vá afastando do animal. Talvez que, num futuro certamente distante, mercê da engenharia genética ou do que em seguida vier nessa área, os seres humanos se demarquem e distanciem da cadeia evolucionária animal e constituam, de certo modo, o povo de deuses que Rousseau considerava como único destinatário de uma verdadeira democracia. O saber e a informação generalizados podem ajudar a essa mutação. Mas enquanto não somos deuses, estaremos condenados a escolher entre totalitarismos assumidos e democracias onde os partidos e a classe política substituem com eficaz hipocrisia a despótica, inflexível e omnipresente autoridade do Grande Irmão?

 

Todos viram em 1984, a genial ficção de George Orwell uma clara alusão aos perigos de uma ditadura estalinista se estender a todo o Mundo. O XX Congresso do PCUS começou a diluir esta ameaça e em 1989, com a queda do muro de Berlim, o «socialismo real» entrava em colapso total. Orwell, que era indubitavelmente um democrata, não podia prever que um pesadelo do Big Brother a uma escala planetária nos podia também chegar através daquilo a que no pós-guerra se chamava o «mundo livre». Que a globalização da repressão nos podia vir daí. Que a opressão nos podia chegar por via democrática.

 

Num outro livro anterior (1945), Animal Farm, Orwell explicara já como se traem revoluções, como se subvertem ideais em nome desses mesmos ideais. Todos viram, como disse, nas ficções orwellianas críticas ao estalinismo; creio que não as podemos interpretar de forma tão estrita – o espírito democrático veiculado pelo neo-liberalismo é, em si, uma traição à democracia. Transforma a liberdade numa alavanca para manter todas as iniquidades que tornaram necessária a implantação da democracia. A «democracia», na versão neo-liberal, concedendo todas a liberdades, começou paulatinamente a destruir a Liberdade.

 

Os governos democratas, ligados a interesses económicos e por eles patrocinados, começam a configurar inamovíveis estruturas oligárquicas. O axioma de Henry Ford ganha força – podemos escolher os governantes que quisermos desde que escolhamos gente corrupta ou que convive com a corrupção, vendo-a, os que não são corruptos activos, como um mal necessário. Se defendemos castigos exemplares para criminosos, aqui del rei, as toneladas de peso do politicamente correcto e do pensamento único caem-nos em cima.

 

Pode servir de ilustração ao que digo o exemplo de Saint-Just, um jovem membro da Convenção de 1792, que no meio do turbilhão revolucionário, votou pela execução de Luís XVI e foi eleito membro do Comité de Salvação Pública em 1793.

 

No meio daqueles senhores, odiado pelos girondinos e hostilizado pelo seu próprio partido, o dos montanheses – manteve sempre a sua intransigência – a sua utopia era a criar uma democracia de artífices, camponeses, pequenos proprietários, de gente fiel ao espírito da República.

 

Para ele a Liberdade não era cada um fazer o que lhe apetecesse. A Liberdade era a maior das tiranias, aquela que não permitia licenciosidades. Chamaram-lhe o "arcanjo do Terror". Em Julho de 1794 foi guilhotinado. A defesa intransigente dos princípios não compensa.

 

A tão celebrada «mudança de mentalidades» tantas vezes evocada por quem quer manter nas mãos de minorias as rédeas do poder, é uma falácia. Claro que as mentalidades mudam e se adaptam à realidade – mas é isso um bem? Nem sempre. Importante era mudar a natureza humana e evitar que, sob ditaduras ou sob democracias plenas o desfecho seja sempre igual – o triunfo dos porcos.



publicado por João Machado às 15:00
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LIÇÕES DE ETNOPSICOLOGIA DA INFÂNCIA - I, por Raúl Iturra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Granny feeds May

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

http://www.youtube.com/watch?v=4uOxOgm5jQ4

Beethoven Symphony Nº 7 pelo conjunto Octhophoros 

 


 

I

 

Primeira Lição

 

A MATERIALIDADE DOS AFECTOS.

 

As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. As crianças descortinam-nos. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. Em síntese, uma complexidade entre as relações baseadas nas emoções, nos sentimentos e na intimidade do desejo. É esse descortinar dos nossos afectos que permite aos mais novos aprender a ser adultos, com bem ou mal-estar na cultura, como referia o nosso mestre Freud no seu texto de 1930[1], ao desenhar aberrações sexuais do seu tempo. Os mais novos escrutinam o nosso agir, decidem se é bom ou mau para eles e não vão a votos, é um observar sem democracia. Ditadura dos mais novos que obriga os mais velhos, a um comportamento adequado aos seus sentimentos definidos pela epistemologia cultural, que os mais novos desconhecem. È uma procura de empatia simpática, a mais primária das emoções, referidas no meu livro de 2000 – O saber sexual da infância e no anterior de 1998, Como era quando não era o que sou ou O Crescimento das Crianças, para os quais remeto ao leitor, por falta de espaço. Ditadura, essa, referida ao adulto como uma entidade que ensina, predica, pratica sentimentos agradáveis e é observada com toda a atenção.

