Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010
O saber das crianças e a psicanálise da sua sexualidade –16: por Raúl Iturra.


Parece-me ter razão ao interpretar que a formação rabínica de Freud, ajuda a criar a sua teoria do inconsciente. Não somente a preparação para o seu Bar-Mitzav, bem como as suas leituras, mais aprofundadas, já em idade adulta, dos textos bíblicos antigos, especialmente o de Salomão Jacob, texto impossível de encontrar na Internet, por ser um documento Sefardita, isto é dos judeus de Espanha conquistados por Isabel I, a Católica de Castela, e o seu marido o Rei Fernando de Aragão, que perseguiram e mataram judeus para, como eles costumavam dizer, “limpar a raça”. Os que não foram expulsos foram para a fogueira, exilados ou, simplesmente, converteram-se ao cristianismo. Denominados Cristãos Novos, não podiam ter alianças com os Cristãos Antigos (que passaram a ser designados por Cristãos Velhos), trazidos desde Segóvia para purificar o Sul de Espanha retirado da dominação dos mouros e dos judeus, que até essa altura conviviam em paz. A minha fonte é dupla: por um lado, documentos datados do século XV e pela história da minha própria família, levada pelos Reis Católicos desde Segóvia (Norte de Espanha) e enobrecidos. Os Grajera Molano, o nome mais antigo pelo lado da família da nossa Senhora Mãe, passaram a ser da Corte da Rainha até à morte da derradeira Grajera Molano, Maria, avó da nossa Senhora Mãe.


O que interessa perceber é como um médico procura o saber milenar do seu povo, especialmente no Talmude, para construir a sua teoria de interpretação dos sonhos. Embora, durante a minha pesquisa, não conseguisse localizar o texto de Salomon Jacom Almedi , problema meu, importa é saber que Freud o leu e o usou na sua teoria do inconsciente. Há um outro texto antigo, judaico, também utilizado por Freud, o Tratado Berakoth ou Bracoft.

Interrogar-se-á o leitor do porquê destes textos sobre confissões religiosas nestas páginas. O motivo é simples, porque é essa confissão a que, simultaneamente, orienta a mente e é rival da teoria freudiana; teoria baseada apenas numa confissão, a confissão hebraica e, de entre todos os seus textos, no Talmude, como interpretador dos sonhos. Confissão usada por Freud não como fé, mas para saber e rever a consciência dos seus pacientes. Não que eu defenda que o Talmude seja a base do estudo dos sonhos para conhecer o inconsciente, mas considero-o uma parte importante para a organização da teoria freudiana, conjuntamente com o Tratado de Berakoft. Tratado, que neste contexto, tem apenas um dos vários significados atribuídos pelo dicionário que me auxilia na escrita, significando obra e não acordo para parar guerras .

O sacramento da confissão era o melhor divã do analisado, especialmente a definida por Lutero no seu texto que cito em nota de rodapé. No entanto, Freud, recorreu à Mitologia Grega, bem mais real para interpretar a interacção social do que os Mandamentos do Levítico , escrito pelo Profeta Moisés.

A Mitologia grega tem a virtualidade de ter deuses que transitam a seres humanos e seres humanos que são deuses também. Basta ler textos como A Ilíada e a Odisseia , ou, entre outros, o mito de Édipo para entendermos parte dessa mitologia. Esta riqueza mitológica faz-nos pensar de imediato, e de forma correcta, como o processo da psicanálise nasceu antes da nossa era, pela capacidade de ver o real dos Helenos Clássicos . O Mito de Eros, base da teoria da psicanálise, juntamente com o conceito de Thanatos usados por Freud para definir os dois extremos da vida: a paixão do homem e o fim da sua vida.

Em grego, Eros significa desejo incoercível dos sentidos. Personificado, é o deus do amor. O mais belo entre os deuses imortais, segundo Hesíodo, Eros dilacera os membros e transtorna o juízo dos deuses e homens. Dotado, como não poderia deixar de ser, de uma natureza vária e mutável, o mito do deus do amor evoluiu muito, desde a era arcaica até à época alexandrina e romana, isto é, do século IX A.D.C. ao século VI D.C. Nas mais antigas teogonias, como se viu em Hesíodo , Eros nasceu do Caos, ao mesmo tempo que Geia e Tártaro . Não falo mais de mitologia, porém, não posso deixar de salientar a importância da obra de Hesíodo para a psicanálise. .

