Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 14
Carlos Leça da Veiga

A União Europeia é um autêntico logro político e económico para os portugueses, porém, um negócio notável para quem, na falta dos lucros oriundos das velhas colónias africanas, agora, entre nós, recebe o favor dos subsídios europeus e, traição verdadeira, sob os pretextos de obediência neoliberal às regras de mercado, não só tudo faz para impedir a produção nacional como, em simultâneo, incrementa a importação. Enfim, transformaram Portugal numa colónia. Viver-se-á melhor?

Contra toda a lógica, aliás bem evidente, da evolução duma economia mundial balanceada entre o retrocesso da dos ocidentais e a presença fortíssima, em crescendo, da dos emergentes – muito mais que emergentes – os dirigentes da política portuguesa, sem tino nem senso, pela necessidade de conseguirem apresentar algum serviço e, sobretudo, pela ânsia tradicional de copiar os estados europeus, de preferência os continentais e, por igual, satisfazer-lhes os interesses estratégicos, correram a aceitar-lhes uma aliança multilateral, a União Europeia, sabendo – deviam saber – que estavam a fazê-lo com estados que, como a História no-lo conta, sempre pretenderam prejudicar Portugal e que, nos últimos anos, como está à vista, até deixaram de ter interesse económico e político significativo por estarem em perda económica muito sensível e, pelo certo, irreparável. Estar-se-á a viver melhor?

Mais uma vez, na História de Portugal, os seus dirigentes, foram procurar, na aliança com os potentados do ocidente europeu, em retrocesso económico, as fontes do auxilio para, como imaginaram e imaginam – mas mal – conseguirem que a grandeza desses potentados, se o foi, ou se o é, extravasasse para Portugal. Procederam desse modo por causa não só das tradicionais mimética e submissão face a tudo quanto é feito na Europa – uma crença com séculos – mas, também, não pode ignorar-se, por força das manobras políticas dos interesses muito próprios dos possidentes nacionais e da sua aliança estreita com um lote influente de personalidades políticas portuguesas interessado na satisfação duma sua velha mas desastrosa perspectiva maçónica que a leva a imaginar-se, mais outra vez, como fundadora dum sonhado mas serôdio federalismo europeu. Viver-se-á melhor?

Nos anos oitenta do século transacto tornou-se evidente que as correntes político-partidárias com peso eleitoral, na impossibilidade, aliás confirmada, de saberem como ter e como obter o saber político suficiente para enfrentar as perspectivas estratégicas, por evento dolorosas, dum Portugal independente e, também, para conseguirem dar uma resposta populista às consideradas necessidades imediatas da população portuguesa, a troco dum prato de lentilhas, foram buscar protecção fora de portas, entre os potentados continentais europeus, dispensando-se de acautelar o futuro nacional. Em compensação, o futuro dos seus interesses pessoais, esse, passaria – passou – a estar bem encaminhado e melhor resolvido! Viver-se-á melhor?

De novo, na História nacional e numa repetição lastimável, as classes sociais dominantes a troco da protecção dos seus interesses próprios – anunciados como sendo os nacionais – aceitaram vender às potências europeias, sem quaisquer escrúpulos, a particular e importante posição estratégica portuguesa designadamente a que deriva tanto da sua magnifica fachada atlântica como, por igual, da sua imensa área marítima submarina. Mais outra vez na História nacional, as classes sociais dominantes, sem mostrarem qualquer sentimento de culpa, não hesitaram em ter tornado os dez milhões de portugueses em meros compradores líquidos da produção agrícola, comercial e industrial europeia, sobretudo daquela continental e, para tanto e tal, aceitaram as condições ditatoriais impostas pela União Europeia. Com efeito, esta UE, para assegurar-se duma legião de portugueses tornados importadores obrigados das suas produções, determinou levar à liquidação a generalidade das actividades produtivas nacionais, estatais e privadas para, desta maneira, tudo passar a ter de ser comprado por essa Europa fora. Nestas condições lamentáveis, poder-se-á dizer que está a viver-se-á melhor?

Os possidentes nacionais e os seus caudatários de serviço, na repetição dum passado triste, já desejado como morto, ao invés da defesa dos interesses nacionais mas, tão-somente, para salvaguarda das suas vantagens muito próprias, foram entregar-se nos braços dos potentados europeus que, de Portugal, ontem como hoje – isso nunca deveria esquecer-se – sempre pretenderam tirar vantagens sem nada respeitar. Esses farroupilhas nacionais acreditaram, contra toda a evidência da evolução mundial, que o padrão de vida em curso no centro da Europa e no norte do Continente americano era imutável e, como assim, haveriam de beneficiar com as esmolas suficientes para garantir-lhes uma situação socioeconómica estável e tranquila. Estar-se-á a viver melhor?

Como Portugal tinha deixado de ter colónias e de fazê-lo sem deixar vestígios de neocolonialismo, logo desprovido das tradicionais fontes de rendimento – que, essas, não eram poucas – então, segundo a bestialidade dos próceres nacionais, era preciso ligarem-se a quem lhas facultasse mesmo que à custa do delito de empenhorar a Soberania Nacional portuguesa. Quiseram ombrear com um padrão de crescimento alienígena esquecendo-se – ignorando – que o salto em frente era demasiado grande face ao passado histórico da evolução tradicional portuguesa – cada qual tem a sua História – e que os Países cuja cópia desejaram fazer já estavam, de sobremaneira, em decadência franca tal como, nos últimos anos, acabou por tornar-se completamente patente. Viver-se-á melhor?

Para além de toda a encenação que os Governos sucessivos têm apresentado como sendo a dum desenvolvimento acertado – mais outra das muitas falsidades anunciadas – também está montada a versão sempre repetida (para, deste modo, conseguir ganhar foros de veracidade e a população ser levada a acreditar) que, hoje em dia, em Portugal, fruto da sua inclusão na União Europeia ou, na versão trocista do saudoso Eng.º Cunha Leal “graças à sábia governação que felizmente nos rege” está a viver-se melhor. Como será possível? Nem por milagre.

Onde já vão os benefícios alcançados nos anos seguintes ao 25 de Abril?

Viver-se-á melhor?

Com mais de seiscentos mil desempregados, poder-se-á pensar assim?

Quantos milhares, dentro de um a dois anos vão ficar sem qualquer subsídio de desemprego?

Pensem-se nos mais de oitenta mil portugueses que, em 2009, já nem tentavam procurar qualquer emprego e, como é sabido, a procissão, ainda, vai no adro. Quantos serão em 2010, 2011 e assim, sucessivamente?

Que recuperação económica conseguirá sobrevir para conseguir absorver tantos milhares de desempregados?

Como é possível que com tantos economistas, não tenha sido antevista a evolução do capitalismo – um apátrida – cuja missão, na sua essência verdadeira, digam o que disserem, é reduzida, apenas, a extorquir mais valias e, caso necessário, sem olhar às vítimas provocadas.

A União Europeia, mau grado o avolumar constante duma crise económica – uma inevitabilidade do sistema capitalista, para mais evoluído do nível financeiro para o mafioso – prosseguiu, anos a fio, no erro de não atacar o sistema económico da troca, nem tão pouco, ao menos, de querer regulamentá-lo. Então o que tem feito? Tem insistido em exaltar-lhe o seu sentido neoliberal, em esforçar-se, sem sucesso, por querer salvar-lhe a sua inexistente face humanista e, imagine-se, última decisão, a apresentar-se a protegê-lo à custa das receitas do orçamento estatal pago, obviamente, com o dinheiro dos contribuintes. Afinal, o mesmo estado cuja intervenção, por sistema, é considerada intempestiva, nociva e pecaminosa para o curso livre das leis do mercado e das liberdades individuais é quem, por fim, acaba por ter de socorrer a banca mafiosa ante uma morte anunciada, porém, hipocrisia das hipocrisias, tudo explicado à população como tendo sido uma deliberação pensada em favor do interesse nacional para quem, como dizem, a manutenção indemne das virtudes sacrossantas do mercado e da banca – mafiosa que seja – é entendida como uma necessidade básica, sine qua non.

O que mais interessa aos possidentes – e para isso têm uma comunicação social bem dominada e domesticada – é que a população não vá passar a concluir que razão tinham os que, desde sempre, foram adversários da chamada economia de mercado quando entregue, por inteiro, na mãos do capital privado, para mais, desde há uns bons anos – nunca é demais repetir – tornado mafioso.

Poder-se-á concluir que, de verdade, em Portugal, está a viver-se melhor? Que a maioria dos portugueses está a viver melhor?

Como será possível tirar-se essa conclusão – os socratinos fazem-no – mesmo quando há uma abundância de circunstâncias da vida nacional portuguesa em franco retrocesso e descaracterização. As aparências sociais em exibição constante – mais mundanas que sociais – não são, de facto, a realidade nacional.

Por ser um factor do retrocesso social provocado pelas exigências economicistas de Bruxelas importa verberar-se a continuada, premeditada e insofismável decadência do sistema público de educação para, na linha do neoliberalismo, o de fora e o de dentro, ter de reduzir-se a despesa pública e ao mesmo tempo, facilitarem-se lucros ao negócio dos privados, isto para não falar na intencionalidade criminosa da descapitalização educativa da população portuguesa, de tal modo – esse é o grande objectivo das centrais da desinformação – passo a passo, possa caminhar-se para a manutenção conveniente dum grau satisfatório de ignorância – o que já é uma realidade – e, a seu par, provoque-se nos mais jovens uma indiferença política com monta bastante para conduzir a população utilizadora do sistema público do ensino, à perda sucessiva de quaisquer sentidos crítico e cívico. Com os resultados escolares que o país vai conhecendo e os socratinos desmentindo, poder-se-á concluir que está a viver-se melhor?

Importa, também, não deixar de denunciar-se a falência marcada duma política cultural pública susceptível de facultar, como é imprescindível, uma complementaridade dinâmica ao sistema educativo e, também, por seu turno, tornada instrumento capaz de ajudar a combater a onda avassaladora e, sempre em curso, da alienação político-social. Nestas circunstâncias tão desfavoráveis poder-se-á concluir-se que está a viver-se melhor?

