Segunda-feira, 6 de Junho de 2011
Eleições - a opinião de João Machado

O rescaldo das eleições de 5 de Junho de 2011

 

Conhecidos os resultados eleitorais, verifica-se a esperada vitória da direita. Não se sabe se vai haver coligação, pessoalmente vaticino que sim. Há que agradar às instâncias internacionais, que têm insistido na necessidade de uma maioria absoluta, ao Presidente da República, que é um senhor com uma visão aritmética da política, e aquietar o buliçoso líder do CDS/PP, que aprecia muito os bancos do poder. Veremos. E há sempre a hipótese, remota é verdade, de uma coligação PSD/PS. Se Sócrates não continuar á frente do PS, talvez seja mais fácil. De qualquer modo, a gente já viu cada uma …

 

A taxa de abstenção foi muito elevada. Mesmo levando em conta o estado lamentável dos cadernos eleitorais, foi excessiva. Obviamente que se deve a causas diversas. É em qualquer caso muito mau sinal. Uma pergunta para os que não vão votar por acharem que as forças políticas existentes não correspondem ao seu pensamento. Porque não tentam criar forças políticas que melhor representem o seu pensamento? Não é assim tão difícil. E a democracia não resume ao parlamento, é verdade. Nem às autarquias. É muito para além disso. Mas não participar nas eleições também não ajuda.

 

O novo governo vai aplicar os acordos com a troika. A esquerda terá de o contrariar, como é sua obrigação. Problema: onde se vai colocar o PS? Com Sócrates à cabeça? Sem ele? Será diferente sem ele?



publicado por João Machado às 01:30
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11 comentários:
De Luis Moreira a 6 de Junho de 2011 às 01:37
Mas se o PS assinou o acordo da Troika, que poderá fazer?


De Augusta Clara a 6 de Junho de 2011 às 01:37
Em relação à troika, com Sócrates ou sem ele, não acredito em nenhuma alteração no PS. Olha, só espero que o Paulinho não proponha a compra de mais submarinos, daqueles que não flutuam.


De Luis Moreira a 6 de Junho de 2011 às 01:53
Com a troika o que há a fazer é mostrar que as taxas de juro são usurárias, que o nosso país vai cumprir não havendo razão para taxas deste nível.. Nem a Alemanha consegue pagar taxas de 10%. Basta olhar para a Grécia e Irlanda.


De Pedro Godinho a 6 de Junho de 2011 às 02:36
O BE perde metade dos deputados (8) e dos votos (menos 270 mil).

Ora como o PS também perde, o PCP mantém e são o PSD e o CDS que sobem... o BE perde para a direita. Espero para ouvir a análise que fazem e a auto-crítica.

O PCP satisfaz-se em ficar na mesma (de facto sobe 1 deputado, apesar de perder 5 mil votos) e fica feliz por ter ultrapassado o BE e poder voltar a afirmar ser a 1ª força à esquerda do PS. A luta continua.

Os Brancos sobem 49 mil votos.

Talvez se o BE e o PCP se dissolvessem - o passado de ambos (de dependência externa) prende-lhes o pé - se abrisse espaço para uma esquerda (não dogmática e construtiva) democrática e socialista, capaz de constituir uma alternativa para uma política e governação diferentes - pautada por princípios de democracia, liberdade e justiça social (voltar a partir dos 3 D do 25A: democratizar, descolonizar e desenvolver).


De João Machado a 6 de Junho de 2011 às 03:11
Há uma análise que se pode fazer já. O Pedro Godinho é fraco a analisar resultados eleitorais. Concluir que os votos que o BE perdeu em relação a 2009 foram para a direita é de quem tem ideias pouca claras sobre o panorama político em geral. Ou então de quem está ansioso de dirigir uns impropérios ao BE. Ao menos podia ser um bocadinho tolerante e admitir que em 2009 houve uns PS que foram votar no BE por protesto, que outros agora foram para o voto em branco, etc.



De Pedro Godinho a 6 de Junho de 2011 às 03:38
Fraco é dizer pouco, é seguramente extra-terrestre ou perigoso provocador.
Não é uma análise sociológica das transferências, não disse que os anteriores votantes do BE agora votaram na direita. Alguns, possivelmente, votaram PAN que somou mais de 57 mil votos.
São contas de merceeiro (com impacto político): o PS perde 23 deputados, o PCP ganha 1, o CDS ganha 3, o PSD ganha 27 (mesmo ganhando todas as perdas do PS não chega). Diria o Vladimiro que, objectivamente, os 8 perdidos pelo BE acabaram 1 no PCP, 3 no CDS e 4 no PSD.


