Segunda-feira, 21 de Março de 2011
A Sagração da Primavera de Igor Stravinsky por Luis Moreira

Os menos cuidadosos que se cuidem com os primeiros acordes, parece bucólica, uma paz serena de um verdejante campo primaveril antes de explodir como uma das mais extraordinárias peças musicais e mais revolucionárias. Idolatrada, odiada, discutida e teorizada, um século depois quem a ouve julgará que é uma peça que acabou de estrear. Um pesadelo de que a história da música nunca mais despertará.

 

Na sua estreia em Paris, a 29 de Maio de 1913, a obra desabou sob uma violenta tempestade de vaias, pateada e altercações. Grande parte do público abandonou a sala. Há quem diga que a verdadeira causa do tumulto não seria a obra musical mas a coreografia dos bailarinos, a sua anulação em proveito das formas que , ainda por cima, eram grotescas.

 

"Antes de Stravinsky, a música nunca soubera dar forma aos ritos bárbaros" afirmou Milan Kundera.

 

Vídeo raro com o próprio Stravinsky a conduzir a orquestra:

 

 

 

 

 



publicado por Luis Moreira às 23:50
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Zona euro: uma organização deficiente por Júlio Marques Mota 3

Zona euro: uma organização deficiente

A zona euro teria podido ser menos atingida que os Estados Unidos ou que o Reino Unido pela crise financeira. Os sistemas financeiros nesta zona são mais arcaicos. As famílias estão na zona euro claramente menos envolvidas nos mercados financeiros. O euro teria podido ser um factor de protecção contra a crise financeira mundial. A taxa de câmbio fixa entre as moedas europeias eliminou um dos maiores factores da instabilidade. No entanto, não foi nada assim: a Europa foi mais duramente atingida e mais está prolongadamente afectada pela crise que o resto do mundo. Em 2010, o défice público global da zona euro (6% do PIB) é inferior ao dos Estados Unidos (11,%) ou ao do Reino Unido (10,5%). No entanto, praticamente todos os países da zona euro estão sob a pressão de Procedimento de défice excessivo. No entanto, ainda assim, os mercados continuam a especular contra certos países da zona, impondo-lhes taxas de juro insustentáveis, apesar da garantia do BCE e do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FESF).

 

Esta situação explica-se pelas próprias modalidades da União Monetária. As instâncias europeias estão centradas, desde a criação do euro, sobre o respeito do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) que devia impor aos países constrangimentos nas suas finanças públicas que não têm nenhum significado económico. Não foram capazes de impulsionar uma estratégia coerente na zona. Desde a criação do euro, os desequilíbrios aumentaram entre os países do Norte (Alemanha, Áustria, Países Baixos, países escandinavos), que contiveram os seus salários e as suas  procuras internas assim como acumularam excedentes externos, e os países do Sul (Espanha, Grécia, Irlanda), que conheciam um crescimento vigoroso, impulsionado por taxas de juro baixas relativamente à taxa de crescimento e que acumulavam défices externos.

De 1999 para 2007, os mercados não se preocuparam com o aumento das disparidades da taxa de inflação na zona. Em Junho de 2007, as taxas de juro a 10 anos iam de apenas de 4,5% na Alemanha a 4,65% para a Grécia e para a Itália.

Durante a crise, o forte aumento das dívidas e dos défices públicos não provocaram aumentos das taxas de juro de longo prazo à escala mundial, antes pelo contrário, estas baixaram, os mercados estimavam que as taxas monetárias (a curto prazo) continuariam a ser baixas e durante muito tempo, uma vez que a depressão era tal que não havia risco de inflação ou de sobreaquecimento.

A partir daí, a partir de meados de 2008, os mercados deram-se conta de uma falha na organização da zona euro. Enquanto que os governos dos outros países desenvolvidos não podem declarar-se em situação de falência porque podem sempre ser financiados pelo seu Banco Central, se necessário pela criação monetária, os países da zona euro renunciaram a esta possibilidade. O BCE está proibido de refinanciar os Estados e o artigo 125 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia proíbe a solidariedade financeira entre os Estados-Membros. De imediato, o financiamento dos países da zona euro depende dos mercados financeiros e isto não está assegurado. A especulação pôde desencadear-se sobre aos países mais frágeis da zona: Grécia, Espanha, Irlanda, os países que tinham conhecido um forte crescimento antes da crise, mas que deviam alterar o seu modelo de crescimento. A crise financeira é transformada numa crise da zona euro.

