Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010
A ilusão de sermos pais -!, por Raúl Iturra
PRELECÇÃO E AGRADECIMENTOS

Introdução do meu livro de 2008: A ilusão de sermos pais. Livro completo em

http://br.monografias.com/trabalhos913/licoes-etnopsicologia-infancia/licoes-etnopsicologia-infancia.shtml



http://www.youtube.com/results?search_query=Wagner+Die+Walquirien&aq=f

Wagner - Die Walküre: "The Ride of the Valkyries" (Boulez)


Longe de mim imaginar que as crianças procuravam ou viviam uma intensa libido erótica entre os quatro meses de concepção e quatro anos, quatro anos e meio de idade, como define Wilfred Bion no seu texto de 1966, citado mais á frente. Ainda mais longe das minhas ideias e sentimentos, que esse ser fosse criança até essa idade, em que adquire a capacidade de desenvolver o entendimento do real: e começa a desenvolver esse entendimento. Orientado pelas ideias da cultura social, pensava que o bebé no ventre da mãe mexia por ser parte da sua fisiologia.

A mãe da minha descendência costumava dizer: "anda cá, apalpa, está a mexer..." e, cheio de orgulho e felicidade, beijava a barriga e, evidentemente, com paixão e desejo e com esse profundo carinho que até ao dia de hoje sobrevive no amor e cuidado que dedicamos aos nossos netos, comia com beijos e abraços a minha mulher. Como dizem os Terapeutas não Antropólogos: o bebé nasce no olhar de dois namorados, frase citada e contextualizada no presente texto. Andava como os putos babados, a contar esta linda história aos que me suportavam quer as palavras, quer o nunca parar de dizer o mesmo. Adulto já para tanta brincadeira, a minha próxima paternidade era a minha delícia, a da minha mulher eram as caixas de rosas vermelhas e chocolates com leite. Os beijos para a minha mulher até a hostilizavam: "deixe-me em paz...." E eu, pretenso bom pai, não a queria provocar e largava-a. Escrevia extensos textos, preparava imensas aulas, tratava de todos os casos do meu Gabinete de Advogado desses tempos...com uma imensa distracção porque, a criança que estava no ventre da minha mulher, estava a invadir a minha cabeça a e preencher toda a minha aprendizagem sócio cultural de macho. Adorava quando íamos á rua passear apenas os dois, eu a abraçar, a segurar e a exibir a barriga da minha mulher, que eu tinha ajudado a encher e, tanto quanto possível acariciar em frente de todo o grupo social, o querido volume da feminilidade da minha paixão, essa mulher que me tinha cativado e levado a não parar até fazermos esse, para mim de certeza, filho.
Proibido tricotar cor-de-rosa, proibido pensar em nomes de rapariga, não tolerava mencionar nomes femininos para esse nosso primeiro descendente, feito no meio de um terrível ataque de paixão.
Grande déspota, este pai. Muito direito, muita culturas de outras sociedades, muito trabalho de campo..., na mais absoluta ignorância de que os saltos dentro do ventre eram a resposta zangada do meu sonhado rapaz, que defendia o que eu não sabia: a sua paz, a calma, a tranquilidade dentro da mãe, o alimento amniótico, alimento umbilical, a zangar-se com uma outra química que lhe tirava a comida quando eu entrava na mãe, a tentar por todos os meios possuir por completo a base da sua vida: o quente, flutuante, calmo e silencioso ninho no qual morava, nesse curto espaço de tempo. Grande déspota a mãe, ao defender a criança de qualquer perigo externo e, por vezes por, o marido, ainda não pai, de parte, pela dificuldade de ser grávida e conjugue.

E...no entanto, nem ela, nem eu, nem os avós pensávamos estar a travar-se uma batalha entre as ilusões do amor progenitor e a falta de afectividade do futuro adulto. Ou a afectividade dividida mais tarde entre o homem de casa se fosse rapaz, ou a mulher, se fosse rapariga: os ciúmes nasceram com o primeiro pranto de respiração no dia do parto.

Tinha que ser este médico de Viena de Áustria, a advertir-nos, em 1905, do Eros e Thanatos, a existirem na mais pequena das moléculas humanas do nosso grupo. Os calafrios que causara entre os australianos, e no resto do mundo da época, entre os entendidos e mais ainda entre os não entendidos e até aos dias de hoje. Que a criança procura satisfazer o seu erotismo ao brincar com os seus genitais ou ao procurar o dos seus adultos? Que ser amamentado é parte do comer e da libido com orgasmo? Que o pénis erecto do pai passa a ser o brinquedo a seguir ao abandono das mamas? Que, se não é evitada, a pedofilia sem ritual acontece, como a pedofilia ritual de outras etnias não europeias?


publicado por Carlos Loures às 08:00
link do post | comentar

EDITORIAL
AUTORES
Adão Cruz

Adriano Pacheco

Alexandra Pinheiro

Andreia Dias

António Gomes Marques

António Marques

António Mão de Ferro

António Sales

Augusta Clara

Carla Romualdo

Carlos Antunes

Carlos Durão

Carlos Godinho

Carlos Leça da Veiga

Carlos Loures

Carlos Luna

Carlos Mesquita

Clara Castilho

Ethel Feldman

Eva Cruz

Fernando Correia da Silva

Fernando Moreira de Sá

Fernando Pereira Marques

Hélder Costa

João Machado

José Brandão

José de Brito Guerreiro

José Magalhães

Josep Anton Vidal

Júlio Marques Mota

Luís Moreira

Luís Rocha

Manuel Simões

Manuela Degerine

Marcos Cruz

Maria Inês Aguiar

Paulo Melo Lopes

Paulo Rato

Pedro Godinho

Raúl Iturra

Rui de Oliveira

Sílvio Castro

Vasco de Castro

Contacte-nos
estrolabio(at)gmail.com
últ. comentários
Sou James Roland, de Portugal. Alguns meses atrás,...
Oferece empréstimos de dinheiro variando de 5000 a...
Here is a good news for those interested. There i...
oferta para todosOlá, volto para todos os indivídu...
esse dalmaso nao e brasileiro ele deu depoimento e...
Meu nome é Patricia Martins, de Portugal, um pai s...
Dia bom, Meu nome é Laura Pablo, eu quero testemun...
Afinal em que ficamos? Esta coisa do Daflon do Ven...
UPDATE ON LOAN REQUIREMENT If you are in need of ...
Olá, sou ivani suarez, atualmente morando em santi...
pesquisar neste blog
 
posts recentes

De 26 de Setembro a 2 de ...

As minhas novas pegadas (...

A viagem dos argonautas

Portugal, a União Europei...

Políticos que cumprem ! P...

O Ministro Gaspar

Anima ver o lado positivo

Palavras Interditas - por...

Os jornais e as notícias ...

Summer Time - Ella Fitsge...

arquivos

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

tags

todas as tags


sugestão: revista arqa #84/85
links