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 21:00
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Os americanos são estúpidos?
Carlos Loures


No dia 31 de Maio de 1819, nasceu Walt Whitman, o poeta que cantou a América do Norte com a emoção e o génio lírico com que outro grande poeta, Pablo Neruda, no século seguinte, cantaria a América Latina. E também cantaria Walt Whitman - YO no recuerdo \a qué edad, \ni dónde, \si en el gran Sur mojado \o en la costa \temible, bajo el breve \grito de las gaviotas, \toqué una mano y era \la mano de Walt Whitman:\pisé la tierra \con los pies desnudos, \anduve sobre el pasto, \sobre el firme rocío \de Walt Whitman.

Não vou perder tempo e gastar espaço com pormenores biográficos que podeis encontrar com abundância. Vou ocupar o meu tempo, o vosso tempo, e o espaço do blogue a transcrever os primeiros versos de uma extensa Saudação a Walt Whitman, de Álvaro de Campos, porque um génio merece ser saudado por outro génio:

Portugal Infinito, onze de junho de mil novecentos e quinze...
Hé-lá-á-á-á-á-á-á!
De aqui de Portugal, todas as épocas no meu cérebro,
Saúdo-te, Walt, saúdo-te, meu irmão em Universo,
Eu, de monóculo e casaco exageradamente cintado,
Não sou indigno de ti, bem o sabes, Walt,
Não sou indigno de ti, basta saudar-te para o não ser...
Eu tão contíguo à inércia, tão facilmente cheio de tédio,
Sou dos teus, tu bem sabes, e compreendo-te e amo-te,
E embora te não conhecesse, nascido pelo ano em que morrias,
Sei que me amaste também, que me conheceste, e estou contente.
Sei que me conheceste, que me contemplaste e me explicaste,
Sei que é isso que eu sou, quer em Brooklyn Ferry dez anos antes de eu nascer,
Quer pela Rua do Ouro acima pensando em tudo que não é a Rua do Ouro,
E conforme tu sentiste tudo, sinto tudo, e cá estamos de mãos dadas,
De mãos dadas, Walt, de mãos dadas, dançando o universo na alma.

No dia 31 de Maio de 1930, nasceu outro norte-americano, felizmente ainda vivo e que completa hoje 80 anos – Clint Eastwood. Actor, realizador, produtor, destacou-se nos western spaghetti, de Sergio Leone e no papel do inspector Harry Callahan, em diversos filmes de uma famosa série de acção. Mas creio que não é pelo que fez nos anos 60 a 80 que merece ser saudado. Muito menos pelas suas posições políticas como membro do partido republicano.



Clint Eastwood, quando começou a ficar velho para os papéis de «macho» e para o tipo de filmes que o tornaram famoso, desenvolveu uma série de insuspeitadas aptidões. Como actor, atenuada a agressividade dos seus papéis de juventude e meia-idade, vieram à superfície recursos histriónicos que pareciam não existir. Como realizador (embora dirigisse filmes desde há duas ou três décadas) passou a abordar temas menos superficiais e menos voltados para os imperativos do mercado: lembremo-nos apenas de A Troca (Changeling), 2008, Cartas de Iwo Jima (Letters From Iwo Jima) 2006, e Menina de Ouro (Million Dollar Baby), 2004.

Mais dois norte-americanos que desmentem a generalização em que caímos quando dizemos que «os americanos são uns estúpidos». Tenho ouvido dizer isto de muitas maneiras. Eu já o disse algumas vezes e pensei-o muitas mais. No entanto, em todos os dias do ano nascem pessoas ímpares nos Estados Unidos e todos os dias se podem comemorar nascimentos de norte-americanos excepcionais.

Moral da história: as generalizações é que são estúpidas.


publicado por Carlos Loures às 18:00
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A República nos livros de ontem e nos livros de hoje
José Brandão


Apresentação

Conforme o título indica, este trabalho tem uma linha de força que acompanha todo o desenrolar da exposição que decorre página após página. Composta por mais de duas centenas de publicações que de algum modo têm a ver com a I República e alguns dos seus mais destacados protagonistas, esta compilação bibliográfica proporciona uma amostragem significativa das obras que reflectem o quotidiano da sociedade portuguesa nesse tempo que vai de 1910 a 1926.

Expondo antigas e novas obras que falam desse período historicamente rico e intenso o presente trabalho revela também alguns dos usos e dos costumes da vida nas cidades num critério de selecção e organização que abarca os mais variados aspectos do viver português. Da vida citadina aos eventos nacionais, a I República é aqui enunciada através dos muitos títulos expostos, todos eles publicados em língua lusa e em alguns com um século de existência.

A identificação é composta pelo o título, o autor, o editor e o ano de publicação. A apresentação é sempre alguma parte de texto extraído da introdução, ou do prefácio, ou mesmo do corpo principal da obra apresentada.

Trata-se de um trabalho com características e objectivos que aliam a simplicidade da exposição à utilidade do conhecimento numa consonância sempre presente ao longo das suas páginas.

Pretendeu-se, como objectivo principal, criar uma pequena ferramenta de consulta e de trabalho que pudesse facilitar a abordagem necessária.

Sabemos que ficaram de fora algumas obras de importância elementar para o tema proposto. Mas pensamos também que nenhum outro trabalho semelhante foi tão longe quanto este.


Começaremos amanhã a publicar esta informação sobre os livros que, de algum modo, ajudam a compreender a História da I República. Em cada dia, e até 5 de Outubro, abordaremos uma ou duas obras. Tanto quanto sabemos, este trabalho de José Brandão, constitui uma informção bibliográfica de uma ímpar extensão e abrangência. Amanhã, A República nos livros de ontem e nos livros de hoje, de José Brandão.


publicado por Carlos Loures às 16:30
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Mis Camelias - notas de pié de página 39-58
[39] La historia se puede leer en:
http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+General+Ra%C3%BAl+Gonz%C3%A1lez+Nolle&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=
y en la pagina denominada: Chile, la Prusia de América del Sur, en: http://www.espacioblog.com/dolar/post/2007/05/03/la-prusia-america-del-sur,
también en:
www.espacioblog.com/dolar/post/2007/05/03/la-prusia-america-del-sur


[40] Para saber de la Fuerza Aérea de Chile, el lector puede visitar la página web: http://ivansiminic.blogspot.com/

[41] Para saber de la vida como oficial de la Fuerza Aérea, es posible leer la información de la página en línea El Mostrador de la Cultura, que abre diciendo: en el Archivo Militar Alemán se conserva un registro, muy probablemente elaborado por el servicio de espionaje militar (Abwehr), con datos políticos de las personalidades de ciudadanos chilenos preeminentes en la vida militar y política del país. 53 Contiene 138 fichas y de ellas, 51 corresponden a oficiales en servicio activo del ejército, la marina y la aviación. No se registra ningún oficial del Cuerpo de Carabineros ni de la policía política. El resto corresponde a políticos civiles pero, si bien constituyen la mayoría, la mayor parte de las fichas con comentarios más diferenciados corresponden a miembros de las fuerzas armadas. Todas las fichas se refieren a las actividades profesionales de los registrados, ninguna alude a datos íntimos o personales. La lista parece haberse ido completando con el transcurso del tiempo, probablemente a partir de 1941. El texto es intitulado: El espionaje militar alemán y el Registro de las personalidades importantes de la vida militar y política de Chile (1941-1944. (La «lista negra» alemana de oficiales chilenos pro-Aliados) y entre los oficiales, dice: González Nolle, Raúl T. Comandante de Escuadrilla, Jefe de la Misión de la Fuerza Aérea en EE.UU. Retirado de la misma fuente citada en esta nota, pero de otra página web:
 http://www.elmostrador.cl/c_cultura/farias4.htm


[42] La historia toda, puede ser leída en: http://www.fach.cl/discurso/discurso21marzo2005.pdf

[43] Higinio González Nolle, a quien asistí en su lecho de muerte en 1972, en Santiago de Chile. Referido en:
 http://archivo.minrel.cl/webrree.nsf/c749313697e2237b04256ae100056098/6ca5f2de76a81ade042573d80
05a3624?OpenDocumen y en el sitio:
 http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+Higinio+Gonz%C3%
A1lez+Nolle&btnG=Pesquisar&meta=
, con varias entradas

[44] M’hijo, es un adjetivo en el Castellano chileno, usado mucho por la burguesía y por la, ya escasa, aristocracia chilena. La alta burguesía había tomado su lugar, desde la Presidencia en Chile de Arturo Alessandri Palma, que de Abogado sin recursos e hijo de inmigrantes italianos, primera generación en Chile, había pasado a ser un hombre rico y respetado, como narro, largamente, en otro libro mío sobre mi país de origen. Pasó de la "chusma", como el llamaba al pueblo, a la alta burguesía del país. Hay una referencia que no puedo dejar de decir sobre este Presidente: Arturo Alessandri era un fervoroso y apasionado orador que seducía a las masas con sus encendidos discursos llamándolas "mi querida chusma" y hablándoles "con la mano en el corazón". Chusma está definida por el Abate Molina, el Padre Jesuita de la antigua villa, hoy ciudad, de Villa Alegre, que de Sacerdote, pasó a Biólogo, Historiador, Paleontólogo e Semiólogo. Según el abate Juan Ignacio Molina, la palabra usada por Alessandri proviene de tris o chi, palabra de origen mapuche con la que establecía una diferencia, Alessandri, entre la elite y la "querida chusma" (como él llamaba al pueblo) Molina no se refiere a Alessandri, hay dos siglos de diferencia entre ellos, pero los estudios de Molina me ayudan a explicar la palabra de Arturo Alessandri, esa de chusma. En uno de sus diccionarios se encuentra definida la palabra chusma, retirado el concepto de:

http://es.wikipedia.org/wiki/Abate_Molina
.

