Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
Venex e Daflon: uma guerra de placebos - por Octopus*

 

O laboratório farmacêutico Decomed está em   guerra contra o ministério da Saúde e o Infarmed por um dos seus medicamentos   ter perdido a comparticipação, trata-se do Venex.

 

O Venex (diosmina) é utilizado por milhares   de pessoas na insuficiência venosa crónica (varizes). Não existe actualmente  qualquer medicamento eficaz para o seu tratamento. O que existe é o Venex ou   o Daflon (da Servier), que os laboratórios produtores dessas moléculas dizem   estabilizar a parede das veias e assim melhorar a queixas dos doentes.

 

 Os placebos devem ser comparticipados?

 Placebo: (do latim placere,   significando "agradarei") é como se denomina um fármaco ou   procedimento inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos   fisiológicos da crença do paciente de que está a ser tratado.

 A Decomed exige que a decisão do Tribunal   Administrativo de Sintra, em 2007, de repor a comparticipação do Venex,   seja aplicada. Para isso está na criação do site: www.utenteslesados.com, apesar de  oficialmente este ser da autoria da Associação Portuguesa da Doença Venosa.


 Neste site, é sublinhado que milhões de portugueses estão a ser prejudicados   pela não comparticipação do Venex por parte do Sistema Nacional de   Saúde.  

 A pergunta que deve ser colocada é, se é   normal comparticipar um medicamento que não tem qualquer eficácia clínica   comprovada. Porque quem vai pagar essa comparticipação somos todos nós. Em   outros termos, será normal que eu ou vocês pague uma parte de um medicamento   que não faz nada mas que certas pessoas estão convencidas do contrário   estimuladas pela propaganda farmacêutica. Cada um é livre de ingerir o que
  julga benéfico para si, mas não podem ser os outros a pagar.

 

As "provas".

 Para sustentar a eficácia do Venex, a Decomed   encomendou um ensaio clínico, realizado em Portugal, este pode ser consultado   em: http://www.decomed.pt/VNEspecial.pdf
 

 

Este ensaio foi   realizado com 140 doentes em 11 centros, durante um período de 6 meses. Os   doentes foram divididos em 2 grupos, um deles tomou 2 comprimidos por dia de   Venex Forte o outro tomou um placebo, isto é comprimidos idênticos aos dos de   Venex mas sem qualquer substância activa. 

 

Neste ensaio foram   avaliados vários sintomas: evolução da dor, sensação de pernas pesadas,   cãibras e sensação de prurido. Apesar de pouco significativos, todos estes   sintomas melhoraram com a toma de Venex. Como estes sintomas são extremamente   subjectivos, é interessante analisar o único sinal avaliado neste ensaio: a   medida da circunferência da perna esquerda dos doentes.

 

 

E aqui o que é que   observamos? O valor  95%, com p=0,01).

 

De facto, analisando   os ensaios clínicos mundiais disponíveis, encontramos dois tipos: os que são   encomendados pelos laboratórios farmacêuticos que comercializam as   substâncias e que referem ligeiras melhorias (a maioria baseados em dados   subjectivos) e os ensaios independentes que não referem qualquer melhoria   clínica significativa. 

 

 

 

As causas das varizes.

 
Para perceber melhor o que é a insuficiência venosa crónica, temos do   conhecer as suas causas.

 

Assim, as varizes aparecem devido à deterioração das válvulas que percorrem   as veias e permitem que o sangue que se dirige ao coração não volte a descer.

 

Quando estas válvulas estão danificadas, nenhum medicamentos as fará voltar à   sua função inicial.

Outra causa para as varizes poderá ser uma perda do tónus muscular das   pernas, tónus esse que funciona como uma bomba nas veias profundas e que   ajuda o sangue a subir.

 

Por fim, a perda da   elasticidade da parede venosa e a sua maior permeabilidade poderá também   contribuir para a insuficiência venosa. É nesta última causa que apostam os laboratórios   farmacêuticos, na criação de medicamentos que supostamente alteram a parede   venosa.