Como é usado o mito de Eros por Freud, e, consequentemente, pelos seus discípulos? Parece-me ser da seguinte forma: Eros (em grego:"ἔρως" transliteração para o latim "érōs") é o amor apaixonado, com desejo e atracção sensual. A palavra moderna grega “erotas” significa “o amor (romântico) ”. Platão, mais tarde refina e desenvolve a sua própria definição. Essa refinação é mel para um estudioso dos mitos gregos, ao preencher a sua informação. Embora o Eros seja sentido inicialmente por uma pessoa, com contemplação transforma-se em apreciação da beleza dentro dessa pessoa, ou transforma-se mesmo em apreciação da própria beleza. Platão não pleiteia a atracção física como uma parte necessária para o amor, daqui o termo "amor platónico" significar “sem atracção física”. Platão diz que Eros também nos recorda a beleza da alma, contribuindo para uma melhor compreensão da verdade espiritual. Os amantes e todos os filósofos são inspirados a dizer a verdade por Eros, deus do amor. O trabalho mais antigo e famoso sobre o tema Eros é o Simpósio de Platão , que aborda uma discussão entre professores e estudantes de Sócrates sobre a natureza de Eros. O termo erótico é derivado de Eros .

Notas:
 
O texto é de 1515, de certeza, por ser Sefardita, o seu nome era falado de uma outra maneira, como Salomon-bem-Jacob, ou Shlomon-bem-Almeli, tenho tentado, sem sorte nenhuma, encontrar o texto Pitron Chalomot, de certeza em língua hebreia, língua que desconheço.


Brachot (Hebraico: ברכות, "Bênçãos") é o primeiro masechet ("tratado") do Seder ou Ordem de Zeraim ("Ordem das Sementes") da Mishná, o primeiro grande texto da Halachá ou Lei Judaica.

Aborda primeiramente as regras relacionadas com as orações de Shemá, a Amidah, o Birkat Hamazon ("Bênção Depois das Refeições"), Kidush ("Santificação" do Shabat e Festas judaicas), Havdalá ("Separação" depois do Shabat e Festas) e outras bênçãos e rezas. É o único tratado de Zeraim que tem uma Guemará tanto no Talmud Babilónico como no Talmud de Jerusalém. Texto em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tratado_Brachot_(Talmud).

Parece-me importante acrescentar: O plural de tana refere-se aos sábios rabínicos judeus cujas opiniões são gravadas na Mishná. Na história judaica, o período dos “Tanaim” é também referido como período mishnaico. Seguiu-se ao período dos Zugot ("pares") e foi precedido pelo período dos Amoraim. A raiz tana (תנא) é o equivalente aramaico para a raiz hebraica shaná (שנה) que é também a palavra raiz de "Mishná". O verbo shaná (שנה) significa literalmente "repetir [aquilo que se ensinou]” e é usado para indicar "aprender". Assim, eu diria, que a fonte da psicanálise, vem do facto de saber, estudar e revisar. A psicanálise é mesmo essa actividade: revisar a vida do paciente, estudada por meio da teoria de Freud, Charcot, Bauer, Jung, Klein e outros mencionados. Os mais importantes para entender as crianças, são os ainda activos Boris Cyrulnik, Françoise Dolto, os textos activos e numerosos de Wilfred Bion, e a actividade incrível da minha correspondente Alice Miller.

Tratado: s. m., convénio; ajuste; aliança; contrato internacional; estudo ou obra escrita sobre qualquer matéria, em especial arte, ciência, investigação histórica, etc.; adj., discutido; examinado.

em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx.

Levítico é o terceiro livro da Bíblia. Faz parte do Pentateuco, os cinco primeiros livros bíblicos, cuja autoria é, tradicionalmente, atribuída a Moisés.

É um dos livros do Antigo Testamento da Bíblia e possui 27 capítulos. Os judeus chamam-no Va-Yikra ou Vaicrá (E chamou). Basicamente é um livro teocrático, isto é, o seu carácter é legislativo; possui, ainda, no seu texto, o ritual dos sacrifícios, as normas que diferenciam o puro do impuro, a lei da santidade e o calendário litúrgico e mais legislação que regularia a religião. Livro que contêm as leis de Deus Os Dez Mandamentos ou o Decálogo, nome dado ao conjunto de leis que, segundo a Bíblia, teria sido originalmente escrito por Deus em tábuas de pedra e entregue ao profeta Moisés (as Tábuas da Lei). As tábuas de pedra originais foram quebradas, de modo que, segundo Êxodo 34:1, Deus teve de escrever outras. Encontramos primeiramente os Dez Mandamentos em Êxodo 20:2-17. É repetido novamente em Deuteronômio 5:6-21, usando palavras similares.