O desenvolvimento da especulação sobre a dívida dos países desenvolvidos é paradoxal e perigoso. Desde 1945, nenhum país desenvolvido ficou numa situação de não cumprimento sobre a sua dívida pública. Os mercados especulam sobre um risco que nunca se materializou. Certamente, a situação alterou-se, dado que a independência dos bancos centrais (e em especial do BCE) poderia conduzir a situações inéditas onde o Banco central recusaria vir em socorro do Estado do seu país em dificuldade. Mas esta situação nunca se produziu; a crise de 2007-2008 tem, pelo contrário, mostrado a capacidade dos Bancos centrais em intervir em caso de perigo. Como imaginar que um Banco central não intervenha para socorrer o seu país, como o fez para salvar os bancos?



publicado por Luis Moreira às 23:00
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DIA MUNDIAL DA POESIA 7 - Autopsicografia - Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa)

Dia Mundial da Poesia

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 

 

Bernardo Soares (heterónimo de Fernando Pessoa)  Autopsicografia

 

 

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.


E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.


E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração

 

 



publicado por Augusta Clara às 22:00
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Os Senhores Singulares - (O romance da revelação do Brasil) - 1 - por Sílvio Castro

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Meu caro irmão, já lá terão chegado as saudades e cõ estarem tão distantes, as tenho ben presentes."

 

(in Carta inédita de Catarina, rainha de Inglaterra, ao seu irmão Pedro II de Portugal)

 

 

Levei muito tempo para compreender o que Coaracy me dizia. Vossa Senhoria não sabe quanto tempo levei para compreender as coisas deste mundo novo. Vossa Senhoria pode sorrir, mas foi assim. Hoje ao vos contar começo a saber realmente.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se Vossa Senhoria quiser pode conhecer muitas e variadas estórias, pois eu vivi mais nestes tres anos desde quando me deixaram nestas terras, do que nos vinte e dois de minha vida d'antes. Meu nome.  Afonso Ribeiro, e fui pajem do nobre Sebastião Telo,  mas a desventura quis que eu tudo perdesse e me encontrasse aqui neste mundo de coisas e de gentes desconhecidas. 

  

Vejo que Vossa Senhoria é curioso por tudo de novo que vê. Isto eu logo percebi quando chegou a vossa caravela, junto a uma outra menor, com a cruz de Malta que me fez sonhar logo que a avistei no horizonte. Me parecia que fossem algumas das naves do meu senhor Pedro Álvares Cabral de volta das Índias, mas logo acertei pelo engano porque as velas eram outras e os homens. Mas não me importei. Estava feliz da mesma maneira por ver aquelas velas como se fossem barcos do meu Tejo que eu pensava perdidos para sempre.

 

Tenho muito para vos contar e conto de relembrar tudo, porque são muitas as coisas que se escondem nesse tempo em que eu fui degredado e convidado, invasor e amigo amado, estrangeiro e companheiro, condenado e senhor de maravilhas. Foi um tempo de medos. Vossa Senhoria, que é muito inteligente e conhece muitos mundos, navegações, logo percebeu que vivi muitas coisas. Vivi muitos medos, não sei mesmo quais e quantos.

 

Quando naquela manhã clara de um dos primeiros dias de três maios passados eu estava sozinho na praia e as onze naves do meu Almirante partindo baixavam na direção do sul, levando toda a gente, eu senti um grande tremor. Os barcos se perdiam ao longe e eu estava ali parado naquelas areias brancas e tudo se fazia branco nos meus olhos, o horizonte, a terra. Se pudesse eu teria chorado. Eu queria chorar. Mas não podia. Meus olhos secos e espantados me fechavam dentro de mim e eu não sentia mais nada. Somente o medo. Não sei quanto tempo estive ali na praia, parado, sem ver mais nada. Foi quando senti as mãos de Coaracy sobre os meus ombros. 

 

(continua)



publicado por João Machado às 21:00
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DIA MUNDIAL DA POESIA 6 - Poesia persa - Omar Khayyam

Dia Mundial da Poesia

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 

 

Omar Khayyam  Poesia persa

(selecção e notas intercalares explicativas de Carlos Loures)

 

 

Vinho! O meu coração enfermo quer este remédio!

Vinho de perfume almiscarado! Vinho cor de rosas!

Vinho, para extinguir o incêndio da minha tristeza!

Vinho e o teu alaúde de cordas de seda, ó minha bem-amada!

 

Foi Omar Khayyam quem disse. E também disse estas palavras que, hoje, lhe podiam valer uma fatwa:

Alcorão, o livro supremo, pode ser lido às vezes,

mas ninguém se deleita sempre em suas páginas.

