Sábado, 12 de Março de 2011
O Próximo Oriente faz perigar a nossa Democracia - por Raúl Iturra

 

 

 

 

Lamento profundamente estarmos perante uma guerra. Mas para saber o como e o porquê é melhor, como costumava dizer o guerrilheiro chileno Manuel Rodríguez na luta pela independência do Chile da coroa espanhola, era melhor conhecer as manhas e as tropelias para assim o vencer com as suas próprias tácticas. Foi assim que ganhou a guerra, junto com Bernardo O’Higgins, o primeiro Presidente do Chile, denominado como Director Supremo, e o General José de San Martín, o primeiro Presidente da primeira República que se libertara da coroa espanhola, lá, longe, num canto do mundo, como o Chile, países que tinham como limítrofe o Continente Antárctico, parte do qual era destas duas novas Repúblicas. O primeiro, eleito Deputado do Congresso formado pelo Director Supremo, foi assassinado por ordem do Director Supremo, o qual, por sua vez, foi desterrado e se asilara na República por ele libertada, Peru, onde faleceu, enquanto San Martin fora exilado paraParis, onde tive o prazer de conhecer a sua descendência. O’Higgins retornou ao Chile, já morto, com as honras devidas a um chefe de Estado. Estas são as veleidades da História, sendo esta a mão perigosa: libertar um povo, traz os ciúmes dos que lutaram mas que nenhum cargo de alta patente, alcançaram.

Porque esta comparação? É a nossa maneira de explicar, comparando comportamentos de países diferentes…

Antes, Moammar El-Gadhafi, fosse o menino mimado que foi na sua infância, que o assassino que é hoje. Época de criança em que todos os seus caprichos eram cumpridos, por pertencer a uma família patrícia de Tripoli, cidade fundada pelos romanos no século II antes da nossa era. Gaddafi, pertencente a uma tradicional família líbia, teria nascido numa tenda no deserto líbio, próximo à cidade de Surt ou Sirte (norte). Teve contacto com beduínos comerciantes que viajavam pela região de Surt, com quem adquiriu e formou suas precoces posições políticas.

Ainda pré púbere, a criança Gaddafi, foi enviado para uma rígida escola, onde passou anos longe de seus pais. Lá destacou-se em matemática, literatura e geografia, para o nosso mal. Digo para o nosso mal, porque em todo o que empreendia, tinha excelentes resultados. Como essa ditadura de 40 anos, que subjuga todas as tribos que compunham a Repúblicada Líbia. Os grupos tribais, foram inicialmentedominados por cartagineses, beduínos, turcos, o império romano e o bizantino. Bref , foi sempre um território perseguido, que no Século XVIII, teve o seu primeiro rei: o reinado da dinastia Karamanli, que dominou Tripoli durante 120 anos, contribuiu para assentar mais solidamente as regiões de Fezã, Cirenaica e Tripolitânia, e conquistou maior autonomia, sendo apenas nominalmente pertencente ao Império Otomano, a região servia de base para corsários, o que motivou intervenção norte-americana, a primeira Guerra Berbere ocorreu entre 1801 e 1805.

 

 

Fonte:Enciclopédia do Mundo Contemporâneo 3ª Ed., 2002, Publifolha, Editora do Terceiro Milénio, p. 384 ou http://www.guiadelmundo.org.uy/cd/

teve esse revés. Do qual ainda não se libertaram. Ou como outro povo Oriental, a Grécia, que teve por rei Constantino Sexto o último monarca da Casa de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Glücksburg. Fonte: confidencia feita a mim pelo ex rei.

Tornando a Ghadafi, depois de terminar a primeira etapa de seus estudos, Gaddafi, aos 17 anos, iniciou a carreira militar. Integrou a Academia Militar de Benghazi, segunda principal cidade do país, e também integrou a Real Academia Militar (The Royal Military Academy) em Sandhurst, na Inglaterra.No primeiro ano do curso superior formou um clube de opositores ao governo de Idris I, que cada vez mais vinha autorizando a entrada de americanos na Líbia. No ano de 1969 o governo de Idris I passava por uma crise de impopularidade, pois grandes quantidades de petróleo líbio estavam sendo utilizadas pelos Estados Unidos, sem qualquer compensação à Líbia. Admirador do líder egípcio e nacionalista árabe Gamal Abdel Nasser, Muammar al-Gadhafi, aos 27 anos de idade, foi membro das tropas revolucionárias que tomaram o governo do país, no dia 1º de Setembro de 1969, tendo como líder Mahmud Sulaiman al-Maghribi. Coronéis do exército líbio invadiram Tripoli e obrigaram Idris a renunciar