Su biografía refiere que: sus "Analogías" no fueron publicadas por mucho tiempo, conservándose en Italia solamente el original en castellano. Se puede argumentar que esto privó a Darwin -quien cita a Molina numerosas veces- y a sus partidarios de poderosos antecedentes y argumentos y le costó a Molina mismo la posibilidad de ser conocido como uno de los precursores de la teoría de evolución. Molina nació en la hermosa Villa de Vista Alegre, Región del Maule que yo estudio en la actualidad, Villa que queda entre Talca y Linares, el denominado riñón de la aristocracia chilena. Mi uso de los textos de Juan Ignacio Molina (Comuna de Villa Alegre, Provincia de Linares, Región del Maule, Chile, 24 de junio 1740 - Imola, provincia de Bolonia, Italia, 12 de septiembre 1829), fue sacerdote, naturalista y cronista chileno, también conocido como Abate Molina.) Son apenas para entender palabras y formas de hablar entre los Picunche que investigo en la Región del Maule. La referencia del Abate Molina está en:

 http://es.wikipedia.org/wiki/Abate_Molina


[45] Agarrar Papa, es una forma vulgar de expresar ideas, que significa interesarse en, o también, no ligar, no estar de acuerdo o, mejor, no adherir. Es denominada una forma vulgar de hablar el Castellano, normalmente usado por el pueblo o la "chusma" y por los que se consideran elegantes entra la Alta Burguesía del País: en Chile, en cuanto más mal se hable, más elegante es, especialmente si es mal pronunciado: ¡"Chi, ese ni agarra papa!... En inglés es denominado Slang, en portugués, calão o giria, conceptos usados por especialistas, o grupo de amigos que entre ellos se entiende, o formas de hablar en la calle. Definiciones retirada da m propia experiencia. En Chile, también se denomina forma de hablar coloquial, como sucede también en Argentina y otros países de América Latina. Sin embargo, hay un comentario retirado del net, que refiere que en Chile la forma vulgar de hablar es muy usada: El Castellano Chileno tiene una enrome cantidad de palabras y expresiones, usadas solo dentro del país, o en algunos de los países vecinos. Muchas de estas palabras tienen influencia del Quechua nativo, de las formas de hablar de los Inca, de la lengua Aimara, Norte de Chile, Sur de Bolivia, del Guaraní de la hoy en día Repúblicas de Uruguay y Paraguay, país éste en que el guaraní es el idioma, hablado por el 90% da población, o el Mapundungún Mapuche, que ha influido la lengua castellana que en el país se habla, especialmente la entonación y la forma de hablar. Hay palabras que los chilenos piensan que son del castellano, pensamiento equivocado. La lengua mapuche o mapudungun (< mapudungun mapudungun, «el hablar de la tierra»), es el idioma de los mapuches, un pueblo amerindio que habita en Chile y en Argentina. Tiene alrededor de 440.000 hablantes con diversos grados de competencia lingüística. Ha influido el léxico del español en su área de distribución y, a su vez, el suyo ha incorporado palabras del español y del quechua. No ha sido clasificada satisfactoriamente y por el momento se la considera una lengua aislada. Fuente: Zúñiga, Fernando (2006). «Los mapuches y su lengua.», Mapudungun. El habla mapuche.. Santiago: Centro de Estudios Públicos. Mi traducción. El texto original es: Chilean Spanish has a multitude words and expressions that are only used inside the country, or only a few of the neighboring countries. Many go back to the influence of the Quechua and Mapudungun languages spoken by the native population of the area. Agrega una lista de formas de hablar en la denominada lengua vulgar o de roto. Está referido en:
http://www.contactchile.cl/en/chile-chilean-slang.php.
Las palabras compuestas son frecuentes en mapudungun, como küdaw 'trabajo', küdaw.fe 'trabajador', küdaw.we 'lugar de trabajo'.

Del mapudungun han pasado al español palabras como "poncho" (pontro) y gran cantidad de nombres de plantas de la región habitada por los mapuches, como lentejas, lentilha en portugués, vegetal de importación e raramente consumida en Portugal, porotos o feijão, porotos verdes o feijão verde, quiltro, originalmente kiltro, cão en portugués, arvejas ou ervilhas en luso portugués, moler o chanco em mapudungunm de dónde deriva la expresión es chancaca o es muy fácil, o no da miedo. Es común entre estudiantes decir: el examen fue chancaca. También deriva de la expresión el queso chanco, fabricado en la Villa de Chanco, comuna de Pencahue, provincia de Talca, en dónde yo estudio el pensamiento del clan mapuche, los Picunche, cuya lengua tuve que aprender, tierra del antiguo dictador de Chile, en dónde aún viven sus parientes pobres y rurales. La pronunciación es otra forma de influir el Castellano, es como si no hubiera consonantes, apenas vocales. Otras expresiones, habladas al final de una frase, son también expresiones mapuches, como pú, que substituye al pues castellano: si, pú…

[46] Retirado del sitio net: http://www.consumer.es/web/es/solidaridad/proyectos_y_campanas/2008/02/27/174886.php

[47] Parenteless Children"s Association, refiere las variadas actividades de la asociación en: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Parentless+Children%
27s+Association&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , bien como el club de padres /madres sin pareja, denominado en inglés Single Parents Club, citado en todas las entradas del sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt- , especialmente en la página web: http://www.oneparentfamily.com/spc.html
o en la página web PT&q=Single+Parents+Association&btnG=Pesquisar&meta=
Es una pena no poder tener, en el machista idioma Castellano, una palabra que indique a hombres y mujeres en sólo un concepto, como acontece en otros idiomas.

[48] Mocos, son el residuo de la nariz que debe ser limpia para respirar. La palabra es derivada del Castellano Español, como están referido en el sitio de pesquisa net: http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_castelhana . La palabra es difícil de definir, si no sabemos el origen de la misma, como refiere la enciclopedia referida antes de esta frase. En portugués coloquial, son llamados macacos, en castellano coloquial, refiere: moco, Secreción viscosa de las membranas mucosas, en especial la que fluye por la nariz. En plural:

límpiate los mocos. Retirado de mi investigación en la Internet. Puede consultar:
 http://www.wordreference.com/definicion/moco.
 Y otras que he aprendido con los Picunche, nunca usada en nuestra española familia, como es chi! Usado al final de una frase o apenas en el aire, sin frase ninguna. Lo característico del castellano chileno es no pronunciar las letras s, lo que me hace difícil entender – más otra palabra mal hablada, porque debía ser comprender es forma de hablar, siendo entender oír – aula mah alto, que no tendiendo, donde debía ser habla más alto, que no te oigo, o una s muy suave, casi sibilante. Para saber más, puede acceder al sitio web:
http://es.wikipedia.org/wiki/Idioma_mapuche#L.C3.A9xico
.
 Alí sabrá que la palabra gato es pronunciada casi como hato o jato… y que todas las palabras con s mudan para la letra r e f , para un j fuerte y dura. Bien como se puede enterar que hay dos formas de hablar: la erudita o de clase media para arriba, y la popular, con una diferencia: la llamada clase media, que yo denomino pequeña burguesía, exagera el uso y pronunciación de las palabras, hasta el punto de incomodar a quién oye. Nada más agrego, por causa de saudade, bien porque nunca más acabaría…

[49] El artículo es del Congreso de Psiquiatras en Buenos Aires, en el año 2000, texto completo de la Revista de Neuro-Psiquiatría Chilena, Nº. 1, Vol. 39(1), páginas 82 y siguientes. Texto en línea, sitio net: http://www.scielo.cl/scielo.phppid=S0717-92272001000100022&script=sci_arttex


[50] Smith, Adam, 1776-7: An inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations, traducido como La Riqueza de las Naciones, editado, en inglés y por la primera vez en Londres, George Routledge and Sons, en mis manos, la 1ª edición texto completo en línea se puede leer todo el libro en: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Adam+Smith+Wealth+of+Nations&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=
o, en cuatro volúmenes, en: http://www.adamsmith.org/smith/won-intro.htm El comentario más evidente sobre el liberalismo y su definición aparece en la Enciclopedia net, Wikipédia, que dice: Las tesis del liberalismo Económico fueron organizadas en el siglo XVIII, con la intención decidida de luchar contra las teorías mercantilista, cuyas ideas no eran prácticas para el naciente capitalismo. Mi traducción. El texto original dice: las tesis del liberalismo económico fueron creadas en el Siglo XVIII, con la clara intención de combatir el mercantilismo. Su metodología no servía para las nuevas prácticas y necesidades del capitalismo. El presupuesto básico de la teoría liberal, era la emancipación de la economía de cualquier dogma externo a ella misma.

Los economistas de los finales del Siglo XVIII, eran contrarios a la intervención del Estado en la economía. El Estado debería apenas otorgar condiciones para que el mercado siguiera su curso de forma natural.

Uno de los principales pensadores de la época fue François Quesnay, quien, a pesar de ser médico en la corte de Luís XV, tomo contacto con las ideologías económicas. Su teoria afirmava que la verdadera actividad produtiva estava inserta en la na agricultura.

Para Vincent de Gournay las actividades comerciais e industriais deveriam usufruir de libertad para un mejor resultado de sus procesos produtivos, para alcançar assim uma acumulação de capitais.

O criador da teoria mais aceita na economia moderna, nesse sentido, foi sem dúvida Adam Smith, economista Escocês, que desenvolveu a teoria do liberalismo, apontando como as nações podían prosperar, teoria que confronto las ideas de Quesnay e Gournay, afirmando que la deseada prosperidad económica para la acumulación de riquezas no son concebidas por la actividade rural ni comercial, para Smith o elemento de generar riqueza está en el trabajo libre sin tener, logicamente, al Estado como regulador e interventor de la confección de la riqueza.