Decálogo significa dez palavras (Ex 34,28). Estas palavras resumem a Lei, dada por Deus ao povo de Israel, no contexto da Aliança, por meio de Moisés. Este, ao apresentar os mandamentos do amor a Deus (os quatro primeiros) e ao próximo (os outros seis), traça, para o povo eleito e para cada um em particular, o caminho duma vida liberta da escravidão do pecado.

Sobre sacrifícios, pureza e outros assuntos relacionados com a adoração de YHVH.

A história de O Decálogo, pode ser consultada em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dez_Mandamentos, e a de O Levítico: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lev%C3%ADtico.

Textos todos traduzidos por Martin Luther para língua alemã. Pela primeira vez na vida, o povo duro e cru tinha acesso a textos que orientavam a vida. No Século IV da nossa era, o eremita denominado São Jerónimo traduziu a Bíblia do Grego, Latim erudito e do Aramaico para o Latim Vulgar ou Vulgata. São Jerónimo de Strídon, santo cristão, eremita tradutor da Bíblia para latim falado pelo povo (a Vulgata). Por outras palavras, fez um serviço à religião. História em: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Jer%C3%B4nimo

O conceito religião é definido como: A Religião (do latim: "religio" usado na Vulgata, que significa "prestar culto a uma divindade", “ligar novamente", ou simplesmente "religar") pode ser definida como um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino, sagrado e transcendental, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças. A palavra portuguesa religião deriva da palavra latina religio, mas desconhece-se ao certo que relações estabelece religio com outros vocábulos. Aparentemente, no mundo latino anterior ao nascimento do cristianismo, religio referia-se a um estilo de comportamento marcado pela rigidez e pela precisão. Informação completa em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%A3o#Etimologia Jerónimo foi o grande “tradutor e exegeta da Bíblia, presbítero e Doutor da Igreja. Jerónimo nasceu na Dalmácia em 340, e mereceu ser conhecido como escritor, filósofo, teólogo, retórico, gramático, dialéctico, historiador exegeta e doutor, como ninguém nas sagradas escrituras”. História toda em: http://www.veritatis.com.br/article/712

A Ilíada (do grego ΙΛΙΑΔΟΣ - ILIADOS, na transliteração) é um poema épico grego que narra os acontecimentos ocorridos no período de pouco mais de 50 dias durante o décimo e último ano da Guerra de Tróia, cuja génese radica na cólera (μῆνις, mênis) de Aquiles. O título da obra deriva de um outro nome grego para Tróia, Ílion.

A Ilíada e a Odisséia são atribuídas a Homero, que se julga ter vivido por volta do século VIII a.C, na Jônia ( região actualmente integrada na Turquia), e constituem os mais antigos documentos literários gregos (e ocidentais) que chegaram nos nossos dias. Ainda hoje, contudo, se discute a sua autoria, a existência real de Homero, ou se as duas obras teriam sido compostas pela mesma pessoa. Texto completo em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Il%C3%ADada

Odisséia (português brasileiro) ou Odisseia (português europeu) (em grego, Οδύσσεια, Transliteração Odýsseia) é um dos principais poemas épicos dos antigos gregos. Foi composta em 24 cantos e é atribuído, tal como a Ilíada, a Homero. Teria sido escrito provavelmente no fim do século VIII a.C., em algum ponto da Jônia, região situada na costa da actual Turquia, habitada então por gregos.[1]

O poema é parte fundamental do cânone ocidental, e continua a ser lido hoje em dia, tanto no grego homérico em que foi escrito quanto em traduções para os mais diversos idiomas ao redor do mundo. A obra foi composta e transmitida oralmente, na tradição local, cantada por um aedo (talvez um rapsodo.[2] Os detalhes da antiga execução oral do poema e a sua conversão para o formato escrito têm despertado um debate contínuo entre os estudiosos. A Odisséia foi escrita num dialeto "poético" do grego antigo, que não pertence a qualquer região geográfica, e compreende 12.110 linhas de versos em hexâmetro dactílico. Entre os elementos mais notáveis do texto está a sua trama não linear e o facto de que os acontecimentos são mostrados como sendo igualmente influenciados tanto pelas escolhas feitas por mulheres e servos quanto pelas acções dos heróis. O termo "odisseia" veio a servir, na maioria dos idiomas ocidentais, para definir qualquer tipo de viagem ou jornada épica. Texto em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Odiss%C3%A9ia.