Logo após o golpe de estado, Al Magrabbi sai de cena e Gadhafi, como líder da revolução líbia, com a patente de coronel, toma o poder, substituindo o príncipe regente Ridah e o rei ausente (licenciado para fins médicos na Grécia e no Egipto), Ídris I, tio de Ridah.

eles os Panteras Negras, o Fatah e alguns países do Oriente Médio, tentando dar continuidade ao trabalho de Nasser, que tanto admirara. Gaddafi teve, inclusive, ligação directa com o massacre de Munique, realizado no dia 5 de Setembro de 1972, durante os Jogos Olímpicos, patrocinando e dando cobertura ao grupo que ficou conhecido como Setembro Negro. Onze atletas israelenses foram assassinados nesse episódio.

Em seu Livro Verde, lançado na década de 1970, Gaddafi expôs sua filosofia política, apresentando uma alternativa nacional ao socialismo e ao capitalismo, combinada com aspectos do islamismo. Em 1977 criou o conceito de Jamahiriya ou "Estado das massas", em que o poder é exercido através de milhares de "comités populares".

Em 1982, como medida punitiva ao suposto patrocínio líbio a grupos terroristas, o governo norte-americano proibiu a importação de petróleo da Líbia. Em 1986, após um atentado à bomba numa discoteca de Berlim, quando morreram dois cidadãos norte-americanos, os EUA lançaram ataques aéreos contra Trípoli e Benghazi e impuseram sanções económicas contra o país. No final da década de 1980 o governo líbio foi acusado de envolvimento nos atentados contra aviões da Pan Am e da UTA, o que motivou a imposição de sanções também pela ONU, em Março de 1992.

Após sua mulher e sua filha morrerem durante o bombardeio americano a Trípoli, Ghadafi distanciou-se superficialmente de suas alianças com grupos terroristas.

à Líbia acusando seu líder de financiar o terrorismo pelo mundo. Essas sanções foram suspensas em 1999.

de Ghadafi, já ditador, motivo pelo qual, muitos dos meus estudantes não voltaram nem àLíbia nem à vizinha Tunísia, tendo trazido as suas famílias para Cambridge onde se tornaram Doutores

Fontes: as narrativas dos meus estudantes, o Livro Verde de Ghadaffi e Os mil e um nomes de Kadafi, apresentado em 16 de Fevereiro de 2011.

O resto da História, é conhecida pelos jornais do dia, pelas notícias televisivas e pela Internet, além dos meus contactos com os meus antigos estudantes, aos que ajudei quando ensinava na Universidade de Cambridge, UK

Foi em 1993 que o líder dos insurrectos militares passara a ser Ghadafi, assassinando todo e qualquer rival.

Tem enviado representantes a todos os países que ele teme, porque corre o rumor de uma invasão em massa da Líbia, liderada pelas Nações Unidas, a União Europeia e os países ocidentais que têm todo o direito a se defender e levar o ditador ao Tribunal Internacional de Justiça, que é o que todos esperamos. O Ditador tem medo, e diz que fará uma aliança com Osama Bin Laden, sunita, para declarar uma guerra santa contra o ocidente. Guerra Santa no Alcorão, é abater os não crentes em Alá e Maomé. O mais duro, é os armamentos que têm os países do Oriente Próximo: Egipto, Iémen, os Emiratos Árabes, Tunísia e, como é evidente, a Líbia, se for verdade o que Ghadafi diz e tenta demonstrar.

Esse é o nosso temor. Tenho apoiado os muçulmanos, mas quem me defende a mim e a todos os meus? Porque o Ocidente parece não se interessar com o Oriente. Grave erro. É a época em que mais sabemos dos seus hábitos e costumes: são culturas, onde a vida humana, pode ser sacrificada e mesmo assim considerado herói, quem levou esse sacrifício a um momento de terror e acabou com várias outras vidas que só queriam viver sossegadas o seu dia-a-dia. Ser fundamentalista é não ver mais além do que está escrito ou instituído, não questionar, não analisar, não duvidar…

 

 

 



publicado por Luis Moreira às 14:00
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