No copo de vinho está gravado um texto de adorável

sabedoria que a boca lê, a cada vez com mais delícia.

 

E disse ainda:

 

Eu estava com sono e a Sabedoria me disse:

A rosa da felicidade não se abre para quem dorme;

por quê te entregares a esse irmão da morte?

Bebe vinho; tens tantos séculos para dormir



publicado por Augusta Clara às 20:00
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A Poesia da Imagem - José Magalhães

 

 

 



publicado por atributosestrolabio às 19:00
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DIA MUNDIAL DA POESIA 5 - Odisseia - Homero

Dia Mundial da Poesia

 

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

Homero  Odisseia

 

 

Assim falou Euríloco; e os outros companheiros concordaram.

De imediato levaram dali de perto as melhores vacas do Sol,

pois não longe da nau de escura proa pastavam

as belas vacas de chifres recurvos e de ampla fronte.

Posicionaram-se em torno delas e rezaram aos deuses,

colhendo as tenras folhas de um alto carvalho, pois

branca cevada já não havia na nau bem construída.

Depois de terem rezado, degolado e esfolado,

cortaram as coxas e cobriram-nas com dupla camada

de gordura e sobre elas colocaram pedaços de carne crua.

Não tinham vinho para derramar sobre o sacrifício flamejante:

verteram água e assaram todas as vísceras no lume.

Queimadas as coxas, provaram as vísceras

e cortaram o resto, fazendo espetadas com os pedaços.

 

Foi então que dos meus olhos fugiu o sono suave,

e caminhei para a nau veloz, para a orla do mar.

Quando já estava bastante perto da nau recurva,

cercou-me o doce aroma a gordura quente.

Gemendo, assim gritei aos deuses imortais:

'Zeus pai, e vós outros deuses que sois para sempre!

Para minha ruína me adormecestes com sono desapiedado,

 ficando os companheiros a cometer um acto tremendo.'



publicado por Augusta Clara às 18:00
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A República nos livros de ontem nos livros de hoje - XXX, por José Brandão

Desfazendo Mentiras e Calúnias

 

 

 

 

Carlos Ferrão

 

Editorial O Século, 1967

 

Neste livro se reuniram elementos e documentos para esclarecer os portugueses do nosso tempo sobre um aspecto relevante da política nacional. O partido republicano, que preparou a implantação da República e justificou a urgente necessidade dela, e o regime cujo advento foi precedido pela sua campanha de dignificação cívica e valorização do povo, nunca deixaram de ser objecto de ataques servidos por métodos que é preciso conhecer para compreender muitos acontecimentos que, de outra forma, ficariam envoltos no véu de um denso mistério. Na vigência da monarquia avultou a luta dos republicanos para verem respeitadas os direitos consignados na Constituição e na lei, entre as quais o da sua condigna presença nos órgãos de representação nacional. Sistematicamente perseguidos, durante largos anos, a repressão tornou-se, por fim, sistema corrente, usado pelos adversários, detentores do poder…



publicado por João Machado às 17:00
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DIA MUNDIAL DA POESIA 4 - Além da Terra, Além do Céu - Carlos Drummond de Andrade -

Dia Mundial da Poesia

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 



 



 




Carlos Drummond de Andrade  ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU

 

 

Além da terra, além do céu
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastros dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fudamental essencial
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar
o verbo pluriamar,
razão de ser e viver.

 

 



publicado por Augusta Clara às 16:00
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PEC XXII - Janeiro 2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por João Machado às 15:00
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DIA MUNDIAL DA POESIA 3 - A rose by any other name would smell as sweet (Romeo and Juliet) - William Shakespeare

Dia Mundial da Poesia

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 

 

 

William Shakespear  A rose by any other name would smell as sweet

(Romeo and Juliet )

 

Juliet:

'Tis but thy name that is my enemy;
Thou art thyself, though not a Montague.
What's Montague? it is nor hand, nor foot,
Nor arm, nor face, nor any other part
Belonging to a man. O, be some other name!

What's in a name? that which we call a rose
By any other name would smell as sweet;
So Romeo would, were he not Romeo call'd,
Retain that dear perfection which he owes

Without that title. Romeo, doff thy name,
And for that name which is no part of thee
Take all myself 

 

 



publicado por Augusta Clara às 14:00
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O triunfo dos derrotados – por Carlos Loures

 

Lendo o discurso que, no passado dia 15 de Março, o presidente da República pronunciou na cerimónia de homenagem aos combatentes por ocasião da passagem do 50º aniversário da Guerra Colonial, acto realizado no Forte do bom Sucesso, e passando por alto o estilo cinzento, não pude deixar de notar que sempre se referiu ao conflito como «guerra do Ultramar» e que deixou um conselho para a «geração à rasca»: Importa que os jovens deste tempo se empenhem em missões e causas essenciais ao futuro do País com a mesma coragem, o mesmo desprendimento e a mesma determinação com que os jovens de há 50 anos assumiram a sua participação na guerra do Ultramar».