Otro punto fundamental es el hecho de que todos los agentes económicos son impulsados por el acto de que todos os agentes económicos são movidos por um impulso de crescimento e desenvolvimento económico, que podían ser entendido como uma ambição ou ganância individual, que en el contexto macro, impugnaria benefícios para toda la sociedad, uma vez que la suma de esos intereses particulares promoveria una evolução de riqueza generalizada. El comentario está escrito en lengua lusa brasileña, no son mis equivocaciones al escribir en portugués. El comentario puede ser leído todo en: http://pt.wikipedia.org/wiki/Liberalismo_econ%C3%B3mico


[51] Hay traducción en Castellano, referida así: Smith, Adam INVESTIGACIÓN DE LA NATURALEZA Y CAUSAS DE LA RIQUEZA DE LAS NACIONES,2 Vols. Barcelona España Bancaria 1933. En portugués por la Fundación Calouste Gulbenkian tres volúmenes, 1ª edición 1983, retirada de la 6ª versión en inglés de Methuen & Company, Londres, en 1959

[52] Marx, Karl: El Capital, puede ser leído en:
http://www.marxists.org/archive/marx/works/cw/index.htm
,

especialmente el Volumen 1 http://www.marxists.org/archive/marx/works/cw/volume35/index.htm,
1867.
 Volumen II, 1885, Volumen III, 1894, pueden ser leídos en: http://www.marxists.org/archive/marx/works/cw/index.htm


[53] Smith, Adam, 1776: An enquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations, London Routledge and Sons. En línea: texto completo, Libros 1 a 5, en: http://www.bibliomania.com/2/1/65/112/frameset.html


[54] Durhheim, Émile, 1893 : De la division du travail sociale, Félix Alkan, Paris, texto conmigo. Para quién no lo tenga, lo puede de leer entero y en francés, en: http://classiques.uqac.ca/classiques/Durkheim_emile/division_du_travail/division_travail.html..
El texto comienza por discutir la equivocación de Adam Smith, tal como había hecho Karl Marx en el primer volumen de los tres del texto El Capital: la riqueza proviene de la acumulación denominada primitiva, hecha por los trabajadores, para los propietarios de los bienes de producción y reproducción, ideas todas desarrolladas por mí en mi libro de 2007, O presente, essa grande mentira social, Afrontamento, Porto. Desarrolladas, a la muerte de Durkheim, por su socialista y comunista sobrino Marcel Mauss, en la Revista L’Année Sociologique, Segunda Serie, 1923-14: Essai sur le don .Forme et raison de l'échange dans les sociétés archaïques, texto completo en : http://classiques.uqac.ca/classiques/mauss_marcel/socio_et_anthropo/2_essai_sur_le_don/essai_sur_le_don
.html.


[55] Durkheim analiza la mutualidad en su texto sobre la división social del trabajo, que puede ser leído en: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=%C3%
89mile+Durkheim.+Definition+sur+mutualit%C3%A9&spell=1 Especialmente, es posible entender el interés de Durkheim sobre las Sociedades de Mutualidad, en las ideas que cito: Émile Durkheim (1858-1917), sociologue français, a montré que la solidarité pouvait prendre des formes différentes :

Solidarité fondée sur la similarité des individus dans les sociétés traditionnelles á forte conscience collective,

Solidarité liée aux interdépendances dans les sociétés modernes en raison de la division du travail et l'individualisme.

Le sociologue fait de la solidarité une attitude primitivement sociale et non le résultat de l'action morale individuelle.

Exemple d'organisations basées sur la valeur positive de solidarité :

les syndicats,

les organisations non gouvernementales (ONG),

les mutuelles d'assurance,

de nombreuses associations,

des partis politiques,

des institutions publiques.

Terme connexe : Coopération

Terme connexe : Coopérative

Terme connexe : Mutualisme

Terme connexe : Service public

Citations : Solidarité

Texto que no voy a organizar ni traducir, para no perder las ligaciones electrónicas que contiene.

[56] Lo que más interesa de Mauss, es la última parte de su texto, hecho libro por Claude Lévi - Strauss, su estudiante, en la Impresora Universitaria Francesa, PUF, en 1952, donde la última parte Mauss analiza: CHAPITRE IV Conclusion

I Conclusions de morale

Il Conclusions de sociologie économique et d'économie politique

III Conclusion de sociologie générale et de morale referido en :
http://classiques.uqac.ca/classiques/mauss_marcel/socio_et_anthropo/2_essai_sur_le_don/essai_sur_le_don_tdm.html



[57] Retirado de: http://vhonkhamy.blogspot.com/2007/02/milton-friedman-y-el-neoliberalismo.html

[58] El concepto de Neoliberalismo, está definido en:
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Neoliberalismo

, que define así: Neoliberalismo é um termo que foi usado em duas épocas diferentes com dois significados semelhantes, porém distintos:


publicado por Carlos Loures às 15:00
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'Não Contem com o Fim do Livro', - diz-nos Umberto Eco
Carlos Loures

Umberto Eco, o ensaísta e escritor italiano deu há dois meses atrás uma entrevista a um jornal brasileiro a propósito do lançamento de uma edição da sua nova obra Não contem com o fim do livro. O apego de Eco ao livro em papel – a sua biblioteca conta com cerca de 50 mil volumes – levaram-no a aceitar o desafio que, Jean-Claude Carrière lhe lançou – o de debaterem a perenidade do livro, com vista à publicação de… um livro Não Contem Com o Fim do Livro. ´(N'espérez pas vous débarrasser des livres).

De modo algum tenciono transcrever a entrevista que está disponível na Internet e foi publicada em numerosos jornais. Vou apenas salientar uma ou outra afirmação do escritor e semiólogo. Contestando a anunciada morte do livro afirmou que o desaparecimento desse suporte de escrita é uma obsessão de jornalistas que lhe fazem a pergunta há 15 anos. «Para mim, o livro é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objecto que, uma vez inventado, não muda. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os electrónicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos» (…) «quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler as antigas disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos?».


O jornalista pergunta-lhe que diferença existe entre os conteúdos disponíveis na net e o de uma grande biblioteca. Eco diz: «A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar - muito embora Jorge Luis Borges, no seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de seleccionar o que interessa - é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites fiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correcto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.»

E quando lhe pergunta se pode existir contracultura na internet, responde «Sim, com certeza, e ela pode-se manifestar tanto de forma revolucionária como conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio pelo qual é possível manifestar-se e reagir contra a censura política. Enquanto aqui as pessoas gastam horas conversando, na China é a única forma de se manter em contacto com o resto do mundo».

Num determinado trecho de Não Contem Com o Fim do Livro, Eco e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória - que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não atrofiar. «De facto, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a memória histórica. A minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso pormenorizar sobre o que se passava em Itália 20 anos antes do meu nascimento. Se se perguntar hoje a um aluno, ele certamente não saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento, pois basta clicar no computador para obter essa informação. Lembro-me de que, na escola, era obrigado a decorar dez versos por dia. Naquele tempo, achava uma inutilidade, mas hoje reconheço a sua importância. A cultura alfabética cedeu o lugar às fontes visuais, aos computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao mesmo tempo que aperfeiçoa uma habilidade, a evolução põe em risco outra, como a memória».

Continuaremos a falar deste tema - vai o livro sobreviver ou não? Eco diz-nos para não contarmos com a morte do livro. Acho que tem razão.


publicado por Carlos Loures às 12:00
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Social-Democracia . O que há de melhor?
Luís Moreira

O liberalismo que se afunda em desigualdades e que defende a "lei da selva" a lei do mais forte? Cada um por si? Ou o socialismo, aprisionado em Estados omnipresentes e omnipotentes, criadores de elites que se perpetuam no aparelho de Estado e que não consegue responder às justificadas ambições de melhor níveis de vida das populaçõs?

A social democracia não representa o futuro ideal se calhar nem o passado ideal mas não conhecemos nada que se lhe aproxime.O consenso social do após guerra representa o maior avanço social a que o mundo já assistiu, pela mão da democracia cristã, pelo conservadorismo britânico e alemão e a social democracia nórdica.Nunca a história assistiu a tamanho progresso, nunca tantos experimentaram tantas oportunidades de vida.

Mas o perigo espreita, com a admiração acrítica do mercado livre, o desdém pelo sector público a ilusão pelo crescimento eterno. Até aos anos 70 todas as sociedades europeias se tornaram menos desiguais, graças aos impostos progressivos, aos subsídios dos governos aos mais pobres os extremos de pobreza foram-se apagando.Nos últimos 30 anos deitamos tudo isso fora.

Adam Smith volta a ser citado: " nenhuma sociedade será verdadeiramente florescente e feliz se uma grande parte dos seus cidadãos for pobre e miserável" Sem segurança, sem confiança, as sociedades ocidentais ameaçam ruir. A insegurança alimenta o medo.E o medo -da mudança,medo do declínio, medo do desconhecido- corrói a confiança e a indepedência nas quais assentam as sociedades civis do Ocidente.

Essa rede de segurança social contra a insegurança foi uma das maioras conquistas do sistema, restaurando o orgulho dos perdedores do sistema, trazendo-os para dentro dele e não virando-lhe as costas.Então o que falhou? A esquerda moderada continua a criticar, nostálgica das revoltas dos anos 60, sem apresentar qualquer alternativa consistente, abrindo brechas por onde entraram o individualismo feroz,a proletarização e fragmentação do colarinho branco. As maiores críticas à social democracia, que teve como maior vitória a igualdade, a liberdade e uma maior prosperidade,são comprovadamente falsas, como se verifica pela capacidade revelada em sustentar economicamente todo o sistema.
PS: com Tony Judt - o regresso ao estado providência.


publicado por Luis Moreira às 11:00
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Novas Viagens na Minha Terra
Manuela Degerine

Capítulo V

Etapa 2, de Alverca à Azambuja


Segunda parte: Azambuja

Aí está a Azambuja, pequena mas não triste povoação, com visíveis sinais de vida, asseadas e com ar de conforto as suas casas.

Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra

O que farás, leitor aventureiro, se a imprudência te conduzir a este extremo? Após um balanço muito rápido, já que a solução é urgente, eu concluo que me não resta outro recurso: peço boleia. Parece um risco mas, comparado com os camiões, um risco sensato. Estendo o polegar, três minutos depois pára um carro, vejo um rapaz com aspecto correcto, pergunto se vai para a Azambuja – ele chama-se Dmytro e tem os olhos verdes. Oferece-me uma água neste café da Azambuja.

