Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010
A Teologia do Ódio
Fernando Moreira de Sá

As almas puritanas de uma certa teologia do ódio comum a todas as religiões, o ópio do povo, andam revoltadas pela possibilidade da construção de uma Mesquita perto do Ground Zero. Alguns amigos partilham de idêntica revolta considerando que tal é um desrespeito à memória das vítimas do 11 de Setembro e uma “apologia” do terrorismo.

Eu sei que os segundos me perdoam a discordância e os primeiros não perdoam nada nem ninguém. Mas enfim, a vida é mesmo assim. Quando ouvi as palavras bem medidas do Presidente dos Estados Unidos fiquei na dúvida: qual foi a parte da sua intervenção que não perceberam? De forma ligeira, como é apanágio da bloga, vamos resumir o que disse Obama e citando o Expresso: “Como cidadão e como presidente, creio que os muçulmanos têm o mesmo direito a praticar a sua religião como qualquer outra pessoa deste país. Isso inclui o direito a construir um local de oração e um centro comunitário em propriedade privada na baixa de Manhattan, de acordo com a lei”. Em suma, uma propriedade privada que está no mercado, um grupo de cidadãos que pretendem adquirir o imóvel e nele construir uma mesquita e um centro comunitário e cumprindo a lei.

O Nuno Gouveia, um dos mais brilhantes bloggers nacionais e alguém que muito respeito, entende que: “na verdade essa mesquita não deixaria de se transformar num símbolo de vitória para os radicais” e sublinha as palavras de Jorge Costa sobre o facto do Hamas ter uma opinião positiva e quem sabe a Al-Qaeda. Pois, meu caro, qual o espanto? Obviamente, os senhores do terrorismo ficam todos contentes e olham para os seus umbigos gargalhando. Para nós, ateus, agnósticos, cristão, judeus, muçulmanos e restantes não alinhados com posições fundamentalistas e terroristas a única simbologia que recordamos quando perante algo deste calibre é esta: Liberdade. A liberdade que permite a coexistência pacífica entre religiões, entre povos, entre gente de boa vontade para quem o 11 de Setembro serviu, espero, como cimento unificador contra toda e qualquer teologia do ódio.

Não esquecendo que entre os milhares de vítimas dos ataques terroristas do 11 de Setembro, realizado por fundamentalistas islâmicos, estavam centenas de Muçulmanos inocentes e que não podem ser comparados com esses assassinos que se dizem seguidores de Maomé. Do mesmo modo que não podemos colocar no mesmo saco todos os católicos quando se relembra os crimes hediondos da inquisição.

Aquilo que nos distingue do fundamentalismo religioso, dos Hamas, Al-Qaedas e quejandos é exactamente a nossa filosofia de liberdade que permite, entre tantas outras coisas, aos seguidores de Maomé construir um templo junto do futuro Memorial às Vítimas do 11 de Setembro.

Caso contrário, somos iguais a eles e seguidores de uma teologia do ódio que mina os alicerces de toda e qualquer sociedade.


publicado por Carlos Loures às 19:30
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4 comentários:
De augusta.clara a 23 de Agosto de 2010 às 19:57
Não posso estar mais de acordo com o texto do Fernando Moreira de Sá. É absolutamente necessário colocarmos os acontecimentos dentro da verdade que lhes cabe. Só assim poderemos contribuír para travar a degenerescência dos neurónios de uma espécie que, cada vez mais, se vai demitindo de raciocinar: a espécie humana.


De Luis Moreira a 23 de Agosto de 2010 às 20:04
Meu caro fernando, apesar de eu ter tido cerca de 30 pessoas contra mim, numa reunião pública, que me afiançavam que a única vítima emtre os mortos e feridos do ataque ao metro em Londres, era o rapaz brasileiro morto acidentalmente por um polícia( fiquei a saber que quem vai para o trabalho não é vítima...) estou de acordo que contra os extremismos só há uma política. Mais Democracia, mais liberdade !


De Fernando Moreira de Sá a 23 de Agosto de 2010 às 20:53
Obrigado pelos vossos comentários.


De Frederico Paula a 24 de Agosto de 2010 às 13:44
Parabéns Fernando. Gostei do que li e principalmente do princípio de que todos perdem com o fundamentalismo (excepto os que estão empenhados em políticas e acções á margem da legalidade e dos princípios democráticos) e todos ganham com a liberdade. Agora a religião ser o ópio do povo, isso era no tempo do Karl Marx. O ópio do povo é o futebol!


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