 

E pensei como é incómodo, após uma revolução em que teoricamente banimos o Estado Corporativo, o fantasma do salazarismo nos surja pela boca do mais alto magistrado da República. Mas , pensando bem, nada tem de estranho – a genealogia do P.S.D. passa pela União Nacional e pela Acção Nacional Popular – Os fundadores, Sá Carneiro, Magalhães Mota e Pinto Balsemão, Miller Guerra, Mota Amaral, eram homens do regime salazarista – queriam modernizar o Estado Novo, reformá-lo a partir do interior, adequá-lo á nova realidade europeia onde os autoritarismos davam mau aspecto.

 

 A designação que o partido que continuou a UN/ANP após o 25 de Abril, adoptou era aceitável – Partido Popular Democrático, pois “popular” e “democrático” são adjectivos tão usados da extrema-direita à extrema-esquerda que perderam todo o sentido, Aquela com que foi rebaptizada - Partido Social-Democrata só pode nascer de duas coisas – ignorância ou má-fé (desejo deliberado de enganar) – e não acredito que tenha sido por ignorância.

 

Sabe-se que a social democracia, definida em poucas palavras, é a ideologia marxista que propugna a transição do capitalismo para o socialismo através de uma evolução gradual do sistema, por oposição aos que defendem a imprescindibilidade de uma revolução para que tal transformação se produza. A Internacional Socialista elegeu a social-democracia como forma ideal de atingir a sociedade socialista, privilegiando a acção política em detrimento da tese do marxismo ortodoxo que confiava em que a degradação do capitalismo conduziria à Revolução Socialista, liderada pelo proletariado.

 

Em suma, teoricamente, o Partido Socialista é social-democrata. De facto, no PS há ainda uma elite de defensores da social-democracia. Porém, como sabemos, o partido está dominado por uma clique sem ideologia que usa a palavra socialismo de forma litúrgica, vazia de qualquer sentido verdadeiramente social-democrata. A última coisa que essa gente quer, seja através de Marx ou Lenine, ou do «revisionismo burguês» de Bernstein e Kautsky, é o advento do socialismo. Mas considerar que gente vinda do salazarismo pode ser designada por social-democrata é para rir (ou para chorar).

 

Ter um presidente da República Portuguesa como Aníbal Cavaco Silva, que nem sequer esconde a matriz ultra-conservadora do seu pensamento é uma consequência da promiscuidade que reina na classe política. Podendo acontecer que em próximas eleições legislativas, antecipadas ou não, este partido que vem na sequência da União Nacional e da Acção Nacional Popular, forme governo.

 

Salazar e Caetano podiam perfeitamente ter concedido a «democracia» ao povo português. Podiam perder algumas eleições, mas acabariam por chegar ao poder. Uma parte relevante das oposições não queria igualdade, justiça social, abolição de privilégios e tudo o que caracteriza uma sociedade socialista. Apenas queriam o direito de livre expressão. Sem polícia política, sem organizações patrioteiras, sem o mau aspecto que tudo isso dá, aí os temos espalhados pelo leque partidário.

 

Mais uma vez, alguma coisa mudou para que tudo ficasse na mesma.

 

 

 

 

 



publicado por Carlos Loures às 13:00
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DIA MUNDIAL DA POESIA 2 - Puedo Escribir Los Versos Más Tristes Esta Noche - Pablo Neruda

Dia Mundial da Poesia

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 

 

 

Pablo Neruda  Puedo Escribir Los Versos Más Tristes Esta Noche


 

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos."

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.



publicado por Augusta Clara às 12:00
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DIA MUNDIAL DA POESIA 1 - Art Poétique - Paul Verlaine

Dia Mundial da Poesia

 

(ilustração de Adão Cruz) 

 

 

Paul Verlaine  Art Poétique 

 

 

De la musique avant toute chose,
Et pour cela préfère l'Impair
Plus vague et plus soluble dans l'air,
Sans rien en lui qui pèse ou qui pose.

Il faut aussi que tu n'ailles point
Choisir tes mots sans quelque méprise:
Rien de plus cher que la chanson grise
Où l'Indécis au Précis se joint.