Almeida Garrett dedica o terceiro capítulo das suas Viagens à descrição do café, que não pode ser clássica, por estar fora de moda, devera ser romântica, o que não convém, por o romantismo de 1843 não ser verosímil, invoca por isso a fé de Boileau: a verdade. Nada, nada, verdade e mais verdade. Encontro-me aqui em simétrica posição. Também devera, seguindo a elegância do meu tempo, pôr aqui um rap, espalhar seringas no chão, convidar traficantes guest star, iá, lançar tags nas paredes, animar tudo com palavrões... Ficava o café da Azambuja digno do CCB. Todavia... Na verdade quase nada o distingue, nem sequer o mau gosto, da maioria dos cafés de Lisboa. Demorei eu tanto para aqui chegar... Andei tantos quilómetros a pé... Corri tantos riscos... Ficam os leitores desiludidos? Eu também. Bebo uma Água das Pedras com a rodela de limão. Para me consolar. Sabe-me bem. Única particularidade: há moscas. Moscas que picam e que ninguém consegue enxotar.


Abrigo-me no estereótipo do peregrino, conto a Dmytro que vou para Fátima, ele não me acha peregrina como as outras, faço perguntas para disfarçar a mentira, ele explica como vive na minha terra, a brutalidade dos patrões, a diferença entre o salário prometido e o salário pago, a hostilidade audível, embora intermitente, volta para a tua terra; os portugueses parecem-lhe mais individualistas do que os ucranianos. Percebo, por detrás do que ele conta, desequilíbrios da sociedade portuguesa, os milhares de licenciados sem emprego, a falta de mão-de-obra qualificada. Os ucranianos trabalham em Portugal com os mais rudes e ignorantes: isto deve dar uma estranha perspectiva dos portugueses. Almeida Garrett queixava-se de viver num tempo de barões, eu vivo no dos construtores, dos empresários, netos bastardos daqueles; estas palavras ganharam sentido pejorativo e sabemos todos porquê. Até hoje eu só associava o Carregado à primeira linha de caminho de ferro, aquela cuja construção Almeida Garrett objurgava, nos caminhos-de-ferro dos barões é que eu juro não andar, agora a esta imagem juntaram-se, por um lado, os esgotos espessos de mau-cheiro, os monstros denominados camiões e, por outro, a gentileza séria de um ucraniano.

Almeida Garrett criticava um progresso que endividava o país e ameaçava sete séculos de cultura – hoje trata-se da sobrevivência física neste espaço. Uma sociedade sem peões é uma sociedade degradada de múltiplos pontos de vista, mais poluída, mais violenta, menos solidária: uma sociedade na qual não apetece viver. Oiço os leitores inquirirem se o meu ideal de vida são as viagens a pé... Não: mas parecem-me um indicador fiável. Claro que, na azáfama de todos os dias, eu apanho o comboio, apanho o metro, apanho autocarros, apanho táxis, apanho aviões – vivo no século XXI. Todavia, para neste século continuarmos a viver, é urgente modificar alguns dos nossos hábitos e corrigir muitos dos nossos erros. Os portugueses circulam de carro porque os transportes públicos são insuficientes, porque as autarquias não lhes preservam espaço para a caminhada; e, quando falo de caminhada, não me refiro a cem metros em qualquer parque mas à possibilidade de ir a pé trabalhar, fazer compras ou acompanhar os filhos – à vida quotidiana. Nas cidades portuguesas que eu conheço não há passeios, excepto nos centros, perto da câmara ou da junta; e, mesmo quando os há, têm carros estacionados, o peão é obrigado a fazer ziguezagues, subir e descer do passeio, expondo-se a ser atropelado. As consequências são múltiplas, passam pela obesidade da população e chegam à monomania da rádio, a única do mundo que quase só fala de trânsito: alma doente num corpo doente.

As gerações que os antecederam transmitiram aos nossos pais a região de Lisboa, que agora atravesso, semelhante à que Almeida Garrett conheceu – em menos de cinquenta anos tornou-se uma lixeira, águas fedorentas, ares envenenados, campos cobertos de lixo. Transmitiremos isto às gerações futuras. Não nos podemos orgulhar deste progresso.

Informaram-me que os bombeiros voluntários dão abrigo aos peregrinos jacobeus; quero saber em que condições. O acolhimento é franco e caloroso. Mostram-me a sala de festas onde se encontram vinte e um colchões dispostos em três pilhas. Limpos. Indicam-me uma casa de banho. Igualmente limpa. Para tomar duche cumpre avisar, por os duches se situarem numa camarata masculina. Coloco o saco-cama em cima da pilha mais baixa de colchões, ponho no caixote as embalagens dos biscoitos e chocolates que, ao longo do dia, fui comendo, vou à casa de banho lavar a mochila que, por eu ter transpirado litros de suor, começa a exalar um odor desagradável; ponho-a a secar pendurada entre duas cadeiras. Quando digo que desejo tomar duche, colam um cartaz na porta da camarata: Cuidado, senhora no duche. Respeito, discrição e simpatia.

Escrevo um pouco, enquanto descanso, depois saio para ver a Azambuja que, até aqui, não passava de uma estação no trajecto entre Tomar e Oriente, isto é, quase no fim da viagem: um sinal para arrumar os livros ou o portátil. Descubro, com alguma surpresa, uma terra bem preservada. A amabilidade dos moradores, que dizem boa tarde, quando passo, manifesta um relacionamento sereno e harmonioso. A rua principal encontra-se embandeirada, um evento denominado Arte ao Vento, que lhe acrescenta um aspecto festivo. Subo e desço. Admiro as casas brancas com barras coloridas. Observo um ninho de cegonhas no parque. Entro na igreja barroca: talha dourada e azulejos de cor azul, branca e amarela. Converso com um seleiro numa loja-atelier. Como arroz de pato num restaurante.

Caminhei não menos de vinte quilómetros; não me doem os pés. Deito-me cedo. Durmo nove horas e meia.


publicado por Carlos Loures às 10:00
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Apresentando João Machado
João Machado nasceu em Lisboa, em 1943. É licenciado pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (actual ISCSP). Católico na adolescência, pertenceu à Juventude Universitária Católica (JUC), afastou-se depois da religião. Com 21 anos colaborou num estudo orientado pela Professora Palmira Duarte, “ A Imagem da Mulher em Portugal”, estudo baseado em inquéritos à população. O trabalho de campo para realização desses inquéritos, levou-o a percorrer a Grande Lisboa, nomeadamente a chamada «cintura industrial» e a contactar uma realidade social que desconhecia.

Uma doença grave manteve-o internado num sanatório durante muito tempo. Iniciou a sua vida profissional dando aulas de Geografia, foi admitido no Ministério da Obras Públicas e, em 1970, começando a trabalhar no Serviço de Promoção Social do Ministério da Saúde e Assistência Social da altura.. Em 1972 esteve quatro meses num estágio profissional nos Estados Unidos, principalmente no Estado do Minnesota.

Em 1975, foi colocado, a seu pedido, no serviço de Acção Directa da Amadora, levando-o, a contactar a dramática realidade dos bairros degradados. Nos últimos anos de actividade, exerceu funções de inspecção. Toda a sua carreira profissional decorreu, até à aposentação em 2008, na Função Pública.

Para além da sua actividade profissional como sociólogo, manteve alguma actividade literária colaborando em enciclopédias, escrevendo verbetes ou traduzindo-os Desenvolveu também vários trabalhos para o então chamado Centro de Reflexão Cristã, sob a orientação da Professora Manuela Silva. Leitor compulsivo, desde jovem que deseja dedicar-se à literatura, desiderato que tenciona concretizar em breve, apresentando o seu primeiro romance. Militante do Bloco de Esquerda, integra a Assembleia Municipal da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.


publicado por Carlos Loures às 09:00
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Tela
Ethel Feldman


Branco quase brando
Sou
espaço da sua dor

Mil vezes me rasgou
Outras tantas
Invadiu-me com a cor

Sou tantas vezes ele
que
me canso

Quando me esquece
Descanso
neste branco sem cor

Presa não me escapo
do retrato
três por quatro
do pintor


publicado por Carlos Loures às 08:00
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Domingo, 30 de Maio de 2010
Outra Constituição, outra Democracia, uma Terceira República – 13
Carlos Leça da Veiga

Viver-se-á melhor?

Perante as circunstâncias económicas e políticas, muito pouco recomendáveis que, hoje em dia, em Portugal, estão a ser vividas, só na imaginação doentia dos próceres do situacionismo actual que – como sempre – só vêm, ou só querem ver, as aparências mais convenientes, é que consegue vislumbrar-se um qualquer assomo daquilo que possa considerar-se como estar a viver-se melhor.

Sê-lo-á, sem dúvida, em relação aos tempos da ditadura salazarista, por desígnio, àqueles da sua guerra colonial, da perseguição policial, dos tribunais plenários, da censura instituída, da injustiça social, do marasmo cultural, do analfabetismo desmesurado, do ruralismo transbordante, da Universidade minimamente frequentada ou, mais outro exemplo, o da terrível e continuada emigração de salto. Dessa época tão malquista muito de mau deve continuar a dizer-se e, também, utilizar-se para cotejar o modo de vida actual, porém, em comparação com o período imediatamente posterior ao 25 de Abril – aquele em que o Povo mais ordenou – já as coisas são muito diferentes. A comparação que interessa fazer-se tem de ser cometida entre como passou a viver-se durante os cerca de dez anos posteriores ao 25 de Abril e os dias actuais, jamais com o Portugal anterior.