É na base deste mito que Freud baseia a sua interpretação da pulsão de parricida, amor erótico para a mãe, ciúmes filiais para o pai: quem ama o seu objecto do desejo, a sua mãe, a mulher do seu pai. Etapa que, na sua teoria, todo o ser humano vive na sua infância, ultrapassada na vida adulta, apesar de existir uma permanente proximidade ao amor edipiano ao longo da vida de todo o ser humano. Define com estas ideias uma carga pesada de levar. O mito pode ser lido em: http://www.franciscanos.net/portugues/livres5.htm. Em meu entender, há muito uso do conceito edipiano nas nossas curtas vidas, sobrecarregando-a, como, aliás, está definido no conceito de resiliência criado por Cyrulnik: o complexo de Édipo faz da nossa passagem pelo mundo, pesada e injusta. A capacidade de construção humana, faz de nós seres capazes de iludir esses mitos gregos introduzidos, desnecessariamente, nas nossas vidas. Especialmente na actualidade, porque os mais novos adquirem a independência muito cedo na vida, governada pela teoria (neoliberal) económica. Somos nós pais, nos tempos que correm, quem se deve desamamentar da necessidade de ter os filhos sempre por perto e procurar alternativas de adulto maior, com outras pessoas da nossa era cronológica pessoal. O dito Complexo do Édipo ou é para os pais, habituados ao Quarto Mandamento de Igreja Católica e de outras confissões cristãs, ou do Islão, ou para crianças que sofrem o facto desses ciúmes, como o caso citado anteriormente, de Alice Miller.



O texto de Lazlo António Ávila, analista do Núcleo de Psicologia Hospitalar de São Paulo, que trabalha com crianças e tem escrito livros sobre como as tratar, textos em: http://www.google.com.br/search?hl=pt-PT&q=Lazlo+Antonio+%C3%81vila%2C+biografia, em 2002, escreveu um artigo, que uso para sustentar a minha hipótese, intitulado “Psicanálise e mitologia grega”, publivado na Revista Pulsional rev. psicanál; 14/15(152/153): 7-18, dez. 2001-jan. 2002, onde se lê:

“Os mitos são o nada que representa tudo. A psicanálise deve demais aos gregos, principalmente para a sua mitologia. Os mitos são a Cornucópia onde Freud encontrou inúmeros de seus principais protótipos, desenvolvidos em suas brilhantes metáforas, e base para inúmeros conceitos centrais da psicanálise. Neste artigo nosso objectivo é descrever os seguintes mitos psicanalíticos: o Édipo, o Falo e a Castração, a Horda Primitiva, as Protofantasias, a Cena Originária, o Narciso, a Pulsão, Eros, Tânatos, e finalmente, o Inconsciente, o verdadeiro eixo mítico da psicanálise (AU)”. Este texto pode ser lido em: http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=477182&indexSearch=ID

Pela sua importância individual e da literatura grega, que encantou Freud e outros analistas, além de estudiosos da Grécia Clássica, Historiadores, Linguistas, Semióticos e Etnopsicólogos, como eu, parece-me que uma nota deve ser introduzida para elucidar o leitor. A literatura grega da antiguidade desenvolveu-se desde o início da difusão do emprego da escrita, por volta do século VIII antes da nossa era. Período da maior importância para a história das letras ocidentais divide-se nas épocas arcaica (até o fim do século VI antes da nossa era), clássica (séculos V e IV antes da nossa era) e helenística e greco-romana (a partir do século III antes da nossa era).

Antes da utilização da escrita para fins literários, os gregos já faziam poesia para ser cantada ou recitada. Os seus temas eram os mitos, em parte lendários, baseados na memória difusa de eventos históricos, além de um pouco de folclore e de especulação religiosa primitiva. Os mitos, porém, não se vinculavam a qualquer dogma religioso e, embora muitos fossem deuses ou grandes heróis mortais, não eram autoritários e podiam ter o seu perfil alterado por um poeta que desejasse expressar novos conceitos.