 



publicado por João Machado às 14:00
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O Estado Social - duas em cada cinco crianças vivem na pobreza - por Luis Moreira

O estado já absorve 50% da riqueza que criamos!O que será preciso fazer para que duas em cada cinco crianças não vivam em situação de pobreza e que quase dois milhões de idosos não vivam na mesma situação de pobreza?

 

Antes de tudo é preciso perceber que os dois grupos são, pela sua natureza, os mais fracos, os menos capazes de fazerem ouvir a sua voz. Isto, resulta claramente, do estado corporativo em que vivemos, quem grita muito, ou pertença a um grupo numeroso ou poderoso, mesmo sem razão, é a prioridade das políticas desenvolvidas a todos os níveis.

 

Grande parte do dinheiro que devia ser canalizado para aqueles grupos sociais fica pelo caminho, na imensidão de funcionários públicos, na duplicação de institutos e fundações, nos serviços que pagamos mais caros, nas escolas sem mérito e sem avaliação, nos tribunais para ricos, nas auto-estradas em duplicado, nos estádios desnecessários, nas parceria publico privadas onde o risco é todo do estado e o lucro todo das empresas...

 

De 2004 para cá não houve melhoria nenhuma e com as recentes medidas e cortes que atingem os mais pobres o futuro não é promissor, " a pobreza infantil tem uma gravidade acrescida relativamente aos restantes estratos da população" uma vez que têm efeitos a curto, médio e longo prazo: a curto "por via das privações diárias a que as crianças estão sujeitas"; a médio e longo prazo "através do grau de escolaridade/qualificação profissional, da inserção no mercado de trabalho, da capacidade de participação e intervenção social" a que estão sujeitas.

 

Não ter acesso ao dentista; a fruta e legumes diariamente;não ter acesso a roupa nova...

 

É, então, este o Estado Social que devemos defender com denodo?

 

Claro que não! Devemos de uma forma corajosa e inteligente defender um Estado Social que dê prioridade aos mais fracos, que distinga as várias classes sociais e que seja progressista, isto é, que se organize segundo as melhores práticas com vista a atingir objectivos bem definidos através das melhores metodologias.

 

"As medidas que têm sido tomadas são óptimas para aparecer no jornal" diz a investigadora social Amélia Bastos do Centro de Matemática Aplicada à Previsão e Decisão Económica, no ISEG de Lisboa.( livro: Números com esperança, abordagem estatística da pobreza infantil em Portugal: da análise às propostas de actuação. A edição é da Almedina e o Publico informa)

 

Conservar e insistir em políticas que têm os resultados que se vêm, não passa de serôdio conservadorismo!



publicado por Luis Moreira às 13:00
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Debate : Estórias dentro da História: da Guerra Colonial ao 25 de Abril... e depois"
Cara(o) associada(o)
A pedido dos organizadores, divulgamos iniciativa.
Cordiais saudações
A Direcção
 
 
Caros Amigos da Associação 25 de Abril
 
No espírito da boa colaboração que tem existido entre as duas Associações, vimos comunicar-vos a realização de um debate, no próximo dia 31 de Maio, pelas 19.00H, na sede da Associação Abril (Rua Castilho, n.º 61, 2.º Dt.º) sobre a guerrra colonial, tema que nos parece da maior pertinência não só porque passam 50 anos desde o seu início, mas também porque consideramos que não é demais falar de um assunto que durante tanto tempo foi tabú na sociedade portuguesa.
 
Assim, teremos connosco, para dar testemunho e desencadear o debate, os militares de Abril João Andrade da Silva e Mário Tomé.
Teríamos, naturalmente, o maior gosto em que alguém da Direcção da Associação 25 de Abril se juntasse a nós e, se possível, que divulgassem a sessão entre os vossos associados.
 
O tema do debate será: "Estórias dentro da História: da Guerra Colonial ao 25 de Abril... e depois"
 
Temos vindo a divulgar a iniciativa na página do facebook e também no blogue da Associação.
 
http://associabril.blogspot.com/
 
 
Haverá um outro debate duas semanas depois, mais concretamente sobre as feridas da guerra, com o autor do livro que "O Código" (sobre o dia-a-dia no Hospital Militar) e também com uma das autoras de um estudo que foi recentemente divulgado sobre as consequências da guerra. Confirmaremos a data na próxima semana. Mas agradecíamos desde já a divulgação do debate do dia 31 de Maio.
 
 
Cordiais saudações associativas
 
P'la Comissão Coordenadora da Associação Abril
Anália Gomes
 
(na ausência da sua presidente Guadalupe Magalhães)
 


publicado por Luis Moreira às 12:25
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Sempre Galiza! – Lois Pereiro: poeta galego-punk ou vice-versa

publica-se às 3ªs e 6ªs

coordenação Pedro Godinho


 

Iniciámos a publicação de textos relativos aos autores que têm vindo a ser anualmente distinguidos no Dia das Letras Galegas: Rosalia de Castro (1963), Daniel Castelão (1964), Eduardo Pondal (1965).