Dessa época inesquecível da vida portuguesa ficaram os benefícios sociais que as movimentações populares conseguiram fazer vingar e que, ainda, mau grado a sua desvalorização e distorção sucessivas, continuam a fazer sentir-se no quotidiano da vida nacional. Estão neste caso, como exemplos julgados frisantes, porquanto imensamente transformadores da realidade nacional, para além da Liberdade conquistada, a criação do Serviço Nacional de Saúde com reflexos imediatos na melhoria sensível do bem estar social, a institucionalização generalizada da Segurança Social, os aumentos salariais, a escolaridade básica universal, o décimo segundo ano na escolaridade, a corrida inteligente ao ensino superior, a autonomia ganha pela Universidade, o poder efectivo e significativo da força sindical e, como importa frisar-se, um acentuadíssimo crescimento do número e da qualidade indubitável daqueles com pós-graduações ou empenhados na investigação cientifica. É bom não esquecer que se não tem sido a população a dar rumo certo ao 25 de Abril, a Saúde, a Educação, a Segurança Social e a vida Sindical não tinham tido a enorme reviravolta que ainda agora, mesmo contra as suas mais recentes vicissitudes, continuam a assegurar algum bem-estar sensível à população. O que de bom continua a sentir-se, de verdade, foi feito antes do cavaquismo.



Se o socialismo na gaveta foi uma machadada imperdoável que tudo começou a desmoronar no sentido dos maus dias, com a chegada do cavaquismo nasceu a imposição dum retrocesso intencional e inaceitável na redistribuição da riqueza nacional que, deste modo e até hoje, com a ajuda socratina, viu-se tornada, sucessivamente, ainda mais injusta.

O aumento constante do desemprego, as dividas das famílias portuguesas, a falência em crescendo dos vários sectores económicos nacionais, os apoios sociais em rarefacção constante, a precariedade do emprego e as pesadas imposições tributárias, no seu conjunto, são a resposta que melhor retrata o retrocesso nacional, o seu mal-estar socioeconómico e aquela que está mais à mão para confrontar, em termos políticos e éticos, os vários continuadores do socialismo engavetado revestido, nos últimos anos, duma roupagem neoliberal caracteristicamente mafiosa.

Quem são e quantos acharão que está a viver-se melhor? Talvez os tais quinhentos mil que enchem todos os eventos musicais, todos os campos de futebol, todas as praias e todos os demais acontecimentos cor-de-rosa.

Se os ianques exigiram engavetar os parcos vislumbres socialistas que nos espreitaram, os europeístas têm-se esforçado, com denodo manifesto, por conseguir encerrá-los a sete chaves. Estão à vista as consequências da dependência do exterior como são, nos últimos anos, as imensas, porém hipotéticas, vantagens que a população portuguesa tem tido, e terá, por ter sido forçada a sacrificar-se na construção dum estado europeu, afinal nada mais que uma necessidade ideológica – porém patológica – sentida pelo federalismo maçónico em aliança escolhida com o capitalismo internacional mafioso. Estar-se-á a viver melhor?

Em nome da Democracia, a política nacional tem sido conduzida em detrimento da defesa dos interesses da população e, vergonha das vergonhas, os Órgãos da Soberania aceitaram a integração nacional em espaços políticos multilaterais (OTAN e UE) sem nunca terem perguntado à população se aceitava, ou não, dar o seu acordo directo e imediato. Tudo feito, inclusive, sem dar ouvidos ao expresso na Constituição da República!

Os subsídios europeus, tão glorificados pelos sucessivos governos, na triste realidade das coisas, só têm incentivado tanto a corrupção política, económica, financeira e fiscal como, também, o abandono deliberado, diga-se premeditado, de quase toda a produção nacional que, quando funcionava, não só dava, pelo menos, emprego a milhares de Homens e Mulheres, animava a parca exportação e, também, muitíssimo importante, limitava consideravelmente as importações, cujas, reconheça-se, no médio e no longo prazos, só têm trazido demasiado inconvenientes à maioria da população portuguesa porém, em contrapartida, mau sinal dos tempos – isso não pode esquecer-se – dividendos excelentes aos estados europeus exportadores e aos execráveis intermediários de oportunidade que, às mãos cheias, pululam entre nós. Viver-se-á melhor?

Não é a abundância de “electrodomésticos” que define um qualquer desenvolvimento sócio-económico verdadeiro, muito menos pode preencher a ideia de estar a “viver-se melhor” mas, a sê-lo, mesmo isso, só poderia traduzir-se como coisa positiva se essa abundância não fosse conseguida através dos empréstimos facilitados pela insídia bem trabalhada da indústria bancária e sim, como devia ser, á custa do rendimento alcançado pela remuneração adequada do trabalho produzido.

Para fugir-se a uma redistribuição justa do rendimento nacional e, em simultâneo, criar-se a ideia dum viver confortável, a banca e os governos conluiaram-se numa política nada correcta da concessão fácil de empréstimos bancários que, como está à vista, alguns anos passados, colocam milhares de Homens e de Mulheres numa insolvência antevista como de solução muito mais que difícil.

É bom não confundir certas modalidades de comportamento meramente mundano, nem aqueloutras dum espírito demasiado consumista e, muito menos, algumas tantas demonstrativas dum alardear de sinais de riqueza para daí poder concluir-se que, entre nós – isso é mentir – está a viver-se melhor. Por inferência da espurcícia de Bruxelas nós, portugueses, não temos recebido nem bom vento, nem bom casamento.

Não é verdade que esteja a viver-se melhor ou, então, o actual descalabro económico, social e cultural – para os novos situacionistas – é sinónimo de progresso e bem-estar social. Basta que haja os tais quinhentos mil portugueses a viver bem para que todos os acontecimentos mundanos tenham a florescência bastante para iludir quem vê, porém, sem olhos críticos.

Será um indiciador social de estar a viver-se melhor que haja, entre os portugueses, muito mais que seiscentos mil desempregados cujos, na sua esmagadora maioria, jamais voltarão a obter qualquer emprego? Haverá alguma sustentação económica possível para a própria manutenção do, ainda vigente, trem de vida nacional?

Está, ou não, na linha do horizonte, um regresso a uma ruralidade bem mais pobre que a anterior? Quantos, dentre os desempregados, até dessa mesma solução estão privados por já nem possuírem a velha courela que fornecia o caldo e ajudava ao magro presigo!

Só à margem da União Europeia e, em particular, fora de tudo quanto pertença aquela sua fracção continental, é que Portugal poderá ter hipóteses de alcançar e desenvolver, com sucesso, um comerciar razoável de tal modo, possa olhar para o futuro com alguma confiança se bem que não possa pensar noutra coisa mais que numa vida modesta.

(Continua)


publicado por Carlos Loures às 21:00
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El Sol de Breda - Um livro que eu li
João Machado

Acabei de ler El Sol de Breda, escrito por Arturo Pérez-Reverte em 1998. A tradução portuguesa é de Helena Pitta, e foi editada pela ASA em 2007. É um livro de 180 e tal páginas, que se inclui na série de aventuras do Capitão Alatriste, personagem que o autor terá idealizado em conjunto com a sua filha Carlota. Pérez-Reverte nasceu em Cartagena em 1951, e foi jornalista e correspondente de guerra na Bósnia. Já publicou numerosas obras de ficção, como El Húsar, El Club Dumas, La Reina del Sur, La Carta Esférica, El Pintor de Batallas. É membro da Real Academia Española desde 2003.

As aventuras do Capitão Alatriste são romances de capa e espada, situados temporalmente no século XVII, no fim da chamada Idade do Ouro espanhola. Pérez-Reverte é obviamente admirador de Alexandre Dumas, mas o Capitão Alatriste é um sucessor em linha directa do Pardaillan, do corso Michel Zévaco (1860-1918), mais do que de D’Artagnan ou dos Três Mosqueteiros. Tanto quanto sei saíram até à data seis aventuras de Diego Alatriste y Tenório.

A acção deste romance passa-se na Flandres, durante o cerco de Breda (hoje uma cidade holandesa), durante as guerras religiosas entre católicos e protestantes, ou se se preferir, entre a Espanha e os Países Baixos. O espantoso quadro de Velásquez, A rendição de Breda (As lanças), foi sem dúvida um elemento de inspiração para o enredo desta aventura, havendo no fim do livro uma engraçadíssima nota de editor que fornece importante informação histórica, entrelaçada com pormenores deliciosos sobre as razões porque não se consegue encontrar o Capitão Alatriste representado no quadro. De resto, no livro cruzam-se os personagens saídos da imaginação do autor com personagens verídicos, desde o general italiano Ambrósio Spínola (1569-1630), chefe máximo das tropas espanholas e personagem central do quadro de Velásquez, até ao grande escritor Dom Francisco de Quevedo y Villegas (1580-1645) que Pérez-Reverte apresenta como amigo pessoal de Alatriste.



No conjunto do romance, são de salientar a força que o autor consegue dar aos seus personagens, mesmo os menos intervenientes, o que julgo que é uma das características que se encontram na sua obra em geral. A preparação técnica também foi excelente, como se pode verificar na descrição das acções militares. O conhecimento da história da época é enorme, transmitindo grande interesse à leitura.

Não consigo deixar de pensar, a propósito, que seria muito interessante fazer um levantamento dos romances históricos em Portugal, ou, talvez melhor dito, dos romances que se passam ao longo da história de Portugal. Temos, é certo, O Memorial do Convento, Eurico o Presbítero, O Alfageme de Santarém, etc., com certeza muitos outros, de qualidade desigual, claro. Alguém se lembra de um romance português de capa e espada? Deve haver, com certeza.





publicado por Carlos Loures às 18:00
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Mis Camelias - notas de pié de página 20- 38
Raúl Iturra

[20] Francisco Vio está referido no sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+Francisco+Vio+Grossi&btnG=Pesquisar&meta= , especialmente en la página web: http://solarcooking.wikia.com/wiki/Francisco_Vio_Grossi , que narra la obra de Pancho, al formar la Fundación El Canelo,

Una obra que no da lucro, apenas ayuda a la transferencia de familias sin tierra para Coquimbo, donde está sitiado y así para la desertificación de Coquimbo o, la también llamada V Región. Francisco Vio fue candidato al Parlamento en 1971, en representación de nuestro partido MAPU, que yo presidia en nuestra región, pero su candidatura no prosperó. Acabó su doctorado en Sussex en 1988 y me regaló la copia original de la tesis, diciendo en palabras y en la dedicatoria, que si no fuera por mi aliento, el nunca habría hecho esa tesis. Lo que agradezco. Lo que no agradezco a él, es su mala forma de entender la izquierda de Chile. Su sentimiento es visceral: dice odiar a los comunistas, lo que llevó a más un extrañamiento con parte de su familia, que pertenecían al PC Chileno. El Canelo de Nos, está directamente referido no lugar da net: www.abong.org.br/deolhoembrasilia/arquivos/deolhotextos139.htm


[21] Ministerio que antes era de Bienes Nacionales, pero, con la apertura de Chile para los inmigrantes italianos, alemanes, Yugoslavos, en fin, de todos los países de Europa en vías de remodelación, fue en Siglo XIX que Chile abrió sus puertas a los colonizadores en el Sur del País, que hicieron una maravilla de arquitectura y cuidado de las tierras, por causa de ser ese Sur de Chile, una geografía y temperaturas semejantes a sus países de origen: frío, con nieve, planicies grandes para la agricultura. Quien visite esa parte del país, se encuentra con la sorpresa de estar en Alemania, prácticamente.