Assim, bem cedo, o pensamento grego começou a progredir, na medida em que os poetas reelaboravam as suas fontes. A esse estágio inicial, denominado época arcaica, pertencem os épicos - A Ilíada e A Odisseia - atribuídos a Homero, que recontam histórias entremeadas de mitos da época micénica. Os recursos da poesia didáctica grega, podem ser lidos em http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx.

Os vários tipos de poesia lírica grega surgiram no período arcaico entre os poetas das ilhas do mar Egeu e da Jónia, no litoral da Anatólia. Arquíloco de Paros, século VII antes da nossa era, foi o primeiro poeta grego a usar a elegia de uma forma mais pessoal. Suas formas e padrões métricos foram imitados por uma sucessão de poetas jónicos. No começo do século VI, Alceu e Safo criaram seus poemas no dialecto eólico da ilha de Lesbos e foram mais tarde adaptados por Horácio para a poesia latina. A estes seguiu-se Anacreonte de Teos, na Jónia, que também compôs em dialecto jónico. A lírica coral, com acompanhamento musical, pertencia à tradição dórica. Informação completa em: http://www.brasilescola.com/literatura/literatura-grega.htm. Para completar a informação, direi apenas que: A civilização micénica é uma civilização pré-helénica do Heládico recente (final da Edad del Bronce). O seu nome deriva da vila de Micenas, situada no Peloponeso. Parte desta nota é do meu saber, parte está definida em: http://es.wikipedia.org/wiki/Civilizaci%C3%B3n_mic%C3%A9nica.

Para quem queira saber mais sobre este tema, há um texto excelente na Internet, em: http://flaviasilva.wordpress.com/2008/05/14/eros-cupiado-deus-grego-do-amor-mitologia-grega/

Hesíodo (em grego, Ἡσίοδος - Hēsíodos, na transliteração), foi um poeta da Grécia Antiga. Nasceu, viveu e faleceu em Ascra, no fim do século VIII a.C. O leitor, ainda que não helenista, é capaz de se interessar na síntese que passo a escrever, entre palavras minhas e de um texto encontrado na minha pesquisa, para sintetizar a ideia que levou Freud a usar os mitos helénicos, para teorizar o que depois passou a ser a psicanálise. Hesíodo assina a sua obra para fazer uma história pessoal. Após exaltar as Musas que o inspiram, diz-nos, no início da sua obra Teogonia ou genealogia dos deuses, através de um poema: "Foram elas que, certo dia, ensinaram a Hesíodo um belo canto, quando ele apascentava suas ovelhas ao pé do Hélicon divino".

O conteúdo desse canto é a origem dos deuses. Os velhos mitos constituem o ponto de partida, Hesíodo entrelaça-os e enriquece-os traçando uma genealogia sistemática das divindades. As ideias de que seres individuais constituem o universo e estão vinculados por sucessivas procriações deriva da Teogonia. Nesta obra, há um esforço de pensamento racional que é sustentado pela causalidade e isso abrirá caminho para cosmogonias filosóficas posteriores. Primeiro teve origem o Caos, em seguida a Terra e o Amor (Eros), que é o criador de toda a vida. Do Caos surge a sombra, constituída por um par: Érebo e a Noite. Da sombra também surge outro par: o Éter e a Luz (do dia). Terra dará nascimento ao céu, às montanhas e ao mar. Em seguida, é apresentado o nascimento dos filhos da luz, dos filhos da sombra e da descendência da Terra até ao momento do nascimento de Zeus e do triunfo sobre seu pai, Cronos. A Teogonia enumera três gerações de deuses: a do Céu, a de Cronos e a de Zeus (esta geração é a dos olímpicos).