 

Interrompemos, momentaneamente, aquela sequência para dar lugar ao distinguido este 17 de Maio de 2011: Lois Pereiro.

 

 

 

Luis Ángel Sánchez Pereiro, mais conhecido como Lois Pereiro, escritor e poeta galego, nasceu a 16 de Fevereiro de 1958, em Monforte de Lemos (Galiza), e faleceu, com 38 anos e doente, a 24 de Maio de 1996, na Corunha (Galiza).

 

Foi escolhido pela RAG para o Dia das Letras Galegas deste ano de 2011.

 

 

 

José Martinho Montero Santalha, presidente da Academia Galega da Língua Portuguesa (AGLP), contou-nos como o poeta Lois Pereiro é mencionado num poema de Ricardo Carvalho Calero, em agradecimento aos dez poetas “de amor e desamor” pelo exemplar e dedicatória que lhe ofereceram.

 

Em vida publicou duas obras; Poemas 1981/1991 (1992) e Poesía última de amor e enfermidade (1995), tendo, após a sua morte, sido publicada Poemas para unha Loia (1997), que recolhe obras da época madrilena, publicadas na revista “Loia”.

 

Diz o seu irmão, Xosé Manuel Pereiro, que ao escrever os seus primeiros poemas declarou que nunca escreveria em castelhano.

 

 

 

Como não conhecia este poeta, de lírica punk dirão alguns e talvez não o enjeitasse o próprio, procurei na rede e aqui deixo dois dos poemas encontrados na Biblioteca Virtual Galega:

 

 

 

En doce versos falsos 


1

A miúdo botas negras e o seu xesto
(abandonadas do corpo que as esixe)

2

na postura dun acto de violencia
(sen a expresión real do asasinato)

3

pousadas coma un signo
(de furia e de nostalxia)

4

na noite lostregada
(esvaíndose da morte sen imaxe)

5

esluída no refuxio
(doutra visión que medra)

6

da procesión de euforia
(sabendo que hai un drama elaborado)

7

na creación volcánica dun soño
(coma orixe do desespero agudo)

8

na idea procreada
(dun par de botas negras)

9

que non entraría en min
(pola porta dun mundo que me invade)

10

sen o pruído curioso
(que agora me traspasa)

11

cravado sen molestias nos meus ollos
(tan cegos coma o teu útero estéril)

12

que van durmir o soño que non sinto.

 

 

  

 

Poemas póstumos (1992-94)

 

Curiosidade

 

 Saber que está un á morte

e o corpo é unha paisaxe de batalla:

unha carnicería no cerebro.


¿Permitirías ti, amor deserto,
que nesta fevre penitente abrise
a derradeira porta e a pechase
detrás miña, sonámbulo e impasible,
ou porías o pé
entre ela e o destino?

 

novembro, 92



  

 

 

 

As armas da paixão - um vídeo documental sobre a vida e a obra de Lois Pereiro

 



publicado por Pedro Godinho às 11:00
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Barca Bela, de Almeida Garrett

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (1799 - 1854). O presente poema integrou Folhas Caídas, colectânea lírica que o poeta fez publicar em 1853.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pescador da barca bela,
Onde vás pescar com ela,
Que é tão bela,
Ó pescador?

Não vês que a última estrela
No céu nublado se vela?
Colhe a vela,
Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,
Que a sereia canta bela ...
Mas cautela,
Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,
Que perdido é remo e vela
Só de vê-la,
Ó pescador.

Pescador da barca bela,
Inda é tempo, foge dela,
Foge dela,
Ó pescador!



publicado por João Machado às 10:00
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A Fundação Mário Soares convida - ELEIÇÕES E SISTEMAS ELEITORAIS NO SÈCULO XX PORTUGUÊS



publicado por Carlos Loures às 09:00
editado por Luis Moreira em 28/05/2011 às 01:29
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Os jornais e as notícias que fazem o seu dia 31/5/2011 por Luis Moreira

Clicando nos links acede às rádios e jornais. Toda a imprensa de referência ao seu pequeno almoço, só ainda não lhe servimos o café mas estamos a pensar nisso...

 

 

Rádio on line, ouça boa música e leia as notícias que fazem a sua manhã.

 

Notícias Público -edição impressa.

 

DN - edição impressa

 

JN

 

Diário de negócios

 

Aljazeera live - em inglês

 

 A Marca - jornal de desporto

 

Jornais e revistas italianos - todos os jornais e revistas publicados em Itália. Escolha a seu prazer.

 

Financial Times - os negócios

 

Nouvelle Observateur - edição impressa

 

Le Monde

 

La Vanguardia,

 

El País

 

Corriere della Sera

 

New Yorker

jornal i

 

Record

 

O Jogo

 

Expresso

 

http://www.estadio.in/sicnoticias



publicado por Luis Moreira às 08:00
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