[22] En otros textos, como antes también en este, he referido que la palabra tonto, no existente en los diccionarios Net, había sido adquirida por los colonizadores españoles de entre el léxico de los nativos de Chile, el Mapudungun de los Mapuche. Investigando más, me encuentro con esta nueva información, que transfiero de inmediato a mis lectores, especialmente a mi descendencia, para los cuáles escribo este libro: TONTICE, TONTEIRA, TONTURA

Tonto es palabra común en portugués, español e italiano. Em português dio origen a outros derivados como tontear, entontecer, estonteante, etc. .Retirado do sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Origem+palavra+tonto+en+Espanhol&btnG=Pesquisar&meta= .En los diccionarios de la Porto Editora, (1995-1ª Edición),Edición, año 1998 BBC, dice que tonto es silly, stupid, daft, weak, Porto Editora, edición usada por mí. A pesar de este comentario, la palabra tonto está definida en el Capítulo anterior


[23] Mojigato no es mojar gatos, es bien otra cosa: adjetivo y sustantivo: Que finge timidez y humildad.

Que tiene o finge un recato exagerado y se escandaliza fácilmente:
no se puede hablar con ellas por lo mojigatas y pacatas que son. Retirado de la página web: http://www.wordreference.com/definicion/mojigato , del sitio net, con varias entradas: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+mojigato+en+Espa%C3%B1ol&btnG=Pesquisar&meta=

[24] La palabra guagua sí que es una introducción, una de varias, diría yo, transferida de la lengua Mapuche, el Mapudungún, al Castellano, como se llama en Chile a la arbitraria e imperialista denominada lengua Española. Como si no supieran que en España hay siete lenguas bien diferentes En España se hablan varias lenguas vernáculas. El español o castellano, idioma oficial en todo el país, es la lengua materna predominante en la mayoría de las comunidades autónomas de España. Hay una parte de los españoles que se pueden considerar bilingües con el castellano y otra lengua, generalmente alguna de las que son oficiales, junto al castellano en algunas comunidades autónomas. Las lenguas denominadas co-oficiales, son:

.1 Catalán / Valenciano 1.2 Vasco 1.3 Gallego 1.4 Aranés 2 Idiomas no oficiales 2.1 Aragonés 2.2 Asturleonés

lo que el Castellano es apenas de la Región de Castilla, que incluye sólo La Mancha, Extremadura, Andalucía y Murcia, a pesar de que los dos últimos, con gobierno autónomo, reclaman hablar su propia lengua. En América Latina, la lengua es denominada Castellano, el que se habla con acentos y palabras en todos los países de América Latina, desde México al Norte, hasta Argentina y Chile al Sur. De ahí mi lucha, en cualquier lengua que hable de las cinco que uso, de insistir y corregir a los que dicen Español, o Spanish en la Gran Bretaña y los Estados-Unidos, Espagnolo en Italia, o Español en Francia, Spaan en Neerlandés o Holandés y otras lenguas, todas dicen Español, un imperialismo que me cuesta soportar.

[25] La palabra peo, es derivada del sustantivo y verbo pedo, normalmente pronunciado como peo, y solo entre personas íntimas. Está definido en la página web: Viento pudiente fuera del vientre. Retirado de la página web: http://www.cannabiscafe.net/foros/showthread.php?p=1063120 , del sitio net con varias entradas; http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Chile+Tirarse+un+pedo&btnG=Pesquisar&meta=Las personas que libertan sus gases sin pudor, son llamados peorras. Como es el caso narrado en el sitio net: Mi novio me ha dejado por tirarme un pedo sin querer". Retirado da entrada Internet: www.cannabiscafe.net/foros/showthread.php?t=99183 La información completa se encuentra en la varias entradas del sitio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Chile+Personas+peorras&btnG=Pesquisar&meta=

[26] Esa repartición del mundo, está referida en el sitio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Reparti%C3%A7%C3%A3o+do+mundo+ap%C3%B3s+Guerra+Mundial+1945&spell=1 , y no es materia para analizar en este libro. Este libro es para analizar la educación de nuestros hijos en exilio

[27] Alice Miller,(1988-Das verbannte Wissen, Suhrkamp Verlag, Frankfurt and Maine), 1990: El Saber proscrito, Tusquets Editores, Barcelona, texto retirado del libro en mi poder, en Castellano y en edición inglesa de la editora Virago Press. El texto ha sido retirado de la página web: http://www.creceroperecer.com/?s=prana , sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Alice+Miller+sobre+hijos+de+refugiados&btnG=Pesquisa+do+Google&meta=

[28] Child está definido así: A child is most often defined as a young human being between birth and puberty; a boy or girl. The legal definition of "child" generally refers to a minor, otherwise known as a person younger than the age of majority. "Child" may also describe a relationship with a parent or authority figure, or signify group membership in a clan, tribe, or religion; or it can signify being strongly affected by a specific time, place, or circumstance, as in "a child of nature" or "a child of the Sixties.

También la Convención de las Naciones Unidas dice: The United Nations Convention on the Rights of the Child defines a child as "every human being below the age of 18 years unless under the law applicable to the child, majority is attained earlier. Para saber más, puede acceder a: http://en.wikipedia.org/wiki/Child , como referí en el Capítulo 6, Una Reivindicativa. Lo que allí no está, es esta nocíon: Biologically, a child is anyone in the developmental stage of childhood, between infancy and adulthood. Informado por la Enciclopedia en línea: http://en.wikipedia.org/wiki/Child

[29] Alice Miller, 1999, retirado de entre varios textos de la net, página web: http://www.naturalchild.org/alice_miller/childhood.html , donde es posible leer el texto completo, que tiene como título: Childhood: the unexplored source of knowledge (1985 en alemán, traducido en 1994, por Tusquets, Barcelona, con el título de: El drama del niño dotado y la búsqueda del verdadero yo. Comentado en: http://www.casadellibro.com/libro-el-drama-del-nino-dotado-y-la-busqueda-del-verdadero-yo/2900000599593

[30] Alice Miller, The Natural Childe Project, página web como la anterior y en capítulos siguientes del texto central. Proyecto en el cuál participo.

[31] Libro: Retamal, Julio Favereau; Atria, Carlos Celis, 1992: Familias fundadoras de Chile, Editora Zig-Zag, Santiago de Chile. En la net, en las varias entradas del sitio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Familias+fundadoras+de+Chile+1540-1600&btnG=Pesquisa+do+Google&meta= , especialmente en la página web con texto completo: http://www.genealog.cl/ApellidosFamiliasFundadoras.html

[32] Miller, Alice 1988: Chilhood Trauma texto en la morada electrónica: http://www.naturalchild.org/alice_miller/childhood_trauma.html, versión castellana de Tusquets, (1990 1ª edición)1998, 2ª edición: El saber proscrito.

[33] La cueca, es una danza folclórica nacional, creada en Chile, enviada a España, pero convertida en baile chileno a lo largo del tiempo. Para poder ver como se danza, visita el tube del sitio con vídeo de la danza, en: http://www.youtube.com/watch?v=H2WWaHxMsWA

[34] Huaso o Huasa, son personajes creados en Chile, desde que fue República Independiente, y aún antes, cuando los nacidos en Chile o los inquilinos, ese eufemismo con que son denominados los trabajadores rurales que no reciben pago pero deben trabajar la tierra del propietario a cambio de tierra dada a la familia para ser labrada por ella, como defino en otro texto mío, son personajes nacionales que usan ropa especial, antigua, para danzar. Por otras palabras, usan la ropa llamada "dominguera", el hombre, pantalones oscuros y camisa blanca con un pañuelo al cuello para el sudor no ensuciar la camisa; la mujer, un trajo de tejido de percala, brillante y barato, da varios colores, desde el cuello abierto en punta, hasta pocos centímetros por bajo de las rodillas, con pañuelo en la mano que sirve como abanico, por el calor que existe en los días en que se celebran fiestas. Normalmente, el pañuelo es usado para cubrir la boca o la cara, cuando el rubor llega hasta sus caras, por causa de piropos o de querer estar con una persona amada. Huaso o Huaso, representan actitudes de comportamiento, en mi concepto y en mi definición. Quien quiera saber más, puede visitar las entradas del sitio: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Chile+++El+Huaso+Chileno&btnG=Pesquisar&meta=, donde huaso es definido. También, en palabras de mi memoria Chilena, huaso o huasa son personas tímidas que no hablan si no son interrogados o alguien se dirige a ellos.

Huaso es el término utilizado en Chile para referirse al individuo que vive en la zona central del país y se dedica a tareas propias de sectores rurales.

Por extensión, se hace referencia con este nombre a los campesinos de esa zona, utilizándose como adjetivo para señalar características propias del centro y sur de Chile, como "Zona Huasa" o "Rancagua, ciudad huasa".

Los huasos, además, son los jinetes en el rodeo chileno, similar al gaucho rioplatense, al llanero colombiano y venezolano, al chagra ecuatoriano, al charro mexicano, al vaquero estadounidense y al qorilazo peruano. Sin embargo, la labor del huaso chileno - a diferencia de los mencionados - no se limita exclusivamente a la ganadería, sino que también abarca otras actividades campesinas, como la agricultura.