A interpolação dos episódios de Prometeu e de Pandora na sequência da Teogonia (retomados em Os trabalhos e Os Dias), justifica a condição humana. Prometeu tinha roubado o fogo divino para dá-lo aos homens e isso atrai a ira de Zeus, que o condena à tortura de ter o fígado eternamente devorado por uma ave. Para os mortais, o castigo foi menor: é determinada a criação de um ser à imagem e semelhança das deusas imortais que dará um presente em nome dos olímpicos aos mortais. Epimeteu, irmão de Prometeu, recebe o presente e, ao abri-lo, deixa escapar todas as mazelas do mundo, conseguindo aprisionar apenas a esperança. Roubo mítico que faz parte dos delírios reais de perseguição que Freud tratou para curar. Note-se que, para ser parte da sua teoria, esses mitos foram, certamente, estudados por Freud. O mito é um fenómeno cultural complexo que pode ser encarado de vários pontos de vista. Em geral é uma narração que descreve e retrata, em linguagem simbólica, a origem dos elementos e postulados básicos de uma cultura A narração mítica conta, por exemplo, como começou o mundo, como foram criados os seres humanos e os animais e a origem de certos costumes e formas das actividades humanas. Os que Freud usa, entre outros, para teorizar e curar mentes doentes, são mitos relacionados com o mundo do simbólico: a relação entre o universal e o singular em psicanálise. Para além das minhas palavras, há uma voz autorizada que define o conceito: mito [do grego antigo μυθος ("mithós")] é uma narrativa tradicional com carácter explicativo e/ou simbólico, profundamente relacionado com uma dada cultura e/ou religião. O mito procura explicar os principais acontecimentos da vida, os fenómenos naturais, as origens do Mundo e do Homem por meio de deuses, semi-deuses e heróis (todas elas são criaturas sobrenaturais). Pode-se dizer que o mito é uma primeira tentativa de explicar a realidade. Ao mito está associado o rito. O rito é o modo de pôr em acção o mito na vida do Homem (ex: cerimónias, danças, orações, sacrifícios...), ver: http://pt.wikipedia.org/wiki/Mito

Mito de origem e mito do herói na constituição subjectiva; Prometeu e Sísifo: a repetição como destino; Narciso e o mundo contemporâneo; Édipo e Hamlet: o universo trágico e a relação entre o atemporal e o temporal na clínica psicanalítica; Apolo e Dionísio: vida e morte em psicanálise. A ideia é minha, mas fui orientado para esta parte da minha análise pelo curso proferido por Pedro Luiz Ribeiro de Santi, psicanalista e professor da COGEAE PUC-SP ou Universidade Católica de São Paulo e da Escola Superior Psicologia Médica, no Brasil. Para detalhes, veja-se: http://www.sinprorp.org.br/Cursos/2007/233.htm. O interessante desta citação é saber quais os mitos usados e o seu objectivo.

Os mitos gregos são parte da cultura do ocidente, pelo que os seus símbolos são parte do nosso pensamento, saibamos ou não. Freud estava cientificamente obrigado a conhece-los, para entender a mente humana. Se o leitor quer saber mais, pode ler o texto em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hes%C3%ADodo#Obra

C.390, o Simpósio é um texto de diálogo de Platão, que forneceu a Freud diversas classificações do amor. O comentário diz: Ironicamente, tanto o epónimo desta forma de amor – Platão – quanto os já referidos Sócrates e Ficino – falavam do amor como uma espécie de amizade pedagógica, mas também tinham especial predilecção sexual por jovens do sexo masculino. Os três possuíam este afecto puro pelos discípulos, mas nutriam interesse erótico por rapazes. O conceito de amor platónico surge, assim, num contexto em que se debatia a pederastia (homossexualidade) mundana contra o amor filosófico puro (castidade), decorrentes da visão contida nos escritos de Platão (Simpósio, Fedro, etc.). Os filósofos da Idade Média retiraram lições do Simpósio de Platão e acrescentaram esta ideia: Levando-se em conta a definição actual do amor platónico, existe um paradoxo quando se leva em consideração a vida e os ensinamentos desses filósofos. Platão e os demais não ensinaram que a relação de um homem com um rapaz deveria possuir o interesse erótico, mas sim que o desejo pela beleza (em si mesma) do jovem deve ser o fundamento da amizade e amor entre ambos. Mas, reconhecendo que o desejo erótico do homem pelo jovem desvia as energias, é sábio resistir e opor-se o Eros (amor) de sua expressão sexual, canalizando-se as forças para as esferas intelectuais e emocionais. Texto completo em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Amor_plat%C3%B4nico