C'est des beaux yeux derrière des voiles,
C'est le grand jour tremblant de midi,
C'est, par un ciel d'automne attiédi,
Le bleu fouillis des claires étoiles!

Car nous voulons la Nuance encor,
Pas la Couleur, rien que la nuance!
Oh! la nuance seule fiance
Le rêve au rêve et la flûte au cor!

Fuis du plus loin la Pointe assassine,
L'Esprit cruel et le Rire impur,
Qui font pleurer les yeux de l'Azur,
Et tout cet ail de basse cuisine!

Prends l'éloquence et tords-lui son cou!
Tu feras bien, en train d'énergie,
De rendre un peu la Rime assagie.
Si l'on n'y veille, elle ira jusqu'où?

O qui dira les torts de la Rime?
Quel enfant sourd ou quel nègre fou
Nous a forgé ce bijou d'un sou
Qui sonne creux et faux sous la lime?

De la musique encore et toujours!
Que ton vers soit la chose envolée
Qu'on sent qui fuit d'une âme en allée
Vers d'autres cieux à d'autres amours.

Que ton vers soit la bonne aventure
Eparse au vent crispé du matin
Qui va fleurant la menthe et le thym...
Et tout le reste est littérature.



 



publicado por Augusta Clara às 10:00
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Ciclo sobre a guerra colonial organizado pela APE

 

 

 

 

 

A GUERRA COLONIAL

 – PRESENÇAS E REGRESSOS –

 

COORDENAÇÃO DE LUÍS MACHADO

                                            

 

 

 

 

 

 

Dia 29 de Março

GEOGRAFIAS DA GUERRA

(Restaurante Respublica - Associação 25 de Abril) – 19H30

Fernando Rosas, José-Augusto França, Martins Guerreiro, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Lourenço

 

Dia 19 de Abril

A LITERATURA PORTUGUESA DA GUERRA COLONIAL

(Restaurante Via Graça) – 19H30

Carlos Vale Ferraz, João de Melo, José Correia Tavares, Luís Rosa, Manuel Alegre e Vergílio Alberto Vieira

 

 

Dia 24 de Maio

CANTAR A RESISTÊNCIA E ESCREVER A LIBERDADE

(Café Martinho da Arcada) – 19H30

Francisco Fanhais, José Manuel de Vasconcelos, José Mário Branco, Manuel Freire, Maria Manuela Cruzeiro, Mário Vieira de Carvalho, Michel, Ruben de Carvalho e Vitorino

 

                                

 

 

Moderadores: José Manuel Mendes, José Manuel de Vasconcelos e Luís Machado

 

 

 

ORGANIZAÇÃO: ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE ESCRITORES

 

 

 

 

APOIOS: ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL, FUNDAÇÃO PORTUGAL-AFRICA E ANTENA1

 

 

 

 

 



publicado por João Machado às 09:00
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DIA MUNDIAL DA POESIA - Sonetos - Luís de Camões

Dia Mundial da Poesia

 

(ilustração de Adão Cruz)

 

 

 

 Luís de Camões  Sonetos

 

 

 

Transforma-se o amador na cousa amada,

Por virtude do muito imaginar;

Não tenho logo mais que desejar,

Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada.

Que mais deseja o corpo de alcançar?

Em si somente pode descansar,

Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,

Que, como o acidente em seu sujeito,

Assim co’a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;

E o vivo e puro amor de que sou feito,

Como a matéria simples busca a forma.

 

 

 

 



publicado por Augusta Clara às 08:00
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Os jornais e as notícias que fazem o seu dia - 21/3/2011 por Luis Moreira

Clicando nos links acede às rádios e jornais. Toda a imprensa de referência ao seu pequeno almoço, só ainda não lhe servimos o café mas estamos a pensar nisso...

 

 

Rádio on line, ouça boa música e leia as notícias que fazem a sua manhã.

 

Notícias Público -edição impressa.

 

DN - edição impressa

 

JN

 

Aljazeera live - em inglês

 

 A Marca - jornal de desporto

 

Jornais e revistas italianos - todos os jornais e revistas publicados em Itália. Escolha a seu prazer.

 

Financial Times - os negócios

 

Nouvelle Observateur - edição impressa

 

Le Monde

 

La Vanguardia,

 

El País

 

Corriere della Sera

 

New Yorker

 

Record

 

O Jogo

 

 



publicado por Luis Moreira às 07:00
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EDITORIAL
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Adriano Pacheco

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António Marques

António Mão de Ferro

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