También huaso hace referencia al hombre que baila la cueca (baile nacional chileno). La versión femenina del huaso es la china, su pareja en este baile.

Referido en: http://es.wikipedia.org/wiki/Huaso
[35] Retirado de la página web: http://www.raicesdechile.hpg.com.br/Chile/chile_br.htm , traducida por mí. Hay más tipos de cueca, que el lector puede ver en la página web indicada, con dibujos a colores. Bien como en el sitio net de la cueca, puede leerse: A cueca é a dança nacional oficial chilena[1]. Seu estilo é derivado da zambacueca peruana. A dança representa a conquista e o desejo amoroso de uma mulher por um homem, e está presente no oeste da américa do sul desde a Bolívia até a Argentina e a Colômbia, tendo suas variações de acordo com a região e a época.


La cueca chilena pode ser clasificada como:

Cueca nortina: La diferencia principal es que la música no es cantada, apenas instrumentada.

Cueca chilota: Os passos são mais curtos e a voz do cantor tem mais importância sobre os instrumentos. Información retirada de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cueca_(dan%C3%A7a), La mayor parte del texto está sin traducción para no desvincularlo de los lazos electrónicos externos al sitio.

[36] Retirado de un texto de Alice Miller, de Marzo de 2005, que tiene por título: "Espejo para nuestros chicos". El texto completo puede ser leído todo, en: http://portal.educ.ar/debates/eid/docenteshoy/otras-publicaciones/espejos-para-nuestros-chicos.php

[37] Retirado de la enciclopedia Internet, que entra las informaciones que ofrece, dice: Zapata nasceu no pequeno estado mexicano de Morelos, no vilarejo de San Miguel Anenecuilco (atual Ciudade Ayala). Naquele tempo o México era dominado pela ditadura de Porfirio Díaz, que ascendeu ao poder em 1876.

A sociedade proto-capitalista e em muitos aspectos feudal ainda era predominante no México, com grandes fazendas (haciendas) avançando sobre as comunidades indígenas independentes (pueblos); os indígenas geralmente caíam sob a escravidão por dívida (peonagem), indo trabalhar nas haciendas. Porfirio Díaz de vez em quando promovia eleições locais para pacificar os peões, mantendo-se a frente do governo nacional que havia praticamente usurpado. Díaz deu a amigos e associados os cargos mais importantes no país, e sob ordens destas pessoas, cada vez mais se concentrava a terra em propriedade de poucos. Queda en portugués, fácil de leer para el castellano hablante. Retirado de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Emiliano_Zapata

[38] Antojo es el deseo inexplicable de obtener algo que satisfaga un deseo. E México, los antojitos, es un plato de comida. Normalmente, una mujer embarazada tiene antojos o saudades, en portugués, de obtener lo imposible La definición es mía, pero se puede encontrar alternativas en las varias entradas del sitio net: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=+Chile++Palabra+Antojo&btnG=Pesquisar&meta=


publicado por Carlos Loures às 15:00
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A questão do livro (ou o livro em questão)
Carlos Loures

Não conheço anúncio mais antigo do que este. Diz assim:

Tu, que desejas levar contigo os meus livros para qualquer parte
e procuras tê-los como companhia de longa jornada,
compra aqueles em que o pergaminho fica apertado em pequenas tábuas.
Deixa as prateleiras para os grandes (livros), em mim segura com uma só mão.
Não deixes, porém, de saber onde estou à venda e não andes errante,
perdido pelo cidade toda; com a minha indicação estarás certo:
a seguir às portas da Paz e ao foro de Minerva.

Este spot publicitário foi escrito em finais do primeiro século da nossa era. Escreveu-o Marcial, um poeta latino, nascido na Península Ibérica, em Bilbilis, perto da actual Calatayud, Saragoça, (c. de 40-104). A sua obra principal são os «Epigramas», poesias curtas e satíricas, tais como esta, muitas vezes citada: «Se a Glória vem depois da morte, não tenho pressa de a alcançar».

No anúncio, além de uma útil informação sobre a localização da livraria, note-se a alusão à portabilidade do livro por oposição aos pesados rolos, e à acessibilidade do texto, bem como à maior resistência do pergaminho relativamente ao tradicional papiro. Para termos uma ideia, uma versão completa da Eneida enchia doze rolos (arrumados numa caixa pesada e de grandes dimensões). O códice de que Marcial faz a propaganda permitia meter todo o texto num volume. Vantagens semelhantes às que hoje o kindle nos oferece relativamente ao livro impresso. Tal com hoje, perante a ameaça que o livro digital representa para a sobrevivência do livro impresso, as resistências eram muitas. Os bibliófilos da época troçavam daquelas folhas de pergaminho apertadas entre duas tábuas – pois era lá possível que aquela geringonça ridícula substituísse os rolos, herdados da Grécia, que, durante séculos, foram o suporte da palavra escrita?


Terá sido Secundo, o editor de Marcial, quem lançou em Roma a nova forma de livro. Sem sucesso, pois a reacção e a resistência à mudança foram mais fortes do que a evidência das vantagens. A adaptação progressiva à nova forma de livro iria demorar cerca de quatrocentos anos, consumando-se no decurso do século V, embora já durante o século III nas compilações jurídicas prevalecessem os códices. O mesmo que hoje se diz dos e-books e do kindle - «Ora! Isso é bom é para substituir enciclopédias, obras de referência…».

À velocidade a que as inovações tecnológicas vão surgindo (e desaparecendo, submersas por outras…), não tenho dúvidas de que não demoraremos quatro séculos a acolher um suporte novo. Já não será o kindle, mas sim qualquer outra coisa que hoje não podemos sequer imaginar e que entretanto aparecerá. Porque estas mudanças fazem-se por pragmatismo e não por mera vontade de inovar. Pode mesmo dizer-se que a vontade de mudar radicalmente de suporte tem uma história de sistemática resistência a essa mudança – nunca foi fácil. Contudo, um das barreiras que se colocam a uma maior difusão do livro electrónico, é o pagamento de direitos a autores e editores. Problema que afecta também (talvez ainda mais) os compositores e as editoras discográficas.

Mas as coisas vão andando no sentido de os livros digitalizados se irem tornando um sistema honesto e respeitável, aceite por editores e autores. A Google fez, em 2009, propostas de um acordo aos editores europeus relativamente ao respeito pelos direitos de autor. Nos Estados Unidos esse acordo entre a empresa que controla o motor de busca mais utilizado da Web e os representantes das outras partes interessadas já existe. Se o acordo se concretizar também no nosso continente, milhões de livros publicados na Europa, mas que já não se encontram disponíveis nas livrarias, poderão ser digitalizados e colocados em linha.

Não vai ser fácil porque, como lembra a associação de Editores Italianos, a implantação do sistema iria violar vários pontos da Convenção de Berna sobre os Direitos de Autor. Mas encontrar uma solução que contemple os interesses de todos os envolvidos e que compatibilize o sistema com a Convenção, cuja primeira forma data de 1886, será apenas uma questão de tempo.

Numa entrevista feita a Umberto Eco, de que falarei amanhã, onde a propósito do lançamento de um livro sobre este tema (Não contem com o fim do livro ) ele diz ter chegado à conclusão de que, como a roda, o livro é uma invenção de tal modo consolidada que as revoluções tecnológicas, anunciadas não o conseguem ultrapassar.

O livro, nas suas diversas formas, tem sido um companheiro fiel. Talvez não sobreviva durante muito mais tempo sob a forma que nos é hoje familiar. Mas, podemos estar certo, continuará a acompanhar-nos. Ouçam só este criativo anúncio ao livro. Dois mil anos depois, os argumentos são basicamente os mesmos:



publicado por Carlos Loures às 12:00
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Menino do Bairro Negro, de José Afonso


Sublinhando as palavras do Luís Moreira, apresentamos uma interpretação de Menino do Bairro Negro, de José Afonso, interpretado pelo coro misto Ançãble, de Cabeceiras de Basto, num arranjo de Joaquim dos Santos. Zeca Afonso compôs esta canção inspirando-se na vida dos meninos de um bairro degradado – o Barredo, no Porto. Fruto do começo da Guerra Colonial e da emigração forçada, as maiores cidades do País iam vendo crescer nas suas periferias bairros de lata. Esta composição, tão bem interpretada por este coro, molestou particularmente as consciências. A intenção do Zeca não seria outra.


publicado por Carlos Loures às 11:30
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Infância pobre é para toda a vida!
Luís Moreira

Cientistas nos Estados Unidos chegaram à conclusão de que uma infância pobre até aos cinco anos marca para sempre o ser humano, não só no seu desenvolvimento, mas tambem a nível neurobiológico e na saúde para o resto da vida.

“Descobrimos que as crianças que crescem em ambientes desfavoráveis reagem de forma desproporcionada ao stress, e conseguimos medir isso através de avaliações hormonais e neurológicas, utilizando scanners cerebrais, e mais recentemente com análises genéticas”.

Estes estudos vêm comprovar o que o senso comum já observava, principalmente em pequenos agregados urbanos em que todos se conheciam, quem tinha boas condições de vida singrava quem vivia na pobreza mostrava-o na escola e nas relações com os outros miúdos da mesma idade. E na idade adulta quem é conhecido e venceu são os filhos de quem já naquela altura eram os senhores da cidade.

O ascensor social é muito pouco eficaz, mas grande parte da derrota vem, sabemos agora, do facto da pobreza e dos maus tratos marcarem para sempre a saúde das pessoas e permanecem para toda a vida. Isto mostra que o apoio social não é um custo, é um investimento, porque recupera pessoas para a vida profissional activa e, dessa forma, gasta menos do que ter pessoas que são um fardo social.

Erradicar a pobreza não é só um imperativo civilizacional é tambem um objectivo fundamental para termos pessoas mais capazes de contribuirem para o bem estar de todos!

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publicado por Luis Moreira às 11:00
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