De Paulo Rato a 6 de Junho de 2011 às 04:38
Eu sou do PCP e não estou a pensar, para já, em dissolver-me.
Toda a gente tem um passado. No meu cabe, por exemplo, ter tratado algo mal alguns representantes do que o Pedro chama "dependências externas": nunca tive vocação (nem paciência) para a carneirada, fosse onde e quando fosse.
Quanto a dependências externas, qual é a organização política, já existente ou criada à pressa, com o 25 de Abril, que não tem “dependências externas”? O PS, o PPD, o CDS?... Não receberam, de fora, apoios e maravedis imigrantes (dólares, libras, francos, marcos…)?
Como é habitual numa, infelizmente, elevada percentagem de pessoas que crêem em excesso no que ouvem ou lêem (tudo dito e escrito por gente independente e pura?), o Pedro fala do que não conhece, ou pelo menos, como também é muitíssimo comum, daquilo que só conhece à superfície. A História não se reduz ao que vem nos livros e, muito menos, nos jornais… A História passa pelas pessoas: e mais por quem foi à luta, do que por quem ficou no remanso do lar ou era demasiado jovem (será o seu caso?) para lutas que, no essencial, já encontrou ganhas.
Também cabem no meu passado algumas coisas que se têm de fazer em situações difíceis, delicadas, em que as opções não são muitas; coisas dolorosas, complicadas, que nos ferem e, por vezes, aos que nos são queridos. Tanta coisa cabe no passado de quem viveu tempos de resistência contra um inimigo implacável (o fascismo português não foi uma mansidão, como alguns tentam convencer quem não viveu esses tempos, ou se manteve à margem). Mas tudo nos constrói, faz parte do que somos e não podemos renegar sem a nós mesmos nos negarmos. A propósito, viu um filme do Moretti, chamado, "La Cosa", sobre a "transformação do PCI? se puder, veja.
O Pedro que idade tem (não me recordo da sua apresentação, "peccato")? Não tem passado, dependente ou in(?)dependente? Tem um passado límpido e cristalino, talvez mesmo angélico? “Nunca foi senão príncipe”, como no poema de Pessoa?
Ao contrário do que vendem os “media” (todos propriedade de gente de parcos recursos e de irrepreensível seriedade, como se sabe), o PCP não é, hoje, numa situação de democracia - mesmo muito imperfeita -, mais fechado ou “monolítico” que os partidos à sua direita, onde o clientelismo obriga ao respeitinho, à paciente espera da “oportunidade”, ao favor mútuo como à “facadinha nas costas” (não são poucas as intrigas, aliciamentos infames, ameaças, ostracismos - no interior de organizações mui democráticas - de que tenho conhecimento, em geral, directamente pelos que foram atingidos por tão simpáticas atitudes). O maior defeito do PCP - mas comum a todos os outros Pês, que chatice! - é que é formado por seres humanos, ainda nenhum anjo se inscreveu… Mas, pelo menos, os que por lá andam, não passaram de sindicalistas e grandes revolucionários a presidentes de confederações patronais (conheço dois, oriundos doutras paragens e passagens...). Como, de resto, muitos dos que de lá saíram, por admissíveis e honradas divergências, não deixaram de ser de esquerda e não se foram lançar nos braços da direita, do dinheiro, das prebendas, como aconteceu com alguns. E nunca deixaram de entrar novos militantes neste "anacrónico" partido, apesar do espanto que tal cousa causa em certa gente…
Estou convicto de que a esquerda há-de encontrar caminhos comuns, com todos os passados e todas as “dependências”, em nome de objectivos que a realidade e a reflexão diversificada sobre ela lhe apontarão. Mas que não passarão pelas veredas que alguns “analistas” lhes sugerem, acreditando ter descoberto os destinos ideais de organizações a que são alheios.


De Carlos Loures a 6 de Junho de 2011 às 08:21
Está bem analisado, embora me pareça que a análise resulta suave para com a esquerda. Não li os comntários, mas apenas o teu texto e posso estar a referir-me a aspectos já debatidos. A esquerda partidária portou-se mal, João. Tal como acontece muiita vez no xadrez, atacou sem um plano estratégico, muito fiada em que o eleitorado lhe faria justiça - e fez, mas não na maneira esperada. Estas eleições foram um desastre. Bem as podíamos ter dispensado, esperando que o ciclo se cumprisse e atacando nessa altura, se possível, com base numa plataforma de acção comum.


De Luis Moreira a 6 de Junho de 2011 às 11:13
Há, felizmente, 700 000 votos que ora votam à direita ou à esquerda e que dão as maiorias. Foi o que aconteceu. São pessoas não partidárias que não vão em conversas de encher e , que, se mudam quando há fins de ciclo como era o caso.São pessoas que pensam pela sua cabeça. O PCP e o BE, por muita simpatia que se tenha não concorreram com nenhuma ajuda prática.Não há razão nenhuma ( a não ser a dos seus militantes) para votar "em não soluções".


De Augusta Clara a 6 de Junho de 2011 às 15:21
Os que não sabem para onde se hão-de virar dão cá uma vantagem para o futuro dum país...Só se for para andar de baloiço.


De Pedro Godinho a 8 de Junho de 2011 às 01:01
Comentário de comentários a comentários:

CDS/PP e PPD/PSD (como quer que alternem o nome) são a representação política "natural" do capitalismo nacional e internacional - não tiveram, não têm, não podem ter autonomia própria.
O PS fez-se partido da gaveta e ficou engavetado, nas mãos de associações de advogados de interesses para apropriação do bem comum em prol de grupos privados - concorrendo com a direita na promiscuidade com o complexo financeiro-empresarial.
É por uma área "mais à esquerda" que mais me interesso porque aí situo o espaço para a esperança numa proposta diferente de democracia, economia e sociedade.
Daí a insatisfação com o que me parecem formas e proposições esgotadas e desajustadas do tempo presente.


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