Contrariamente de Sócrates, que era filho do povo, Platão nasceu em Atenas, em 427-347 antes da nossa era, filho de pais aristocráticos e abastados, de antiga e nobre prosápia. Temperamento artístico e dialéctico – manifestação característica e suma do génio grego – deu, na mocidade, livre curso ao seu talento poético, que o acompanhou durante a vida toda, manifestando-se na expressão estética dos seus escritos; isto prejudicou, sem dúvida, a precisão e a ordem do seu pensamento, tanto assim que várias partes de algumas das suas obras não têm verdadeira importância e valor filosófico. Platão foi quem mais se baseou em Eros, para a sua obra. Na República (c.386), faz Eros interferir no funcionamento da parte apetitiva da alma. A sua actuação é destacada como negativa, pois vem associada à tirania dos sentidos. Platão cria a sua Paideia, palavra grega (p a i d e i a), (de paidos - p a i d o s - criança) que significava simplesmente "criação dos meninos". Mas, como veremos, este significado inicial, está muito longe do elevado sentido que mais tarde adquiriu. Platão define Paideia da seguinte forma "(...) a essência de toda a verdadeira educação ou Paideia é a que dá ao homem o desejo e a ânsia de se tornar um cidadão perfeito e o ensina a mandar e a obedecer, tendo a justiça como fundamento". Sobre Paideia, ver: http://www.google.com.br/search?hl=pt-PT&q=A+Paideia+de+PLat%C3%A3o&btnG=Pesquisar

No Banquete, de que é o tema central, Eros é objecto de vários elogios, mas o elogio propriamente filosófico vem de Sócrates pela boca da mulher de Mantinéia, a sábia Diotima. É neste texto que Freud se baseia para falar da sexualidade como elo central dos comportamentos. No diálogo, O Banquete, Platão escreve: “aqueles que foram um corte do andrógino, tanto o homem quanto a mulher, procuram o seu contrário. Isto explica o amor heterossexual. E aquelas que foram o corte da mulher, o mesmo ocorrendo com aqueles que são o corte do masculino, procurarão unir-se ao seu igual”. Aqui Platão apresenta uma explicação para o amor homossexual feminino e masculino, tratando-o como natural ou normal. Quando estas metades se encontram, sentem a mais extraordinária emoção de amizade, intimidade e amor, a ponto de não quererem mais separar-se, e sentem a vontade de se fundirem novamente num só. Esse é o nosso desejo ao encontramos a nossa cara-metade.

O amor para Platão, como para Aristófanes, é portanto, o desejo e a procura do tudo perdido por causa da nossa injustiça contra os deuses. Em: http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Banquete

No texto Fedro há dois discursos sobre o amor, tratado aí como uma forma de delírio. No primeiro discurso, o amor é um mal, um jogo ímpio, no segundo, um jogo sagrado, uma possessão divina pela qual nos elevamos acima de nós mesmos (265 e seguintes). Nesse diálogo Platão faz a crítica à retórica do seu tempo, que considera mera rotina, e que deseja substituir pela retórica filosófica, isto é, pela dialéctica (265 b-c). Se a retórica é uma forma de conduzir a alma de quem ouve o discurso, uma psicologia ou palavras usadas sempre com dez letras, a retórica verdadeira deve ter como objecto a alma, a qual deverá persuadir. Então, deve saber o que ela é e como se compõe. Ora, a alma humana busca a soberana beleza, que contemplara antes da encarnação. Seu bem é atingir esse ideal, é pelo Amor que ela encontra o seu caminho. A educação do homem livre é retórica na medida que o ensina a proferir um discurso belo, não para agrado dos sentidos, mas belo porque verdadeiro e justo.

O paralelismo com o Banquete, como se verá, está nessa ideia de que o amor é um agente educativo, e que a aspiração à verdade e ao ser é impulsionada pelo amor e por ele activada (cf. Banquete 209 a-e; cf. Fedro 277 a-e). Os textos de Platão têm datas diferentes, pela arrumação efectuada aos textos que se encontravam espalhados entre Atenas, Siracusa e outros sítios.

Se o Bem, o Belo e o Justo são o nosso destino (277e, 278a), o Amor inspira-nos um éden, um objectivo, eternamente voltado para eles. O filósofo vive amoroso delírio nessa caça ao Bem, ao Belo e ao Justo. Não é outro o sentido das palavras de Diotima, no Banquete (210 a-e; 211 c). A República parece ter sido escrita em 386, Fedro em 361 e O Banquete, em 399. Fonte: a minha pesquisa.

O conceito erótico, é definido pelo dicionário em linha que uso, como: do Lat. eroticu < Gr. erotikos, relativo do amor adj., relativo ao amor físico, ao prazer sensual; lascivo; sensual; lúbrico., em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx.



publicado por Carlos Loures às 15:00
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