 

  Prevenção:

 

Para quem tem uma   predisposição hereditária para a insuficiência venosa, a prevenção não é  fácil. No entanto, mantendo um bom tónus muscular e uma boa forma física, é   possível reduzir o risco do aparecimento de varizes ou atrasar a sua   evolução.

 

Algumas medidas:

 

  - Exercício físico regular. A compressão dos músculos das pernas facilita o   retorno venoso.

- Manter um peso adequado. O excesso de peso é nocivo para o retorno venoso.

 

 

 

 

-
    Evitar a obstipação. Esta obriga a um maior esforço durante a defecação
    aumentando a pressão venosa;

 
 

-
Elevar as pernas, 3 ou 4 vezes por dia, mais alto que o coração.

terna.            

-
    Colocar uma almofada por baixo das pernas, na cama, para dormir.

                

- Evitar
    passar muito tempo seguido sentado ou de pé.

    - Mexer os pés, quando tiver que ficar sentado por longos períodos.

    - Durante viagem prolongadas, por exemplo de avião, levantar-se
    regularmente e caminhar.

    - Colocar água fria nas pernas e evitar o calor como o banho quente,
    sauna ou sol.

    - Evitar meias e sapatos apertados.

    - Evitar sapatos de salto alto.

    - Usar meias de compressão, sobretudo para quem trabalha de pé.

   

     *Octopus é o pseudónimo deste nosso colaborador que é médico de Medicina Interna.             

.

           

 

 

 

 

 

  



publicado por Carlos Loures às 12:00
editado por João Machado em 26/06/2011 às 13:39
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7 comentários:
De Luis Moreira a 27 de Junho de 2011 às 12:16
Comparticipar um placebo abriria as portas a tudo. afinal tudo pode passar a ser um placebo.Basta utilisar um produto numa experiência.


De adao cruz a 27 de Junho de 2011 às 13:00
Sou médico há muitos anos e nunca vi qualquer efeito benéfico decorrente do uso destas drogas. Por isso Há anos que não prescevo nada dessas coisas. Dessas e de muitas outras, pois as farmácias estão cheias de merdas que não têm qualquer valor, sabendo nós que, por vezes, só se notam efeitos secundários que podem ser prejudiciais.


De Augusta Clara a 27 de Junho de 2011 às 13:07
Ainda bem que te pronunciaste, Adão, porque não me estava a atrever a meter nesta conversa, mas algum placebo me estava a atacar o sistema nervoso.


De Zeze Curioso a 24 de Outubro de 2011 às 21:34
Se isto foi escrito por médicos...que mal vai a medicina em Portugal e que mal informados devem andar por estarem tão desactualizados em relação aos supostos placebos...mais me parece é que alguem aqui teve a intenção clara de defender parte interessada....não será assim?


De Elsa Leonardo a 25 de Outubro de 2011 às 13:09
Quem se esconde atras do anonimato, esconde-se atrás de um interesse. Mas o nome de polvo é esclarecedor. Desde logo porque revela não ter coluna vertebral.


De maisumcomentário a 10 de Agosto de 2013 às 22:56
Acabei de fazer uma pesquisa no pubmed sobre diosmina, pernas pesadas e outras patologias associadas à fragilização das paredes dos vasos sanguíneos e encontrei logo uma dezena de estudos que, na ultima década, mostraram haver diminuição significativa (estatisticamente significativa, e não subjectiva) do perímetro da coxa em pacientes que a tomaram, em comparação com placebos. Portanto, assim se vê como vai a medicina em Portugal, quando temos ali acima um médico a dizer que 'não receita nada dessas merdas'. Acham que é só fazer o curso e depois não é preciso manterem-se actualizados? Os motores de busca da especialidade estão cheios de informação, mas dá muito trabalho.


De Zé Povinho a 27 de Outubro de 2017 às 00:42
Afinal em que ficamos? Esta coisa do Daflon do Venopress veterinário, do Venex funciona ou quê?


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